Volta às aulas em São Paulo: três diretoras opinam sobre retorno em outubro para atividades opcionais

Ouvimos as gestoras do Colégio Rio Branco, Colégio Equipe e Escola da Vila para saber como avaliam a decisão do prefeito de reabertura em outubro

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Volta às escolas em SP: 3 diretoras opinam sobre retorno em outubro; imagem mostra mulher medindo temperatura de aluna com máscara, atrás dela há outra aluna com máscara e mochila

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A prefeitura de São Paulo autorizou a reabertura das escolas públicas e privadas da capital paulista, a partir de 7 de outubro, apenas para atividades extracurriculares. A definição quanto ao retorno das aulas regulares, porém, foi adiada para o dia 3 de novembro.

A decisão tem gerado controvérsias. Alguns veem a decisão como uma atitude ponderada e responsável, já outros consideram a medida equivocada, pelos prejuízos de diversas ordens causados aos alunos.

Pais e professores tendem a se mostrar contrários à volta às escolas, pelo receio de que as medidas adotadas não sejam suficientes para conter a transmissão do coronavírus entre as crianças e destas para adultos. Mas educadores, líderes de ONG’s que atuam na área de educação, pediatras, entre outros especialistas, argumentam que a volta é necessária.

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Cláudia Xavier, diretora do Colégio Rio Branco, da unidade Granja Viana, em São Paulo, diz que, embora o ensino remoto emergencial tenha se mostrado satisfatório, é fundamental recomeçar, com atividades em pequenos grupos, “mantendo a segurança e proporcionando a convivência social e física – importante para a saúde mental de todos e para desenvolver atitudes de cuidado coletivo”.

“A volta às escolas proporciona a convivência social e física, que é importante para a saúde mental de todos e para desenvolver atitudes de cuidado coletivo”.

(Cláudia Xavier, diretora do Colégio Rio Branco)

O colégio tem três unidades entre as cidades de São Paulo e Cotia e desenvolveu protocolos de higiene e segurança em parceria com o Hospital Sírio Libanês. Para a reabertura em outubro, a diretora disse que devem ser realizados cursos livres, coletivos de alunos e projetos para atender às diferentes séries.

“Temos condições de garantir os protocolos, portanto, não podemos mais adiar a volta às escolas, pois voltar é quebrar o distanciamento, romper a ‘bolha’ que vivemos e dar oportunidade para que aprendamos a conviver e viver com os novos hábitos de precaução”, afirma Cláudia.

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Para Fernanda Flores, diretora da Escola da Vila, era esperado que a decisão quanto à retomada das aulas regulares fosse adiada. “Poder reabrir agora com atividades extracurriculares é um caminho na valorização desse espaço público escolar”, disse.

“Poder reabrir agora com atividades extracurriculares é um caminho na valorização desse espaço público escolar”.

(Fernanda Flores, diretora da Escola da Vila)

A diretora contou estar “bastante preocupada e desejosa pela volta às escolas, com todos os protocolos de segurança definidos no plano do governo de São Paulo”. Ela considera que o retorno vai servir de parâmetro para avaliar o impacto da volta às aulas, trazendo mais dados do comportamento da pandemia com uma movimentação maior em torno da escola – ainda que não com todos os alunos.

“Alguns estão precisando muito voltar e há outros receosos, com medo, que vão poder conversar com nossa equipe, conhecer os protocolos e viver a experiência dentro da escola – e dessa maneira começar um processo de confiança nesse espaço”, relata Fernanda. A escola conta com unidades no Morumbi, Butantã e Granja Viana e planeja realizar atividades de acolhimento, recreação, estudo e leitura compartilhada.

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No Colégio Equipe, foi decidido desde agosto que as atividades remotas seriam mantidas até dezembro. “Uma escola precisa de planejamento para trabalhar e como essa situação da pandemia estava muito incerta, com dados muito contraditórios sobre a questão da volta às aulas regulares – pesquisas que diziam que aumentava contágio, outras, não – optamos por fazer o trabalho online até o fim do ano”, declara Luciana Fevorini, diretora do colégio.

Com a autorização da prefeitura para reabertura das escolas, porém, Luciana diz que a equipe gestora está avaliando a possibilidade de realizar atividades pontuais para pequenos grupos de alunos em horários alternados. “Há uma tradição dos alunos do 3o ano do ensino médio, ao saírem, pintarem o muro da escola, então estamos vemos como promover essa e outras ações. Também teremos atividades de recuperação que gostaríamos, se possível, que fossem presenciais.”

“É desejável que as escolas voltem a abrir e a gente aprenda a funcionar ainda com o vírus em circulação”.

(Luciana Fevorini, diretora do Colégio Equipe)

Para Luciana, “é desejável que as escolas voltem a abrir e a gente aprenda a funcionar ainda com o vírus em circulação. A vacina, se sair, não vai ser todo mundo imediatamente imunizado. A gente vai ter que aprender a lidar com essa questão e se relacionar com segurança e respeitando os protocolos”, afirma.

Para a diretora, o fato das escolas estarem fechadas afeta inclusive o rendimento dos alunos no ensino a distancia. “Acho que a possibilidade de encontro e a troca ao vivo, mesmo que seja para atividade de recuperação, vai inclusive ressignificar esses aprendizados que estão sendo propostos de forma online, porque os alunos voltam e se vinculam de outro jeito com os projetos”.

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1 COMENTÁRIO

  1. Absurdo o não retorno as aulas, sindicatos ainda fazem assinatura para impedir retorno.

    VOLTA AS AULAS JÁ OU PAREM DE PAGAR O FUNCIONALISMO PÚBLICO, NÃO VOU PAGAR MEU DINHEIRO (IMPOSTO) PROFESSORES FICAR EM CASA.

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