Deixar crianças em frente às telas pode não ser tão ruim, dizem especialistas

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Imagem está escura e mostra pais lendo em uma cama de casal, com uma criança novinha entre eles olhando para um notebook. O tempo de tela das crianças na quarentena pode preocupar os pais.
O tempo de tela das crianças pode estar entre as preocupações dos pais durante a quarentena.

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Nesta quarentena, seus filhos provavelmente estão passando muito mais tempo olhando para o celular, para o tablet, para o computador ou para a televisão, certo? Afinal, durante este período em que estão em casa, é esperado que o tempo de tela das crianças – e dos adultos – aumente. E os pais, sempre atentos ao comportamento dos filhos, podem estar se preocupando com essa exposição excessiva – mas talvez ela não seja tão ruim quanto parece. 

O professor da Universidade de Oxford Andrew Przybylski e o psicólogo Pete Etchells afirmam que os pais não precisam enlouquecer se preocupando com quanto tempo as crianças estão passando em frente às telas nesta quarentena. Isso porque as evidências que ligam o tempo de tela das crianças com danos cognitivos e sociais seriam, na verdade, frágeis. 

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Segundo Przybylski e Etchells, durante os últimos cinco anos, o saber comum passou a ser que smartphones e vídeo-games prejudicam o desenvolvimento das habilidades sociais das crianças. Em artigo para o jornal The New York Times, eles recordam que a Organização Mundial da Saúde (OMS) até adicionou “gaming disorder” (transtorno de jogar, em tradução livre) como uma condição psiquiátrica em seu manual de classificação. Mas também há órgãos que têm mudado de posição: a Academia Americana de Pediatria, que recomendou abstinência digital por anos, agora afirma que tudo bem ter exposição moderada às telas e que isso deve ser determinado de acordo com cada criança e cada família. 

Estudos embasam a opinião dos autores sobre tempo de tela das crianças

Os especialistas citam estudos para convencer os pais de que eles não precisam entrar em pânico em relação ao tempo de exposição dos filhos às telas:  

  • Análise publicada em janeiro por Candice Odgers e Michaeline Jensen concluiu que os mais recentes e rigorosos estudos em larga-escala sobre o assunto mostram “pequenas associações entre a quantidade de uso diário de tecnologia digital e o bem estar de adolescentes”. 
  • Pesquisa conduzida por Netta Weinstein e co-escrita pelo próprio Przybylski descobriu que efeitos negativos provavelmente só aparecem em uma minoria de usuários (aproximadamente 0,5%) ou em quem passa mais de dois terços de seu tempo acordado online. 
  • Trabalho da Universidade de Cambridge sugere que a quantidade de tempo de tela necessária para ter um impacto negativo significativo seria entre 11 e impossíveis 63 horas por dia. 

Preocupação com tecnologia não é novidade

No artigo, os autores afirmam que a preocupação com novas tecnologias existe desde que elas começaram a surgir. “Aqueles que denunciaram a ascensão do rádio, do cinema e da televisão são todos predecessores da geração atual de alarmistas, que alegam que a exposição a telas é uma forma de entretenimento passiva e entorpecente”, dizem. “Mas há poucas razões para as crianças não passarem tempo jogando jogos inteligentes ou assistindo vídeos educacionais apropriados para a idade no YouTube ou documentários nos serviços de streaming”. 

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O artigo defende que a ciência disponível mostra que não há uma quantidade “certa” de tempo para se passar diante dos aparelhos eletrônicos e que formas mais ativas de exposição a telas, como vídeo-games cooperativos e de times, podem ter efeitos positivos na saúde mental. “Isso é especialmente importante agora porque a internet é a melhor ferramenta do mundo para socialização a distância”, diz o texto. 

E quanto à preocupação dos pais em relação às crianças passando muito tempo diante das telas, sem contato com a família e talvez perdendo a habilidade de conversar? “As telas não as condenarão a esses destinos. A ressalva é simplesmente que, como todas as ferramentas, nossas novas ferramentas tecnológicas precisam ser usadas com o devido cuidado, atenção e responsabilidade”, alerta os autores. 

Leia o artigo do NYT. 

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Jornalista formada pela Unesp. Foi trainee do jornal O Estado de S. Paulo e colaboradora em jornalismo da TV Unesp. Na faculdade, atuou como repórter e editora de internacional no site Webjornal Unesp e como repórter do Jornal Comunitário Voz do Nicéia. Também fez parte da Jornal Jr., empresa júnior de comunicação, e teve experiências como redatora e como assessora de comunicação e imprensa.

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