Aumento de casos de miopia pode ter relação com uso de telas e rotina em ambientes fechados

Em 2050, OMS estima que 52% da população mundial será afetada pelo problema; rotina em ambientes fechados e muito uso de eletrônicos pode ter influência nos números

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Criança com óculos de grau; casos de miopia aumentam e podem ter relação com uso de telas e permanência em ambientes fechados.
Segundo a OMS, o aumento dos casos de miopia já alcançou o patamar de epidemia em alguns países. Foto: Freepik

Passar muito tempo em ambientes fechados ou então em frente às telas – da televisão, do computador, do tablet ou do smartphone – são hábitos que estão relacionados a um aumento nos casos de miopia. É o que diz a Organização Mundial da Saúde (OMS), que chama a atenção para a presença desses hábitos na vida das crianças. 

Segundo a OMS, o aumento dos casos de miopia já alcançou o patamar de epidemia em alguns países. O órgão prevê que, em 2050, cerca de 52% da população mundial será afetada pelo problema. No sudeste da Ásia, estima-se que 90% dos jovens sejam míopes. 

A miopia é um distúrbio da visão que tem relação com um aumento no tamanho do olho. “É um erro refracional que ocorre quando o olho cresce demais. A refração não ocorre em cima da retina, como deveria ser, mas antes dela, deixando a visão de longe embaçada. É um problema que surge ainda na infância ou na adolescência”, explica o oftalmologista Guilherme Diehl, do Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre, em entrevista ao G1. 

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Mas as consequências não se resumem somente a visão de longe borrada. O distúrbio aumenta o risco de outros problemas, como descolamento de retina e degeneração macular, que pode levar à cegueira. A causa de alguém ser míope pode ser genética, mas o estilo de vida também contribui para o aumento de casos de miopia. Por isso, alguns cuidados desde a infância podem ajudar na prevenção. 

Neste momento de isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus, em que os hábitos de ficar em ambientes fechados e em frente às telas têm se intensificado por necessidade, é importante que pais fiquem atentos a algumas dicas – que servem para a vida toda, não somente para o período de quarentena. 

Os ambientes fechados prejudicam porque não possibilitam o exercício da visão de longe, mas também pela falta de luz solar: a exposição ao sol está relacionada a menos casos de miopia, porque estimula liberação de dopamina, hormônio que ajuda a controlar o crescimento do olho. A melatonina, hormônio do sono, também é importante para manter o tamanho do olho saudável. 

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Por isso, é recomendado que as crianças brinquem mais ao ar livre – o que, durante a pandemia, nem sempre é possível. Um quintal, uma varanda ou então um espaço em que é possível tomar sol são opções no momento. Também é importante que os pequenos tenham uma rotina regrada e organizada, respeitando o ciclo circadiano (de dia e noite, luz e escuridão) e dormindo o suficiente. 

Outras recomendações são em relação às telas. “É cientificamente comprovado que a luz azul emitida pelos aparelhos eletrônicos é tóxica para a retina”, diz Guilherme Diehl. Orientações de especialistas incluem habituar as crianças a não usarem nenhum aparelho antes de dormir e não instalar equipamentos como televisão e computador no quarto delas, além de limitar o uso dos aparelhos – durante a pandemia, com o uso das telas para aulas, uma opção é que, para entretenimento, sejam priorizadas brincadeiras fora do mundo virtual. 

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Jornalista formada pela Unesp. Foi trainee do jornal O Estado de S. Paulo e colaboradora em jornalismo da TV Unesp. Na faculdade, atuou como repórter e editora de internacional no site Webjornal Unesp e como repórter do Jornal Comunitário Voz do Nicéia. Também fez parte da Jornal Jr., empresa júnior de comunicação, e teve experiências como redatora e como assessora de comunicação e imprensa.

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