Que impacto a pandemia deixará nas crianças?

Nenhum, diz a pediatra Ana Escobar. Ela e o também pediatra Daniel Becker falam sobre volta às aulas, uso de máscaras e saídas ao parquinho com os amigos

Impacto da pandemia nas crianças: elas levarão marcas deste período?; imagem mostra garota sorridente em balanço ao ar livre
Frequentar espaços verdes e ao ar livre com as crianças é recomendado, dizem especialistas

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Após cinco meses trancados em casa e com a rotina completamente alterada, crianças e adolescentes têm apresentado oscilações de humor, ansiedade, depressão, irritabilidade e insônia, entre outros transtornos, segundo pesquisas recentes. Mas, para além dos problemas do presente, muitos pais se perguntam qual será o impacto da pandemia para esse grupo no futuro. Será que eles levarão marcas e carregarão um trauma deste período por toda a vida?

Na opinião da pediatra Ana Escobar, não. O impacto da pandemia não se estenderá ao futuro dessas crianças, pois elas têm uma capacidade incrível de adaptação. “A partir do momento que as crianças tiverem condições de voltar para as aulas com segurança e a vida retornar àquilo que era antes, sem ameaça do vírus e com a existência de uma vacina, tenho certeza que elas se recuperarão plenamente”, disse a médica e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista à rádio CBN São Paulo. Para ela, a vida vai pulsar novamente e esse pulsar da vida é mais forte do que qualquer situação que possa ter ficado decorrente disso”.

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Volta às aulas

Outra questão que aflige (muito ) os pais neste momento diz respeito à volta das aulas presenciais. Decidir por levar ou não os filhos à escola não é uma decisão simples a tomar. “Essa talvez seja a questão mais premente deste segundo semestre no Brasil. E não há respostas fáceis”, diz o pediatra carioca Daniel Becker. Ele relata ser necessário um debate nacional, amplo e intersetorial, e também no nível local para discutir as medidas de proteção, o valor do ar livre e a importância de proteger alunos, professores e funcionários. “A pandemia poupou as crianças na doença, ainda bem. Mas o efeito na saúde física, mental e emocional delas pode ser devastador. E precisamos pensar na escola como fundamental não apenas no aprendizado, mas na proteção integral das crianças”, afirma Becker. Já para Ana Escobar, “volta às aulas só com vacina ou quando a taxa de transmissibilidade estiver muito, muito baixa e mantida assim por várias semanas”.

O emocional das crianças e dos adolescentes

E enquanto a pandemia se prolonga e muitos pais seguem em casa com as crianças, conversar com elas sobre o que está acontecendo e passar confiança de que a situação vai melhorar é fundamental. “Os pais são o porto seguro dos filhos. Se eles (os adultos) demonstram confiança de que ao seguir as medidas de segurança estaremos protegidos, e colocam energia nisso, as crianças ficam mais seguras”, explica a doutora Ana. Agora se as crianças veem os pais reclamar o dia inteiro, inseguros, com medo, brigando e se estressando dentro de casa, elas vão absorver esse clima porque são como “esponjinhas”. “A dica maior que dou para os pais é: deem o exemplo para os filhos, deem tranquilidade, paz segurança e capacidade para enfrentar uma situação difícil”, declara a médica.

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Parquinho com os amigos

Uma maneira de aliviar a sensação de angustia e ansiedade das crianças (e dos adultos também) é frequentar espaços ao ar livre. Quanto mais aberto e mais vento o local tiver, melhor, diz o pediatra Daniel Becker, um defensor do livre brincar e em contato com a natureza. A pediatra Ana Escobar sugere que as famílias façam o que ela chama de micro-bolhas – um grupinho que reúna sempre as mesmas crianças para que frequentem o parque regularmente. “Ir na a pracinha para brincar juntos, subir em arvores, correr, brincar de esconde-esconde, pega-pega, patinete, o que for, tudo isso é muito importante para as crianças” ressalta. Principalmente, para as menores de 6 anos, diz ela, em que passar uma hora ao ar livre pode fazer uma diferença impressionante no estado mental e no bem-estar psicoemocional delas. Ao manter sempre o mesmo grupo, se alguém ficar doente será mais fácil controlar a doença e cercá-la, tomando todos os cuidados para evitar que a pandemia se espalhe para outras famílias.

As novas regras quanto ao uso de máscara

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) criaram nova determinação em que recomendam máscaras somente acima dos 6 anos. Becker diz concordar com a mudança. “Imaginem uma menina de 3 anos na escola, tendo que usar máscara e vendo todos os seus amigos desse jeito estranho”, comenta o médico. Para ele, as crianças nessa idade não conseguem usar o acessório de maneira correta, o que traz riscos de acidentes, não evita a transmissão do vírus e ainda pode prejudicar a saúde emocional delas. Já a partir de 5 anos, Becker diz que o uso é imprescindível. Segundo Ana Escobar, por enquanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e grandes instituições internacionais como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, ainda mantêm a orientação de uso de máscaras a partir de 2 anos. De qualquer forma, a própria OMS sugere que atividades esportivas e mesmo as brincadeiras no parque, que incluem atividades aeróbicas, devam ocorrer sem máscaras até os 11 anos.

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