Precisamos falar sobre masturbação infantil

Ainda tratada como tabu, a estimulação é um ato natural, que precisa ser orientado desde cedo para que não aconteça em lugares públicos

Masturbação infantil: como conversar sobre isso com os filhos; menina de olhos claros está deitada em cama coberta com lençol branco até os olhos
Ao tocar em suas partes íntimas, a criança sente uma sensação prazerosa, mas que não está relacionada ao sexo e não é maliciosa

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Querer descobrir o corpo, inclusive, as partes íntimas, faz parte das descobertas das crianças desde cedo. É normal que ainda na primeira infância, a criança comece a conhecer diversas partes do corpo, inclusive, as partes íntimas. Recorrentemente, alguns pais relatam que já se depararam com os filhos assistindo TV, ou em alguma outra situação, com a mão dentro da cueca ou da calcinha. Embora possa parecer uma cena estranha, os especialistas apontam que a masturbação infantil é uma fase normal de todas as crianças. 

O que é?

“Masturbação infantil nada mais é do que um processo natural de descoberta do corpo, mais especificamente dos órgãos genitais. A criança passa a tocar os genitais ou friccioná-los contra algum objeto e descobre sensações agradáveis provocadas pelas terminações nervosas presentes na área”, explica a psicóloga Alessandra Dilair Formagio Martins, que também é docente do curso de Psicologia do Centro Universitário de Itu e Salto (CEUNSP), no interior de São Paulo. 

Por volta dos três anos, normalmente, as crianças estão no processo de desfralde e, com o controle dos esfíncteres (que permite controlar o desejo de fazer xixi e cocô) ocorre a facilitação do acesso aos genitais, é o que afirma a psicóloga e educadora parental Janaina Massela. Então, será nessa faixa etária que os episódios de masturbação infantil poderão aparecer. 

“Ao tocar o pênis ou a vagina, a criança sente uma sensação prazerosa, mas que não está relacionada ao sexo e não é maliciosa, ou seja, sem erotização”, enfatiza Janaina. Porém, muitos adultos tendem a se assustar com esse comportamento infantil e, até mesmo, reprimi-los com frases como “tira a mão daí”, “não pode fazer isso”, “isso é feio, sujo”. 


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Reprimir é o pior caminho

Ao tocar o pênis ou a vagina, a criança sente uma sensação prazerosa, mas que não está relacionada ao sexo e não é maliciosa, ou seja, é um ato sem erotização. Porém, os adultos tendem a se assustar com esse comportamento infantil.  

Segundo Janaina Massela, não se deve brigar ou expor a criança, tampouco incentivar o ato. “Não reprimir esse comportamento é muito importante! Assim como não qualificar a masturbação como má, suja, perversa ou pecaminosa”, aconselha a psicóloga. 

Outro ponto importante a ser destacado é o fato de que, quando reprimidas, as crianças podem interpretar o ocorrido como um reforço negativo para que continuem o hábito. “Quanto maior a repressão e atenção dos pais com relação à estimulação genital da criança, maior será a propensão desse comportamento se acentuar, por gerar maior curiosidade, incentivada pela percepção do desconforto familiar”, elucida Alessandra.


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Como conversar sobre o assunto?

Segundo as especialistas, os pais precisam lidar com a situação com naturalidade. No caso de crianças até 3 anos, o ideal é tentar tirar o foco da criança da estimulação, desviando para outras atividades, como brincadeiras e jogos. A ideia é distraí-la, sem que ela sinta que faz algo “errado”, porque não é. “Sei que é gostoso mexer no pênis/vagina e isso só pode ser feito quando você estiver sozinho no quarto ou banheiro, por exemplo. Agora vamos fazer outra coisa com a sua mãozinha”, exemplifica Janaina, quanto a como os pais devem agir ao presenciarem a cena em casa ou em público. Além disso, a profissional reforça que não há motivo para pânico, a tendência é que a criança brinque um pouco com os genitais e, logo, se entretenha com outra coisa.

Já as crianças maiores devem ser orientadas, de forma compreensível para idade delas, sobre a importância da privacidade e cuidado com as partes íntimas, principalmente com relação às outras pessoas. É importante deixar claro que o ato não é proibido, mas não deve ser feito em público e somente a própria criança pode fazer carinho em seus genitais. Vale dizer a ela, por exemplo, que assim como não é correto um amigo ou qualquer outra pessoa colocar o dedo no seu nariz, ouvido ou boca, também não é correto deixar que alguém coloque a mão em suas partes íntimas. Apenas na hora da higiene pessoal, os cuidadores terão de fazer a limpeza do corpo inteiro, mas sempre com o consentimento do pequeno.


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Quando não é normal?

“A masturbação infantil é considerada anormal quando a frequência e intensidade com que ocorre é muito acentuada, levando a criança a evitar outras atividades que lhe eram prazerosas, como o brincar, permanecendo fixada na estimulação genital”, reforça a psicóloga Alessandra. Se isso ocorrer, é preciso estar atento e buscar auxílio profissional para compreender o que pode estar gerando esse comportamento, muitas vezes, compulsivo.


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