‘Acreditávamos que as aulas remotas não seriam necessárias. Continuam sendo’

"Para minha filha mais velha, Maria Eduarda, o desafio tem sido grande. Muitas vezes tivemos que agir com rigor. Mas, sabendo que aquilo tudo era muito novo para todos nós", diz Carlos Eduardo

Aulas remotas: como transformamos os desafios em aprendizados; dois irmãos estudam - um no desktop e outro escreve no papel
As aulas remotas começaram como um paliativo durante o isolamento social inicial. Mas o paliativo tornou-se duradouro

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No mês de março, completou um ano que as aulas remotas passaram a fazer parte do cotidiano da minha casa.

Sou professor de MBA em algumas instituições e minha agenda de 2020 já estava lotada no início daquele ano. A partir do final de março, fui cumprindo a agenda, mas de uma forma diferente. Ao invés das aulas presenciais, todas as aulas foram por plataformas on line. E foi um grande desafio. Para mim e para os alunos. Da minha parte, posso dizer que acabei transformando o desafio em uma grande oportunidade. Aprendi a trabalhar com diversas plataformas de ensino que até então não conhecia. Várias ferramentas tecnológicas passaram a fazer parte das minhas aulas. Pesquisas pelo Google Forms, desafios pelo Kahoot. A metodologia passou a ter como principal objetivo diminuir a distância do online e continuar garantindo uma boa aprendizagem dos alunos. Eles também tiveram que superar grandes desafios. Baixa qualidade da internet em várias localidades e falta de equipamentos adequados. Não consigo nem imaginar o esforço necessário para se acompanhar uma aula de Finanças na tela de um celular!

Para minha filha mais velha, Maria Eduarda, o desafio também tem sido grande. As aulas remotas começaram como um paliativo durante o isolamento social inicial. Mas o paliativo tornou-se duradouro. E tudo em um ano onde a vida escolar dela sofreu uma grande revolução. Não teria mais uma única professora a ministrar a maior parte das disciplinas, mas agora cada matéria teria o seu próprio regente. E o contato com cada um deles foi pequeno. Depois de poucas aulas presenciais, a realidade era virtual. A Duda sentiu bastante dificuldade para se concentrar e principalmente para organizar suas tarefas. Muitas vezes tivemos que agir com mais rigor. Mas, sabendo que aquilo tudo era muito novo para todos nós. Neste ano, acreditávamos que as aulas remotas já não mais seriam necessárias. Mas continuam sendo. Juntos organizamos um calendário para as atividades dela em casa. E está funcionando muito bem. A cada dia, espaço para estudo, leitura e também atividades de lazer. O contato com os colegas também está acontecendo de forma virtual. Ligações pelo celular ou chamadas por vídeo. E acredito que a falta de contato físico com os colegas está sendo a maior perda para ela. E em uma fase de grandes transformações físicas e emocionais.

E as aulas remotas também afetaram o João Pedro. Com quatro anos, ele teria que entrar na escola. Mas até agora, o ano letivo dele se resumiu a um pequeno tour pela escola. A escola onde ele está matriculado está oferecendo aos pais a possibilidade de aulas remotas. Mas por enquanto, vamos aguardar mais algum tempo o retorno às aulas presenciais.

E para vocês, como estão sendo as aulas remotas?


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Carlos Eduardo Costa
Carlos Eduardo Freitas Costa é pai de Maria Eduarda, 11 anos, e João Pedro, 4 anos. Tem formação em ciências econômicas pela UFMG, especialização em marketing e em finanças empresariais e mestrado em administração. É autor de diversos livros sobre educação financeira para adultos e crianças, entre os quais: 'No trabalho do papai' e 'No supermercado', além da coleção 'Meu Dinheirinho'. Saiba mais em @meu.dinheiro

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