Campanha pede prioridade na vacinação das pessoas com síndrome de Down

Mobilização da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down chama a atenção para os riscos que esse grupo corre de se tornar vítima grave da Covid-19

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Campanha pede prioridade na vacinação das pessoas com síndrome de Down; menina com síndrome de Down olha sorridente para a câmera
Crianças e adolescentes com a síndrome de Down têm sido apontados como até três vezes mais suscetíveis a desenvolver complicações da Covid-19, destaca a Sociedade Brasileira de Pediatria

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Crianças e adultos com síndrome de Down fazem parte do grupo de risco de contaminação pelo coronavírus, pela condição de vulnerabilidade, baixa imunidade e probabilidade de desenvolver uma forma grave de Covid-19. Mas mesmo estando no grupo prioritário, essas pessoas só serão vacinadas na 3ª fase do Programa Nacional de Imunizações (PNI), junto ao grupo de pessoas com comorbidades. Porém, o número de vacinas adquiridas até o momento não é suficiente para atender toda a população do grupo prioritário, alerta a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, que lançou a campanha “Uma Dose de Respeito”, junto a 38 instituições associadas. O objetivo é pressionar o governo federal, estados e municípios e garantir que as pessoas com síndrome de Down (T21) sejam vacinadas de imediato. O movimento pede o apoio da população e de outras instituições para participar de abaixo-assinado e divulgar a campanha usando a hashtag #UmaDoseDeRespeito nas redes sociais, em publicações sobre o assunto e também nas páginas oficiais dos governos e secretarias de saúde. 

“O que a gente faz é um apelo às secretarias de saúde e ao Ministério da Saúde, o tanto que a gente já mandou de documentos e artigos científicos que confirmam a vulnerabilidade de pessoas adultas, ao menos, em relação ao impacto da covid-19, que coloquem essas pessoas na priorização da vacinação junto com idosos”, afirma a médica Ana Claudia Brandão, membro do Comitê Técnico Científico da Federação Brasileira das Associações de síndrome de Down, em live do 7o Encontro de Atenção à Trissomia, que debateu o assunto.

A médica explica que as formas de contágio do coronavírus são as mesmas para todos, mas a pessoa com síndrome de Down pode ter o chamado risco sociodemográfico, devido a uma maior dificuldade de compreensão nas medidas de proteção contra a covid-19, no uso de máscaras e no distanciamento social. Ela cita também os riscos biológicos, relacionados à maior suscetibilidade às infecções respiratórias e maior taxa de hospitalizações por esses problemas; questões de saúde associadas, como diabetes, obesidade, cardiopatia e demência; e questões anatômicas, pelo fato das pessoas com síndrome de Down terem a face mais achatada, o que deixa os ossos de drenagem mais estreitos, facilitando as infecções. E, ainda, o fato de essas pessoas precisarem de cuidadores, o que as expõe mais a terceiros.


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Incidência da covid-19 em pessoas com síndrome de Down

“O estudo da T21 Research Society, que é uma iniciativa colaborativa e internacional e da qual o Brasil também participa, publicado neste mês na revista The Lancet’s E Clinical Medicine, até o momento avaliou o maior número de casos de Covid-19 em pessoas com síndrome de Down (SD) – mais de 1.000. Esse estudo também revelou que em adultos com SD, o curso da infecção é mais grave e que as taxas de complicações e mortalidade são significativamente mais elevadas do que na população geral”, ressalta Ana Cláudia. 

Ela destaca um estudo feito em 2020, no Reino Unido, que acompanhou mais de quatro mil pessoas com Síndrome de Down, e indicou que pacientes com Síndrome de Down (trissomia 21) têm até cinco vezes mais chances de serem hospitalizados e 10 vezes mais chances de morrer, se infectados pelo novo coronavírus . 

Nesse mesmo contexto, crianças e adolescentes com a Síndrome de Down têm sido apontados como até três vezes mais suscetíveis a desenvolver complicações da Covid-19, destaca o presidente do Departamento Científico de Genética da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dr. Salmo Raskin, em documento da entidade que alerta para maior risco de hospitalização e morte de pessoas com Síndrome de Down.

“A princípio, a população pediátrica não parece ser tão vulnerável quanto a de adultos com a síndrome. No entanto, esses pacientes também estão incluídos no grupo de risco se comparados ao restante da população, inclusive com potencial mais elevado de ir à óbito”, explica o pediatra.

Piauí, Natal (RN) e três cidades de Campo Grande saem à frente na vacinação desse grupo

Os organizadores da campanha recordam que a prioridade desse público já está prevista em lei e o que está sendo reivindicado é que ela seja cumprida. A Lei Brasileira de Inclusão diz que em situações de risco, emergência ou estado de calamidade pública, a pessoa com deficiência será considerada vulnerável, devendo o poder público adotar medidas para sua proteção e segurança. 

No Brasil, o Piauí foi o primeiro estado a iniciar a vacinação contra a covid-19, em 21 de março, das pessoas com deficiência. No Mato Grosso do Sul, a imunização para o segmento está acontecendo em Sidrolândia, Jardim e Campo Grande. 

Em muitos outros países, pessoas com síndrome de Down (T21) já fazem parte dos grupos prioritários de vacinação contra a covid-19, junto com o grupo de idosos. São eles: países do Reino Unido, Holanda, Alemanha, França, Portugal, Itália e alguns estados dos Estados Unidos.

A campanha brasileira tem também apoio de organizações internacionais, como a Down Syndrome International, a Disabled People’s Organisations Denmark e a UKaid


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1 COMENTÁRIO

  1. Meu neto é portador de sindrome de dow e tem 34 anos, levamos ao posto de saúde para tomar a vacina contra a covid19
    e não quiseram aplicar, alguém consegue me informar sobre isso Por favor? Ele não é grupo de risco?

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