Criança com “cecê”: isso é normal?

Menino com cecê e suor na axila
O odor ruim é provocado por bactérias que ficam acumuladas próximas às axilas ou em roupas.

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Depois de brincar incansavelmente por horas, correndo, pulando ou andando de bicicleta, as crianças ficam “ensopadas” de suor devido à transpiração. No entanto, algumas delas podem apresentar mau cheiro nas axilas ou o famoso “cecê”. Nas crianças menores, esse odor característico preocupa alguns pais: será que se trata da puberdade precoce?

“O que causa o mau cheiro é a decomposição do suor, produzido por um tipo de glândula, pelas bactérias presentes nas axilas. A criança pequena não tem essa glândula completamente desenvolvida, por isso que normalmente não tem cheiro. Quando os hormônios da puberdade chegam, ela completa o seu desenvolvimento e o suor eliminado pode ser composto por bactérias e causar o mau cheiro”, explica Aline Marcassi, dermatologista infantil.

“Sempre que vemos mau cheiro nas axilas, temos que pensar se realmente a criança entrou na puberdade ou não. Muitas vezes, precisamos investigar a parte hormonal, dependendo da faixa etária”, elucida Aline. Segundo a especialista, a puberdade pode começar a partir dos 8 anos em meninas e dos 9 anos em meninos. “Se for abaixo dessa idade, temos que pensar que pode ser uma puberdade precoce, ou seja, que a criança está produzindo hormônios antes do tempo”, alerta. Por isso, é importante avaliar atentamente as causas do problema.


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Mas outros fatores também provocam o “cecê”. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), “o odor axilar também pode ser causado por uso de roupas contaminadas por bactérias, pelo consumo de alimentos como alho, por produção excessiva de suor (hiperhidrose) e, mais rararamente, por fenilcetonúria”. “O que eu recomendo é evitar repetir roupa, principalmente blusas de manga, porque às vezes a bactéria fica acumulada na roupa. Então, sempre que usar uma blusa, colocar para lavar e usar outra”, indica a dermatologista.

“Na maioria das vezes, o excesso de suor é uma tendência da pessoa”, Aline Marcassi, dermatologista infantil.

Quanto à hiperidrose ou suor excessivo, ela pode estar localizada nas axilas, nas mãos, nos pés, no couro cabeludo ou no tronco. “Na maioria das vezes, o excesso de suor é uma tendência da pessoa. Existem algumas doenças que podem aumentá-lo, mas elas são muito raras”, pontua Aline.


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Como lidar com o “cecê”?

“As medidas ou tratamentos adequados em caso de mau cheiro das axilas são evitar repetir roupa, automedicar-se e procurar um dermatologista, ou até um endócrino pediatra, para fazer a investigação da presença de um problema hormonal ou não”, resume a especialista.

A Sociedade Brasileira de Pediatria também recomenda o uso de roupas de fibras naturais que permitem a evaporação de suor, evitar alimentos com muitas especiarias, e lavar e secar o corpo (no mínimo, uma vez ao dia), principalmente nas áreas onde estão as glândulas sudoríparas produtoras de suor (axilas, pés e região genital). “Não há uma maneira certa de lavar as axilas das crianças. Lavar normal, com água e sabonete comum, já é adequado”, destaca a dermatologista.

Outra recomendação, um pouco controversa, é usar desodorantes ou antitranspirantes. “A Academia Americana de Pediatria fala que, teoricamente, não há problema em usar desodorantes à base de alumínio em crianças, mas os endocrinologistas pediatras não recomendam porque alguns produtos possuem uma substância chamada triclosan. O triclosan pode ser um disruptor endócrino, ou seja, alterar essa parte hormonal em uma criança que talvez já tenha algum problema. Muito por conta disso, não gostam de recomendar desodorantes comuns, então normalmente indicam específicos, sem alumínio e sem triclosan”, explica Aline.

O triclosan evita a contaminação por bactérias em produtos cosméticos, mas, nos últimos anos, tem sido retirado de diversas formulações por não ser biodegradável e seu efeito no organismo a longo prazo ainda ser desconhecido. Por isso, antes de fazer uso de qualquer desodorante ou antitranspirante, procure um endocrinologista ou dermatologista para investigar a causa do “cecê” nas crianças. Afinal, o uso desses produtos também pode provocar irritação na pele, obstrução das glândulas sudoríparas e manchas na pele.


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