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O açúcar é mesmo um vilão? Médico dá dicas para acertar a medida

Por Rafaela Matias

Açúcar faz mal. Açúcar é necessário. Seu filho vai ficar diabético. Sem açúcar o corpo dele não será capaz de se desenvolver. São muitas as contradições que cercam o consumo de açúcar, especialmente durante a infância. E tantas divergências podem deixar os pais confusos a respeito da alimentação dos pequenos.
Afinal, o açúcar é ou não é um vilão?

Para o endocrinologista Levimar Araújo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes e o convidado do Encontro Canguru de setembro em Beagá, realizado no último sábado (2), o produto pode ser vilão ou mocinho. A diferença está na quantidade.
Segundo o médico, o corpo humano precisa de açúcar para se manter em funcionamento, ter energia para se movimentar e, no caso dos pequenos, se desenvolver. E o açúcar, ao contrário do que se pensa, não é gerado apenas pelo consumo do próprio. Carboidratos e proteínas também são capazes de se transformar em glicose dentro do organismo e gerar energia para as células. “Essa capacidade dos alimentos de se transformarem em açúcar é chamada de índice glicêmico. Quando um alimento se transforma rapidamente, dizemos que ele possui alto índice glicêmico, e quando ele demora mais para ser processado, o índice glicêmico é baixo”, explica.
Alimentos com um índice glicêmico muito elevado exigem que o corpo produza insulina rapidamente para que a glicose seja transportada para as células. A longo prazo, esse processo pode sobrecarregar o pâncreas e, caso o corpo deixe de produzir insulina ou passe a produzir em níveis inferiores ao necessário, desenvolver o diabetes tipo 2. O outro tipo de diabetes, o tipo 1, é uma doença autoimune que impede o pâncreas de funcionar corretamente – por razões genéticas e que não possuem relação com a má alimentação.
Nos dois casos, é indicada a redução drástica do consumo do açúcar e a reposição da insulina. Em crianças saudáveis, porém, o indicado é fazer boas escolhas, dando preferência para alimentos com baixo índice glicêmico e açúcares mais naturais, como o mascavo ou demerara. O endocrinologista Levimar Araújo garante: o açúcar, por si só, não faz mal, o que faz mal é o excesso.
Na medida certa
Veja algumas dicas para tornar mais saudável o consumo de açúcar na rotina do seu filho
- Aliar o consumo de fibras ao de carboidratos, inserindo folhas verdes nas principais refeições, por exemplo.
- Preferir carboidratos de alto índice glicêmico, como a batata doce e o arroz integral.
- Dar preferência para o chocolate meio amargo, que ajuda a proteger o coração e possui níveis mais baixos de açúcar.
- Ter moderação no consumo de algumas frutas que possuem o índice glicêmico muito elevado, como manga, uva e melancia.
- Dar preferência à fruta que aos sucos, pois eles possuem menos fibras.
- Evitar alimentos processados e industrializados, como os biscoitos recheados e os sucos de caixinha.
- Ficar atento ao modo de preparo dos alimentos e tentar mantê-los o mais natural possível. O purê de batata, por exemplo, possui um índice glicêmico muito superior ao da batata assada.
Fique atento!
Veja alguns sinais, indicados pelo médico Levimar Araújo, de que o seu filho pode estar com falta de nutrientes ou resistência à insulina
- Excesso de peso
- Estatura abaixo do normal
- Não desenvolvimento dos órgãos sexuais (não entra na puberdade)
- Lesões de pele
- Fome excessiva
- Aumento da circunferência abdominal
Canguru News
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