Volta às aulas: ações práticas para retomar a vida e garantir a aprendizagem das crianças

A pedagoga Iolene LIma destaca que o isolamento social e falta de contato com os amigos trouxe prejuízos diretos para a aprendizagem e constituição de competências das crianças

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Volta às aulas: ações práticas para garantir a aprendizagem das crianças; alunos na sala de aula se cumprimentam com cotovelos
O contato presencial nas escolas é incomparável e pode ser mantido, desde que seguidos os protocolos sanitários

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Na maioria dos estados brasileiros, após quase 16 meses, as escolas voltaram a receber alunos presencialmente, seja no modelo híbrido ou com rodízio de turmas. É inegável diante de tantas pesquisas já apresentadas internacionalmente, os prejuízos tanto na aprendizagem quanto nas questões socioemocionais, na vida dos estudantes. Alguns relatam que precisaremos de até cinco anos para conseguir sanar todos os gargalos deixados pela pandemia.

Em março de 2021, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, em parceria com o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF), realizou uma avaliação de aprendizagem de Língua Portuguesa e Matemática para crianças e jovens do 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio. Algumas expectativas se confirmaram. Os anos iniciais do Ensino Fundamental, 1º a 5º ano, o tão falado ciclo de alfabetização, foi a fase com a maior redução de aprendizagem. As perdas em Matemática foram maiores que em Língua Portuguesa. Matemática é uma disciplina mais dependente da presença na escola e do apoio dos professores.

Estes dados devem ser interpretados com cautela e rigor, mas indicam a fragilidade das crianças pequenas, que têm mais dificuldades para acompanhar as aulas remotas e atividades online, devido à sua menor autonomia e maior dependência de apoio dos professores e do atendimento presencial. Realmente a defasagem é preocupante.

Não só os aspectos cognitivos e socioemocionais são afetados pelo longo afastamento social, pela falta de contato com os colegas, pelo medo generalizado, mas também os aspectos físicos – pouca atividade física, nada de parques, de corridas, de longos passeios de bike. Enfim, tudo isso traz prejuízos diretos para seu desenvolvimento físico e para a aprendizagem e constituição de competências.

O contato presencial continua sendo incomparável! Diante dos fatos expostos, famílias preparem os corações. Sugiro a seguir alguns cuidados no dia a dia com a volta às aulas.

Ações práticas a seguir na rotina escolar

  1. A verdade sempre em 1º lugar, sendo assim, não omita os riscos da covid-19 para o ser humano. Mas cuidado, não aumente o medo ou crie uma atmosfera de pânico. A intenção aqui é mostrar que o vírus não foi embora e que temos que usar máscaras, lavar bem as mãos, passar álcool gel e manter o distanciamento social;
  2. Providenciem máscaras para serem trocadas na escola (pelo menos uma troca durante todo o tempo em que estiverem na escola);
  3. Enviem uma garrafa d’água para seus filhos. Cada um com a sua garrafinha, nada de bicos de bebedouros.
  4. Leiam os comunicados da escola, os protocolos enviados para as famílias e se tiverem qualquer dúvida, solicitem informações.

O momento é de cautela sim, mas precisamos retomar a vida e garantir a aprendizagem de nossos filhos.


Leia também: Aulas presenciais: o que mães e pais esperam desse retorno


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Iolene Lima tem 4 filhos adultos (Rafael, Pedro, Mateus e Rebeca). É pedagoga, pós-graduada em psicopedagogia clínica e institucional. Tem especializações em gestão de instituições escolares, qualidade educacional e alfabetização. Dá formação para professores, palestras para pais e consultoria a gestores escolares.

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