3 lições para ajudar seu filho a ter autonomia (de verdade) com as tecnologias

A maturidade para o uso consciente das tecnologias vem do quanto a criança é estimulada a ter autonomia e pensamento crítico na sua vida pessoal

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Autonomia digital, para crianças como os dois garotos da foto, é um reflexo da autonomia da vida
Ter habilidades para mexer em celulares e computadores não significa ter autonomia digital
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Nunca as tecnologias foram tão necessárias no cotidiano: as usamos para trabalhar em home office, para fazer supermercado online, compras de roupas e produtos para a casa e lojas e até para as aulas de ensino remoto das crianças e dos adolescentes.

Nenhum de nós poderia prever o fechamento repentino das escolas e a necessidade de adaptação de todo um sistema de ensino para o universo online. 

É claro que várias questões tecnológicas surgiram, entre elas: ter que adaptar a mesa da sala (ou outros ambientes da casa) para um local onde os filhos pudessem estudar, a instabilidade da internet, o fato de ter apenas um computador para dividir entre os filhos, e mesmo dúvidas da escola sobre como continuar as aulas no ambiente virtual.

No entanto, o objetivo desse artigo é pensarmos para além desses problemas mais técnicos e focarmos no comportamento dos nossos filhos com esse aumento repentino de atividades online.

Se o mundo está cada vez mais tecnológico e as crianças e os adolescentes amam tecnologias, a ponto de as usarem cada vez mais cedo, por que os pais enfrentam tanta dificuldade para fazê-los entrar na rotina do ensino remoto?

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As 3 lições a seguir podem ser chave para essa resposta.

  1. Ter habilidades para mexer em celulares e computadores não significa ter autonomia digital

Talvez você já tenha falado a frase: “Parece que meu filho já nasceu sabendo usar as tecnologias!”

Mas vamos pensar juntos o que é esse “saber usar as tecnologias”?

Desde o começo do período de isolamento social, os pais adotaram a postura de tomar a frente para aprender a baixar aplicativos de aulas online (como o Zoom por exemplo), entender sobre as plataformas digitais escolhidas pela escola, ajudar na rotina de enviar lições de casa online, provas, entre outras.

Se os filhos são tão tecnológicos, por que continuam dependendo tanto dos pais para executar essas tarefas?

Para filhos na primeira e segunda infância, é natural que os pais assumam o papel.

Para filhos na terceira infância, especialmente a partir do sexto ano, seria natural que eles tivessem autonomia para realizar a maioria dos comandos, sem ajuda diária dos pais.

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A verdade é que nos fizeram acreditar que quanto mais tecnologias, mais inteligentes nossos filhos seriam. 

Infelizmente, uma pesquisa feita pela Universidade de Charleston indicou que os alunos da geração “digital” não sabem pesquisar de forma correta. Ou seja, as crianças aprendem a usar as tecnologias de forma superficial, apenas para joguinhos e entretenimento, mas nao têm autonomia digital.

Os adolescentes, por exemplo, acabam aprendendo a usar o Google para pesquisas rápidas, sem se preocuparem com as fontes, fundamentos ou credibilidade.

Por isso, mais do que saber mexer em tecnologias, avalie se o seu filho está se desenvolvendo para lidar com elas de formas mais inteligentes e complexas, que lhe garantam a autonomia digital, e não apenas como um meio de se manter ocupado com assuntos supérfluos.

  1. A Autonomia digital vem da autonomia da vida

Um dos nossos maiores equívocos é pensar em tecnologias e na vida de forma completamente separada.

A maturidade para o uso consciente das tecnologias vem do quanto a criança é estimulada a ter autonomia e pensamento crítico na sua vida pessoal.

Infelizmente, se você percebeu nesse isolamento que o pré-adolescente ou o adolescente está muito dependente de você, é hora de repensar sobre novas formas de promover autonomia para o seu filho.

O que a pandemia exigiu dos nossos filhos é o que a vida vai exigir em diversas situações, por isso reflita se o seu filho foi capaz de responder a esse fator inesperado da forma mais autônoma possível.

Muitos pais abraçaram a causa das aulas remotas. Sentam com os filhos, participam das aulas, comentam no chat, interagem com os professores, batem a agenda de tarefas no grupo de Whatsapp e ajudam os filhos a fazerem as provas online.

Tirar dos filhos essa autonomia pode atrapalhar no seu desenvolvimento pessoal e tecnológico. 

  1. As tecnologias nunca vão substituir as relações pessoais

Nunca ficou tão evidente o quanto as relações pessoais são essenciais para o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes.

A pandemia promoveu um resgate forçado à convivência familiar, de uma forma diferente e inusitada. A falta dos amiguinhos fez com que os pais passassem a se preocupar em estar mais presentes na vida dos filhos, suprindo essa interação externa da qual eles foram privados.

O que talvez você não saiba é que as relações pessoais ativam os 07 sinais não verbais que estimulam o lado DIREITO DO CÉREBRO, associado à criatividade e intuição, e responsável pela interpretação “emocional” das situações:

Contato do Olhar – Aprender a olhar o outro é um dos exercícios mais profundos que nós podemos fazer.

Expressão do Rosto – É um sinal não verbal muito importante. Podemos interpretar o outro através de microexpressões.

Tom da voz – Um outro sinal não verbal que ajuda muito a avaliar a qualidade da conversa. Um tom de voz nervoso, preocupado, triste… São sinais extraordinários de uma comunicação.

Postura do Corpo – O corpo fala e cada postura pode dizer o quanto a pessoa está ou não interessada na conversa.

Gesticulação – Uma mão levantada, um braço cruzado. Principalmente na nossa cultura, gesticular faz parte da nossa comunicação.

Tempo – Esperar o outro falar. Esperar o seu momento de falar. Fazer uma pausa. O tempo de uma conversa é essencial.

Intensidade da Resposta – Como reagir à mensagem do outro. Esse é um treino essencial para habilidades sociais.

Todos esses sinais não verbais são perdidos com as tecnologias. Só uma interação pessoal, o contato, abraço, olhar, voz e ritmo é capaz de ensinar aos nossos filhos a interpretar o outro.

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O resgate do que importa

Essa pandemia nos deu a possibilidade de um resgate do que realmente importa.

Talvez você tenha focado em reclamar das questões técnicas, da falta de espaço, de computador, entre outros. Ou tenha focado em criticar os métodos de aulas remotas da escola do seu filho.

Alguns pais decidiram adotar o ritmo de férias, sem rotina. Já outros estavam preocupados em ser muita coisa para os filhos assimilarem em tão pouco tempo.

No entanto, mais do que ensinar as matérias, mais do que enfrentar as limitações técnicas, está o nosso papel em perceber o quanto os nossos filhos estão adquirindo gradativamente aptidões para a vida, o que passa em ter autonomia digital.

Mais do que nunca é crucial olharmos para as nossas relações com as tecnologias e para a necessidade de uma nova forma de lidar com as tecnologias a partir de agora, para o bem dos nossos filhos.

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