Artigos
Quando a parentalidade afeta o casal
“Já tentei de tudo, mas não funciona comigo. Já frequentei esta formação, já li os livros e até mandei vir alguns em inglês, que vi que eram muito bons, mas por algum motivo as técnicas não estão a funcionar. Não sei, devo ser eu…”
Pode ser que sim, mas colocaria as minhas moedas no outro lado: no excesso de informação. Há muitas filosofias, há autores com estilos muito distintos a comunicar, há informação errada nas redes, há temas que deitam fogo à sala, há a necessidade de provar que somos capazes. E por isso, consumimos, de forma desenfreada, toda a informação, todas as páginas. Mas não separamos o trigo do joio, falhamos, algumas vezes, a perceber se aquele é o nosso estilo, se aquela informação me serve e se faz sentido.
Podemos fazer todas as ações, podemos ler todos os livros, conhecer todas as dicas e estratégias mágicas. Tenho a certeza que meia dúzia vão funcionar aqui e acolá, mas se nos falha o mais importante, parte dessa energia e tempo gasto não valeram de nada.
Se não soubermos olhar e, então, identificar o que é preciso ser ou fazer, não conseguiremos ir muito longe, e daí o “mas não funciona comigo.”
LEIA TAMBÉM:
A parentalidade não é sobre estratégias, tal como não não são as relações humanas. É sobre conhecermos quem somos e quem é o outro e como nos fundimos numa relação, como a completamos e a tornamos boa.
Outro dia, quando falava com uma aluna, que se tornou amiga, ela explicava-me que finalmente tinha aprendido a ler os seus filhos mas o que lhe fez diferença foi conseguir ler o marido.
Percebeu como que ele funcionava, onde estavam os seus medos e como isso tem efeito no nosso comportamento. São medos inconscientes, tantas vezes, mas é tão bom conseguir responder, de forma diferente a um comportamento, porque agora conseguimos ver o que está por baixo.
O olhar dela mudou de forma radical. Não precisou de muitas estratégias depois, porque, na verdade, aos 44, já sabia bailar a dança da vida. Só não conhecia o parceiro de dança tão bem quanto julgava. Agora ela segue-lhe o ritmo e ele o dela, sem saber bem porque é que agora funciona melhor.
A esta altura do texto podes perguntar-te porque razão o outro não muda, também? Eu não sei. Talvez porque não tenha consciência da necessidade, porque não é importante, porque não precisa, porque acha que é assim… E quem te disse, na verdade, que ele nunca tentou? Não sabemos tudo o que vai na cabeça do outro, mas quando passamos a saber um pouco mais sobre pessoas, estudamos um pouco mais, afinamos o nosso olhar, sabemos melhor o que fazer.
E isso, gente boa, não tem preço!
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
[mc4wp_form id=”26137″]
Magda Gomes Dias
Magda Gomes Dias, 44 anos, tem dois filhos: Carmen, 12 anos, e Gaspar, 9 anos. É natural do Porto, Portugal, e fundadora da Escola da Parentalidade e Educação Positivas, onde oferece programas de certificação e especialização na área. Autora do blog 'Mum's the boss', escreveu os best-sellers 'Crianças Felizes' e 'Berra-me Baixo', além do livro 'Para de Chatear a Tua Irmã e Deixa o teu Irmão em Paz'.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
A cada 5 crianças, pelo menos uma tem ansiedade. É o caso do seu filho?
Casos de ansiedade infantil aumentam no mundo e tem impactos sérios, que vão além do comportamento. Veja quais são os...
4 filmes para ver com os filhos no Dia das Mães
Os momentos mais simples são os que ficam. Se puderem despertar sentimentos e abrir caminhos para conversas sobre emoções, crescimento...
Caso em jogo online acende alerta: criança de 6 anos é induzida a tarefa perigosa no Roblox
Episódio reforça riscos da interação em plataformas digitais e a importância da supervisão ativa dos pais no uso de jogos...
“É nosso segredo”: 5 frases que crianças precisam reconhecer para se proteger de abusos
Abordagens abusivas raramente começam com violência. Ensinar o que identificar e como reagir pode fazer toda a diferença para proteger...












