Eles também querem falar de sexo: como lidar com a curiosidade dos pequenos

Saiba como contribuir para o desenvolvimento sexual saudável ao longo da infância

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Por Karoline Barreto – Quando tinha 3 anos de idade, Felipe começou a perguntar por que o corpo de sua mãe, a arquiteta Isabela Soares, era tão diferente do corpo do pai. Mais recentemente, já aos 7 anos, o garoto fez questionamentos sobre a forma como os bebês nascem. O que fazer quando a sexualidade começa a aparecer nas conversas dos filhos em casa?

Fabiene Vale, ginecologista especialista em reprodução humana, sexóloga e responsável pelo Comitê de Infanto Puberal do SUS em Minas Gerais, orienta  a responder de forma clara, objetiva e curta. Usar corretamente os nomes é um bom começo, sem precisar detalhar todo o acontecimento.  “O diálogo e a compreensão são a melhor forma de lidar com as dúvidas da criança.”

Foi o que fez a mãe de Felipe. Ela confessa que teve um pouco de receio, mas decidiu que a melhor forma de lidar com as perguntas sobre sexo seria agir de maneira natural. “Fui orientando à medida que as dúvidas foram surgindo, sem entrar em muitos detalhes”, relata. Ao ouvir o fatídico “de onde vêm os bebês?”, ela respondeu de forma honesta, porém em uma linguagem simples, que o filho pudesse entender. A arquiteta achou engraçada a reação do filho, que ficou surpreso ao saber a verdade. “Acho que é importante se preparar e estar pronta para responder aos filhos. Tenho muitas amigas que sentem vergonha e acabam não sabendo o que fazer”, expõe Isabela.

Muitos pais não sabem mesmo quando começar a falar sobre sexo com os filhos. A psicóloga especialista em educação sexual Cida Lopes diz que as dúvidas vão surgindo naturalmente e é importante não forçar o assunto. “Os pais precisam deixar que as coisas aconteçam de forma espontânea. Sempre que questionados, devem responder de forma clara e ter atitude imediata diante de uma situação em que a criança precise ser orientada sobre privacidade e autoproteção”.

Segundo os especialistas, o desenvolvimento da sexualidade pode aparecer muito antes do que os pais esperam — na verdade, desde os primeiros anos da infância. Muitos pais desconhecem isso e, também por ser um assunto tabu, são levados a ignorar ou não conseguem lidar com os primeiros sinais de comportamento sexual de seus filhos. Contudo, é muito importante que eles estejam preparados para agir de forma correta, propiciando à criança autoproteção e um crescimento saudável e sem traumas.

O que acontece em cada fase

A médica Fabiene Vale explica que o desenvolvimento psicossexual na infância pode ser dividido em várias fases. O período do nascimento até 1 ano e meio corresponde à fase oral, em que a criança experimenta o mundo pela boca. Aqui ocorre sua primeira experiência de prazer, no momento da sucção do leite e no contato com a mãe, e também é comum que a criança leve à boca todo e qualquer objeto que chega às suas mãos.

A segunda experimentação se dá de 1 a 2 anos, quando a criança atinge a fase denominada anal e sente satisfação em conseguir controlar o esfíncter. A fase de 1 ano e meio a 3 anos corresponde ao processo de socialização. É nesse momento que os pequenos começam a se descobrir, se tocar e experimentar seus próprios genitais. “Os pais devem agir naturalmente a qualquer manipulação genital. Ensinar aos filhos que nenhum sentimento é ‘feio’ ou ‘condenável’, mas que temos que aprender a expressá-los de forma adequada. O que não deve ser feito é uma repressão, levando à sexualidade culposa, que é quando a criança sente culpa por qualquer ato ou expressão de sexualidade”, orienta Fabiene.

Dos 3 aos 6 anos, as crianças iniciam a exploração das diferenças sexuais como parte do processo de formação da identidade. Nessa etapa, ocorrem as perguntas sobre a origem dos bebês e sobre as diferenças entre homem e mulher.

Dos 7 aos 10 anos, aumenta o interesse por assuntos sexuais e surgem muitas dúvidas advindas da maior capacidade de compreensão que a criança adquire. “Nessa fase as crianças não são levadas a sério e muitos pais possuem a falsa ilusão de que haverá um momento em que estarão preparados para fazer a abordagem sobre sexo, por isso há maior repressão”, diz a psicóloga especialista em educação sexual Cida Lopes.

Foi por perceber que existe uma lacuna na literatura sobre essa fase que a psicóloga resolveu desenvolver um estudo em escolas. Sua pesquisa deu origem ao livro Soltando os Grilos, que aborda temas mais complexos sobre sexualidade, oferecendo fundamentos para que pais, profissionais e educadores possam lidar com o assunto com mais segurança.  Cida explica que a sexualidade não está relacionada somente ao sexo, mas a tudo que se relaciona à afetividade e ao convívio e, nesse contexto, família e escola podem contribuir muito para um desenvolvimento que irá ajudar na formação de um ser humano mais confiante.

Pode ou não pode

Alguns pais não veem problema em se beijar e se abraçar diante das crianças. Outros preferem não ter nenhuma atitude de casal quando os filhos estão próximos. A ginecologista e sexóloga Fabiene Vale afirma que os pais podem criar um ambiente de amor e carinho — e isso inclui beijo e abraço —, mas ter uma intimidade de casal muito grande na frente dos filhos pode gerar na criança um comportamento inapropriado. “As crianças interagem com o que acontece à sua volta e estão aptas para aprender com tudo. Os exemplos de comportamentos que ela presencia certamente exercerão influência sobre seu próprio comportamento.”

Beijar os filhos nos lábios, pode? E tomar banho junto? Fabiene explica que não há bibliografia que condene ou imponha restrição. “Muitas questões relativas à sexualidade na infância não têm uma regra”, diz. Dependem de aspectos culturais da sociedade e dos valores da família. Mas os pais devem ter um elo com os filhos. “Olhar, acariciar e conversar cria a intimidade e a confiança necessárias para o bom desenvolvimento emocional, intelectual e se xual da criança.”

Cida Lopes ressalta as consequências da repressão da sexualidade, que pode transformar as crianças em adultos que possuem algum medo, dificuldade de dar e receber afeto, falta de autonomia, baixa autoestima, além de problemas como disfunção sexual. “Existem formas bonitas de ensinar sexualidade, sem causar trauma e de maneira que a criança saiba seu limite e não faça nada que a agrida”, enfatiza. Quanto a esse ponto, a sexóloga Fabiene Vale salienta a importância de ensinar aos filhos como se cuidar e se proteger. Ela exemplifica o que pode ser dito a eles: assim como não é correto um coleguinha ou qualquer outra pessoa colocar o dedo no seu nariz, ouvido ou boca, também não é correto deixar que alguém coloque a mão em suas partes íntimas.

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9 COMENTÁRIOS

  1. Tenho um filho de 8 anos e ele me contou que estava brincando de sexo com a irma dele que é minha enteada ela tem 11 anos , fiquei desesperada estou muito mau com tudo isso não sei o que fazer

  2. Hj meu filho de 10 anos me contou umas histórias entre primos ele e mais 3, praticavam sexo entre si. O mais velho dele tem 12 anos o meu tem 10 anos, outro de 10 anos, e mais meno tem 9 anos
    Não sei o que fazer preciso de ajuda, e estou chocada com cada coisas que eles fazia.

    • Hoje meu filho me contou sobre isso eu tô em choque meu filho me disse que ele é um amigo fez relação. Levei ele no médico não houve penetração mais só do fato dele ter tentado estou em choque

  3. Olá meu filho tem 10 anos ele já se toca diz sentir prazer qdo se esfrega no colchão tbm ,mas o problema está q tudo q acontece ao redor ele tem pensamentos sexuais ,comigo ,até c o nosso gatinho,com qualquer cena faz ele pensar…ele tem TDAH eTod toma respiridona ,ele sente o pênis pulsar pra cima e pra baizo,estou mto preocupada ,porq além de tudo isso ele escuta vozes da cabeça xingando de palavras pesada principalmente a mim,e as vozes falam mas besteiras a ele.nao sei se tudo isso é fazer da puberdade precoce tô perdida não sei o q fazer.

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