Fechamento de escolas por causa da pandemia trará perdas à produção global até o fim do século, diz OCDE

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o prejuízo no aprendizado poderá levar à perda de habilidades que terão impacto também em produtividade

Perdas na economia devido à pandemia durarão até o fim do século, diz OCDE; imagem mostra menina com mão no óculos e livro no braço olhando em direção à câmera

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Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta terça-feira (8), afirma que a suspensão das aulas presenciais devido à pandemia vai provocar perdas na economia até o fim do século. O documento “O Impacto do Covid-19 na Educação – Insights da Educação em Resumo”, analisou o impacto econômico de longo prazo e afirmou que essa perda – feita com base no período equivalente a um terço de um ano escolar – pode levar a uma queda de 1,5%, em média, no produto interno bruto (PIB) global para o resto do século.

"A perda de aprendizagem levará a perda de habilidades e as habilidades que as pessoas têm se relacionam com sua produtividade", afirma o estudo justificando a previsão de queda no PIB global. 
Mesmo que uma segunda onda de infecções for evitada, é estimada uma redução do crescimento mundial de 6% em 2020, diz o relatório. A análise da OCDE avalia que se as escolas demorarem a retornar aos níveis anteriores de desempenho, as perdas na economia podem ser proporcionalmente maiores. 

Os países seguirão enfrentando prejuízos ao bem-estar econômico, mesmo que "as escolas retornem imediatamente aos níveis de desempenho pré-pandêmicos". Segundo a OCDE, a desaceleração do crescimento econômico associada com a propagação do vírus pode afetar a disponibilidade de financiamento público para educação na OCDE e países parceiros, à medida que a receita fiscal diminui e os fundos de emergência são canalizados no apoio aos custos crescentes de saúde e bem-estar. A entidade também afirma que, após a pandemia, o investimento mundial na educação irá declinar mais rápido do que durante a crise de 2008, visto que os governos terão de lidar com orçamentos mais enxutos e priorizar outras áreas. E se uma nova quarentena surgir, as perdas na economia global poderiam ser ainda piores, alerta a pesquisa, visto que a falta de estudos acarreta na falta de mão de obra qualificada.

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Pandemia contribuiu para agravar desigualdades

Desde o surgimento da pandemia, países de todo mundo tiveram fechar as escolas para conter a transmissão do novo coronavírus. Uma das consequências desse fechamento diz respeito ao aumento das desigualdades, uma vez que crianças com acesso a internet, computadores e apoio das famílias se saíram melhor no aprendizado. A OCDe destaca que enquanto estudantes de meios privilegiados encontraram oportunidades alternativas de aprendizado, aqueles de meios carentes muitas vezes ficaram isolados quando suas escolas fecharam, disse o relatório.

Reabertura de escolas e universidades irá favorecer os alunos

A OCDE também prevê um impacto severo no ensino superior, devido ao fechamento de universidades e de fronteiras com outros países. “Embora as instituições de ensino superior fossem rápidas para substituir palestras presenciais por aprendizagem online, os fechamentos afetaram o aprendizado e os exames, bem como o segurança e status legal dos estudantes internacionais em seus país anfitrião”. O relatório destaca que para permanecerem relevantes, as universidades precisarão reinventar seus ambientes de aprendizagem favorecendo a expansão da digitalização de modo a complementar a relação aluno-professor.

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A organização afirma ainda que a “reabertura de escolas e universidades trará indiscutível benefícios para os alunos, para as famílias – ao permitir que os pais voltem ao trabalho – e para a economia em geral. Esses benefícios, no entanto, devem ser cuidadosamente pensados em relação aos riscos à saúde e a necessidade de mitigar o impacto da pandemia. “É necessária uma coordenação sustentada e eficaz entre as autoridades de educação e saúde pública em diferentes níveis de governo, reforçados pela participação local e autonomia, adaptando as respostas ao contexto local”, reforça o documento.

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