Nebulização em crianças: como fazer de maneira correta

Saiba mais sobre para que serve a técnica, tipos de nebulizador e cuidados com o soro

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Na foto, criança sentada segurando máscara de nebulização em frente ao rosto enquanto sorri
O pediatra Flávio Melo alerta para a temperatura do soro, que não deve ser usado gelado

Leia em 4 minutos

O inverno no Brasil teve início nesta segunda-feira (21), baixando as temperaturas e deixando o clima mais seco. Para crianças com queixas respiratórias como asma, bronquite e gripe, este período traz diversos incômodos, entre os quais, chiado no peito, congestão nasal e dificuldade em respirar. Um maneira de aliviar os sintomas e desconfortos é realizar a nebulização. Mas ainda que pareça uma prática simples, nebulizar exige alguns cuidados, ainda mais em tempo de pandemia. O pediatra Flávio Melo recomenda evitar a nebulização em clínicas e hospitais e chama atenção ao uso do soro durante a prática: muitos pais armazenam o produto inadequadamente e não atentam para a sua validade. A seguir, o pediatra e a pneumologista pediátrica Ludmila Domingues, da Eludicar Centro Pediátrico, em São Paulo, explicam como deve ser feita a nebulização para promover melhoras nas queixas respiratórias da criança. Confira.

O que é a nebulização?

A nebulização consiste em receber uma solução – soro ou medicamento – por meio da inalação do vapor gerado pelo aparelho nebulizador. Esse equipamento faz com que soluções aquosas se transformem em uma nuvem de partículas muito finas, os aerossóis, que são inalados diretamente para o interior dos pulmões através de uma máscara ou boquilha. O número de nebulizações por dia pode variar de acordo com a necessidade de cada criança.

Para que serve a nebulização

A nebulização costuma ser indiciada pelos médicos para o alívio de sintomas nas crianças relacionados a doenças respiratórias como tosse, falta de ar e chiado no peito. Como umidificam as vias aéreas, tornam as secreções mais fluídas, facilitando sua excreção, e assim ajudando a desentupir as vias respiratórias e, logo, a respirar melhor.

A pneumologista pediátrica Ludmila Domingues, da Eludicar Centro Pediátrico, em São Paulo, diz que a nebulização é uma via importante para administrar o soro fisiológico, com a finalidade de umidificar as vias respiratórias, especialmente em gripes e resfriados. “A nebulização é um excelente método de tratamento, sua finalidade é levar um conteúdo líquido – solução ou suspensão – em névoa ou aerossol por toda via aérea”, comenta a médica. Ela ressalta porém que a recomendação de nebulização deve partir do pediatra que saberá indicar o tratamento mais adequado de acordo aos sintomas da criança.

Tipos de nebulizadores

Existem três tipos básicos de sistemas de nebulização que diferem no modo como produzem o aerossol, classificados como de ar comprimido, ultrassônico e de nova geração. Os aparelhos de ar comprimido usam um compressor que envia um jato de ar potente, transformando o soro ou medicamento líquido em vapor. Ele permite o uso de qualquer medicamento, mas não pode ser usado deitado e faz bastante barulho. Esse mecanismo costuma ser mais barato que os outros tipos.

O inalador ultrassônico utiliza vibrações de alta frequência para transformar líquido em vapor. Menos barulhento, permite uma inalação mais rápida, porém, o copinho que armazena a solução líquida é descartável, exigindo trocas frequentes. Esse equipamento é mais caro que os aparelhos de ar comprimido.

Já o nebulizador com malha ou rede vibratória funciona com vibrações de uma malha (ou membrana) com milhares de orifícios que vaporizam por completo o soro ou medicamento utilizado. Pequeno, prático de transportar e silencioso, pode ser usado em qualquer posição. Exige pilha e/ou cabo USB, que pode ser ligado na tomada com o mesmo plugue do carregador de celular. 

Nebulização das crianças na pandemia

Neste contexto de pandemia, o pediatra Flávio Melo ressaltou em rede social que deve-se evitar a nebulização em clínicas e hospitais. Mas se for realmente necessário, o médico diz que ela pode ser feita em um ambiente em que não haja suspeitos de Covid-19 e tomando os devidos cuidados. O ideal é nebulizar a criança em um lugar ventilado, com circulação eficaz de ar. Deve-se dar preferência ao uso do bocal em vez da máscara e, se possível, aos nebulizadores portáteis de membrana (rede vibratória), que não geram tantos aerossóis por não usarem o ar comprimido como fonte geradora do aerossol nebulizado. Também é importante que a criança esteja calma, visto que o choro e a respiração mais forçada podem induzir a formação de aerossois que podem carregar o coronavírus, caso ele esteja presente no ambiente. Ao terminar a prática é preciso higienizar o material – máscara, tubo e bocais – e o ambiente.

Uso do soro

Não existem contraindicações para a nebulização com soro fisiológico, que pode ser usado em bebês, crianças e adultos e com qualquer tipo de aparelho nebulizador. No entanto, o pediatra Flávio Melo diz que o soro deve ser usado em até 15 dias após aberto, pois após esse período há grandes chances de proliferação de bactérias e fungos. É preciso atenção também à temperatura do soro: se usado logo após retirado da geladeira, quando apresenta uma temperatura por volta dos 10 graus, ele poderá aumentar a congestão nasal da criança, bem como desencadear um broncoespasmo (contração das vias aéreas) leve nas crianças mais suscetíveis, como aquelas que têm alergia respiratória ou hiperreatividade nas vias aéreas. Flávio indica tirar o soro fisiológico da geladeira e aguardar que fique em temperatura ambiente. Para aqueles que vivem em locais frios, recomenda aquecer o soro no microondas, em recipiente de vidro, para deixá-lo morno (mas não quente).

Quando realizar a lavagem nasal

A lavagem nasal é indicada para aliviar a obstrução nasal. Ela promove a hidratação e limpeza das vias aéreas superiores, e evita o acúmulo de substâncias que podem irritar ou aumentar o risco de infecções. Para se desentupir o nariz de forma caseira, pode-se usar a técnica de lavagem nasal com soro fisiológico, Para tanto, deve-se inserir com cuidado em uma das narinas uma seringa sem agulha e através da força da gravidade o soro entrará por uma narina e sairá pela outra eliminando a secreção existente no local.


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Jornalista formada pela UFRRJ, colaborou com diversos veículos de comunicação, inclusive, a revista Canguru News, em 2017 e 2018. Tem também experiência em fotografia e audiovisual. Antirracista, foca seus trabalhos na temática de raça e gênero. Acredita que a mudança acontece a partir da educação.

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