Pais e mães exaustos: 3 atitudes para enfrentar o turbilhão

A colunista Magda Gomes Dias destaca práticas que ajudam as famílias a manter uma rotina e aliviar o cansaço

Pais exaustos: 3 atitudes para enfrentar o turbilhão; homem sentado no sofá com mãos na cabeça e mulher ao fundo em pé segura bebê nos braços
"Procuramos manter as rotinas, que são, de fato o que nos alivia o cansaço, mas percebemos que, ainda assim, é difícil assegurar algumas delas", diz Magda

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A Gretchen Rubin, escritora americana, tem uma frase que adoro e que diz “ Os dias são longos , mas os anos são curtos.” Esta frase é verdade para quem tem filhos pequenos, naquelas fases muito desafiantes. A ela juntamos a outra frase que diz: passa a correr, passa rápido. Ou seja, a noção de tempo é altamente subjetiva. Não tem só que ver com o tempo que passa, mas também com o tempo social. Ouço pessoas da geração dos meus dizer “No meu tempo e com a tua idade eu já estava/já era, já tinha.” Hoje, aos 43 anos, sinto-me com 20, vejo-me com 20, mas a realidade ao espelho e na forma como me tratam “a senhora” mostram-me a realidade. O tempo mental é um, o tempo físico é outro. O tempo é uma medida altamente subjetiva.

Falando com várias pessoas, a noção em relação ao tempo deste último ano é algo que daria uma tese ou uma comédia. Não sei se te aconteceu também, mas dei por mim, por vezes, a não saber exatamente, em que fase do ano estava, em que mês ou dia era. Ao trazer o trabalho para dentro de casa, e a viver todas as esferas da minha vida ao mesmo tempo, as fronteiras temporais começaram a desaparecer. Trabalho ao fim de semana – algo que a maior parte dos empreendedores e pessoas que têm os seus próprios negócios fazem – mas acredito que passei dos limites. Não me dei conta. E percebi que tomo decisões o tempo todo. Entre o tempo que não sabemos que temos até esta pandemia terminar, tomo decisões. O que fazer para o jantar, o que fazer se este projeto não der certo, o que fazer com este cansaço. A angústia das decisões, tão bem definida num texto de Sartre que postei há umas semanas arrasa conosco. 


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Tenho percebido que, de uma forma geral, estamos todos esgotados, com falta de vitalidade. Procuramos manter as rotinas, que são, de fato o que nos alivia o cansaço, mas percebemos que, ainda assim, é difícil assegurar algumas delas.

Vejo pais completamente exaustos, num estado de burnout que só tem solução quando se pede ajuda para que se volte a equilibrar a balança. 

A organização do nosso tempo, onde existimos nas diferentes esferas, torna-se então algo que precisamos de olhar com a máxima seriedade para sairmos deste turbilhão em que muitos já estamos metidos.

Alguém disse, e cheio de razão: Podemos ter tudo – só não podemos ter tudo ao mesmo tempo.

Para manter uma rotina, precisamos ser generosos consigo mesmos: não dá para ter tudo ao mesmo tempo.

Então, e para começar, vamos olhar para esta tríade super importante:

O descanso 

A alimentação 

A atividade física

São 3 elementos que precisam estar presentes na nossa vida. 

Eu passei a permitir-me dormir a sesta (um cochilo à tarde), de vez em quando. Permitir foi o verbo que usei, é verdade. Porque preciso respeitar o meu corpo, o cansaço que sinto.

Se sempre fui cuidadosa com a alimentação, a verdade é que estou a seguir um plano sério, com benefícios anti-oxidantes. É fácil cair no “só um copo de vinho, só uma batata frita”. Também é fácil, para quem não tem filhos, passar o dia sem comer, porque está a fundo no seu trabalho. Já para quem tem filhos, cozinhar pode ser um pesadelo. Para mim, neste segundo confinamento quase foi quase isso, o que me fez retomar um hábito que me salva sempre: decidir os menus e tirar uma manhã por semana, para preparar todas as refeições da semana. Também vou buscar fora ou mando vir, mas porque quero alimentar-me bem, resolvo tudo numa manhã. E posso garantir que a obrigação deixa de existir porque está assegurada de uma vez só.

E finalmente, a atividade física. Já não procuro os “6 pack” (a chamada “barriga de tanquinho”) – mas o treino de força, de equilíbrio, porque um dos motivos de morte ou invalidez a partir de uma certa idade é a falta de força derivado à perda de músculo. Claro que praticar esportes traz muitas outras vantagens, mas eu foco também nesta – sinto mais força, mais agilidade. Como se tivesse os tais 20 anos…

E se estes três pontos são importantes para a rotina, também precisamos de trazer mais coisas à nossa vida. Criatividade, diversão, leveza, felicidade. Sabem, as coisas estão puxadas.

No início do confinamento passado, e neste, decidi desafiar-me. Decidi que, enquanto durasse o confinamento, não iria repetir a mesma roupa. Decidi que iria cozinhar um prato diferente todos os dias. Não sei como consegui quase dois meses de pratos diferentes – mas o desafio de um conjunto diferente, todos os dias, é um bossa na minha criatividade e auto-estima. Posso não sair todos os dias, mas todos os dias cuido de mim. Visto-me, coloco os meus cremes, o meu eyeline (delineador) e rímel, e o meu batom. Não é negociável. 

Em jeito de resumo: os dias podem ser longos ou curtos, mas os anos, esses, passam a voar. E no nosso dia a dia, precisamos de assegurar que existimos nas diferentes esferas que temos, nos diferentes papeis. E para que isso aconteça precisamos de repetir que “Podemos ter tudo, só não podemos ter tudo ao mesmo tempo” – e isso vai trazer um olhar mais generoso para conosco que é o que nos permite conciliar o que é importante, sem culpas, de forma tranquila.


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Magda Gomes Dias
Magda Gomes Dias, 42 anos, tem dois filhos: Carmen, 10 anos, e Gaspar, 7 anos. É natural do Porto, Portugal, e fundadora da Escola da Parentalidade e Educação Positivas, onde oferece programas de certificação e especialização na área. Autora do blog 'Mum's the boss', escreveu os best-sellers 'Crianças Felizes' e 'Berra-me Baixo', além do livro 'Para de Chatear a Tua Irmã e Deixa o teu Irmão em Paz'.

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