BBB 24: Mais apoio e menos julgamento a mães atípicas como Fernanda

Mãe de duas crianças, sendo uma com autismo, a participante do reality show explicita a urgência de que haja uma mudança de mentalidade coletiva da sociedade, avalia a educadora parental Mônica Pitanga

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A mãe atípica Fernanda, do BBB 24
Durante programa, Fernanda desabafou sobre desafios da maternidade atípica solo | Foto: reprodução/Globo Play
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Nos últimos dias viralizou um vídeo da confeiteira e modelo Fernanda, uma das participantes do Big Brother Brasil, o BBB 2024, que é mãe atípica solo. Em conversa com outra participante do programa, a assistente social Pitel, ela comparou sua experiência no reality show com suas experiências como mãe:

“Eu já tô no meu limite. Tô com uma função que nasce quando você vira mãe: o botão da demência. Esse botão fica aqui agarrado com o coração… Às vezes, tá tudo dando errado. Tem dia que você quer matar seus filhos. Tem dia que você olha aquelas crianças e fala: ‘Se eu morasse em um prédio, eu jogava pela janela’. Porque você não aguenta, você surta, você quer morrer. Você olha aquelas crianças e você fica: ‘Meu Deus, tá tudo fora de ordem, uma bagunça’. Você não tem um real para pagar nada. Você surta. Eles começam a brigar.” Aí sabe o que você tem que fazer? Você liga o botão. Aí você fica assim [olhando para o nada]. As pessoas te perguntam as coisas e você fica: ‘O quê? Ah, tá…’. Só pra não fazer nenhuma loucura. Eu ligo esse botão pelo menos umas três vezes por dia”, desabafou Fernanda. 

Por causa dessa fala, a participante recebeu muitas críticas na internet de pessoas que não sabem o que é enfrentar no Brasil uma maternidade atípica sozinha e ainda com dificuldades financeiras. A apresentadora Xuxa Meneghel chegou a dizer que Fernanda não deveria ser mãe. Já a atriz Luana Piovani saiu em defesa da participante do BBB, ao afirmar que “quando a gente está exausta fala tudo” e sugeriu à apresentadora ter “empatia com as pessoas que não têm condições”.

O filho de Fernanda, que tem 11 anos, é autista e ela também é mãe de uma garotinha de 5 anos. O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento da criança. No programa, ela já falou sobre suas dificuldades para criar os pequenos e contou não ter dinheiro para pagar as terapias que o filho necessita, dizendo ainda que o pai dele é ausente e não paga pensão. 

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A maternidade é um dos papéis mais complexos e gratificantes que uma mulher pode assumir na vida. No entanto, para algumas mulheres, essa jornada se desdobra de maneira solitária e com muito mais desafios.  

A falta de apoio adequado é um obstáculo que as mães solo atípicas enfrentam. Elas frequentemente não encontram os recursos e a compreensão necessária e isso pode levar a um sentimento de isolamento, desamparo, adoecimento, pensamentos destrutivos sobre querer mal às crianças e até suicídio.

Enquanto educadora parental que atende mães atípicas, digo que é urgente que a sociedade ofereça mais suporte e compreensão a essas mães. Criar um filho com autismo ou outro transtorno ou ainda com deficiência, exige mais em termos de tempo, energia, recursos financeiros e emocionais.  

Precisamos de políticas públicas de cuidado, programas de parentalidade positiva, assistência, saúde e uma mudança na mentalidade coletiva a fim de promover mais apoio e menos julgamento às mães atípicas. 

*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.

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Mônica Pitanga
Mônica Pitanga é mãe atípica e rara. Formada em Administração de Empresas. Certificada em Parentalidade e Educação Positivas, Inteligência Emocional e Social e Orientação e Aconselhamento Parental pela escola de Porto, em Portugal. Certificada também em Disciplina Positiva pela Positive Discipline Association. Fundadora da ONG Mova-se Juntos pela inclusão.

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