Mães seguraram a “onda” durante o ensino remoto, aponta pesquisa

Segundo levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva e Descomplica, 99% dos pais prestaram algum tipo de ajuda aos filhos durante o ensino à distância; papel das mulheres foi crucial, mas pesquisa aponta relevância do suporte familiar

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Famílias foram essenciais para filhos manterem os estudos na pandemia; mãe com uma mão no computador estudando com o filho sentado sobre uma mesa anotando
Estudo aponta que o ensino à distância aproximou as famílias à vida escolar das crianças

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O apoio das famílias é sempre importante para o bom desempenho dos filhos nos estudos. Durante a pandemia, este suporte foi ainda mais necessário para manter crianças e adolescentes engajados com a educação remota. Segundo levantamento realizado pelo Descomplica em parceria com o Instituto Locomotiva, 99% dos pais disseram que prestaram algum tipo de ajuda aos seus filhos durante o período de ensino à distância.

“A gente tinha sinais de que o processo dos estudos durante a pandemia havia se transformado num grande desafio para os alunos, para as famílias e para os professores. O coronavírus trancou as pessoas em casa de uma hora para outra e todos tiveram de se adaptar à situação das aulas remotas”, relata Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, que concedeu a entrevista por e-mail. O objetivo da pesquisa foi sentir como esse processo se deu na prática, principalmente para os alunos.

O estudo revela ainda que foram as mães que mais participaram da rotina escolar das crianças: 94% disseram ter sido as principais responsáveis por verificar se os filhos estavam assistindo às aulas e 87% afirmaram terem ficado encarregadas de acompanhar as lições de casa. O levantamento, que foi realizado em painel digital, ouviu 800 pais de alunos do ensino fundamental II e do ensino médio entre 22 e 30 de setembro de 2021, após quase dois anos de ensino remoto e híbrido. Entre os alunos entrevistados, 87% eram da rede pública e 13% da rede privada. Os perfis tinham rendas diversas: 38% eram das classes A e B, 42% da classe C e 21% das classes D e E.


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Aproximação das famílias

Segundo Renato Meirelles, a família agiu como “professor substituto”, de certa forma. Com a ausência do ensino presencial, os pais eram os que estavam disponíveis para tirar as dúvidas das crianças e ajudá-las no que fosse preciso. “Como mostra a pesquisa, 90% dos pais assistiram aulas junto com os filhos”, aponta.

Apesar das dificuldades trazidas pela pandemia, o levantamento mostrou que 67% dos entrevistados concordam que a pandemia acabou aproximando as famílias da vida escolar dos filhos. “A educação é um processo de diversos atores, que vai além da relação aluno-escola. A família tem um peso decisivo na formação dos filhos e esse apoio se intensificou na pandemia”, aponta o presidente do Instituto Locomotiva.

Além de ajudar a lidar com a infraestrutura e com os conteúdos, as famílias também serviram de estímulo para os estudantes, já que 86% dos alunos afirmaram que os familiares foram a principal inspiração para continuar com os estudos. “A pandemia forçou o resgate dessa relação de aprendizado entre pais e filhos, o que é precioso. Que ela não se perca agora, nessa volta às aulas presenciais”, diz Meirelles.

O apoio e suporte das famílias também foi fundamental para ajudar as crianças a superarem os desafios psicológicos. Segundo o levantamento, 54% dos pais apontaram que dificuldades socioemocionais atrapalharam a educação dos filhos. “A pandemia e o isolamento cobraram um preço grande para todos. Famílias ficaram confinadas por um ano e meio e isso exigiu resiliência socioemocional”, destaca Renato Meirelles.

Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva/ Foto: divulgação

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Desafios pedagógicos e de infraestrutura

Sem a escola presencial, os pais apontaram dificuldades de infraestrutura (80%) e de letramento digital (16%), além de instabilidade ou ausência da internet (55%), como barreiras no processo. “A pesquisa mostrou claramente que precisamos resolver o problema de acesso à uma internet de qualidade para grande parte da população. Hoje, a dificuldade de acesso para os mais pobres perpetua a desigualdade nacional”, diz Meirelles. Durante a pandemia, mais de 6 milhões de estudantes não assistiram às aulas devido a falta de acesso à internet.

Outros desafios a serem enfrentados foram: dificuldade com plataformas, programas ou aplicativos no momento da aula (35%) e o fato de estarem longe da escola (31%). Mesmo assim, segundo os pais de alunos na rede pública, 50% das crianças participaram de todas as aulas à distância durante a pandemia. Na rede privada, esse número sobe para 74%.

Autonomia e empenho

A pesquisa apontou que 64% das famílias concordam que o ensino digital foi fundamental para que seus filhos continuassem estudando. Mesmo com uma maior dificuldade no início da pandemia, 68% dos pais e mães consideram que as crianças foram se adaptando aos poucos com o modelo online. A proximidade com os professores também foi essencial para que os filhos se mantivessem motivados, como apontam 66% dos pais entrevistados.

Embora a transição para o ensino remoto não tenha sido fácil para os alunos nem para os educadores, 46% dos pais concordam que os professores melhoraram a forma de dar aulas desde o início da pandemia. Além disso, 51% dos que responderam a pesquisa disseram que a escola se mostra mais empenhada em melhorar o ensino virtual. Inclusive, segundo a pesquisa, cerca de metade dos pais acreditam que o ensino à distância alterou positivamente a forma de estudar da criança, ajudando a desenvolver mais autonomia. Por isso, 50% dos pais concordam que o ensino digital será utilizado por escolas no futuro, substituindo, em parte, as aulas presenciais.


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