‘Ser preconceituoso é ruim, não ser preconceituoso é impossível’

Para o educador parental Mauricio Maruo, muitos dos preconceitos que temos hoje podem ter origem na nossa infância; ele propõe uma reflexão para entender por que eles existem e como podemos transformá-los

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Menina ao centro com esparadrapo na boca e nuvens de rabiscos ao redor da cabeça

Domingo, 19 de junho, teremos a celebração de uma das maiores festas do mundo aqui em São Paulo, e depois de dois anos sendo somente online, finalmente voltará a ser presencial.

Você sabe de qual festa estou falando?

A famosa parada do orgulho LGBTQ+, uma das mais importantes festas de representatividade e respeito que temos aqui no Brasil, mas infelizmente junto com ela vem também muito preconceito, e esse é o assunto do texto de hoje.

Para quem estava esperando um texto que ensina como podemos ensinar nossos filhos(as) a não ter preconceito, infelizmente não será este.

Acredito que o assunto preconceito ainda não tenha sido discutido com toda profundidade que deve ter, então minha proposta para o texto de hoje é conversar abertamente sobre ele e buscar entender como podemos conviver com ele em nossas vidas.

Para que a conversa tenha mais fluidez, separei alguns pontos que acredito serem importantes.

Ponto 1

Todos somos preconceituosos.

Sim, infelizmente mais de 90% dos adultos do mundo têm essa característica. Os primeiros relatos da existência do preconceito são de quando começaram a surgir as primeiras classes sociais ou poderes econômicos (isso muito tempo atrás). 

Lembrando que o preconceito não é somente contra a classe LGBTQIA+, existem milhares de tipos de preconceitos.

Isso nos leva ao segundo ponto.

Ponto 2

O preconceito já está dentro de nós.

Abaixo os tipos de preconceitos mais comuns no Brasil:

  • Preconceito racial – Racismo
  • Preconceito contra mulheres – Machismo
  • Preconceito de classe social – Classismo
  • Preconceito contra homosexuais ou qualquer outro tipo de gênero – Homofobia
  • Preconceito contra estrangeiros ou imigrantes regionais – Xenofobia Regional
  • Preconceito contra gordos – Gordofobia

Então, se você não se considera uma pessoa preconceituosa, fico muito feliz de saber que sua infância foi repleta de diversidades e muita conscientização.

O ponto 3 tem relação com nossa criação.

Ponto 3

Nosso preconceito muitas vezes não é nosso, ele foi desenvolvido dentro de nós.

Esse é um ponto extremamente triste de se admitir, pois ninguém quer algo ruim crescendo dentro do nosso coração e muito menos em nossa alma, mas é assim que muitas vezes o preconceito nasce, ou seja, quando seu filho(a) nasce, ele ou ela são seres completamente livres de preconceitos, não cabe isso dentro da vida de um bebê, porém com a nossa criação eles começam a espelhar os nossos preconceitos em suas próprias vidas.

Muitas pessoas não percebem isso, mas muitos dos nossos conceitos de vida são parecidos com os dos nossos pais ou da pessoa que cuidou de nós na infância. 

A maioria das crianças desenvolve o preconceito observando e captando as reações, falas, ações e atitudes dos adultos.

E você sabe dizer se seus pais ou a sua cuidadora eram preconceituosos em algum aspecto?

Se sim, acha que tem chances de você ter herdado esse preconceito deles?

Você gosta de ter herdado isso?

Se não gosta, o que você pode fazer para mudar essa característica?

O ponto 4 é sobre a descrença de muitas pessoas sobre o autoconhecimento.

Ponto 4

A melhor forma de combater o preconceito é entender que ele pode não ser seu, mas que ele existe dentro de você.

Mas para isso você precisa primeiro entender quem realmente você é, e porque herdou essa característica sem perguntar se queria.

Entender nossa origem e porque nos tornamos quem acreditamos ser, é sem dúvida nenhuma, uma das coisas mais difíceis do mundo.

Uma característica marcante de quem carrega o preconceito é sempre negar que tem preconceito, ou seja, “Eu não preciso me autoconhecer pois não sou assim preconceituoso”.

E essa frase nos leva ao ponto 5.

Ponto 5

Ser preconceituoso é ruim, não ser preconceituoso é impossível!

Esse é o ponto do limbo.

Admitir ser preconceituoso muitas vezes é meio doloroso e pesado, ainda mais que o preconceito é marcado como algo ruim na sociedade.

Então temos a dupla tortura, pois para uma pessoa que está no processo de autoconhecimento, encarar as atitudes preconceituosas que ainda habitam dentro de nós é algo muito constante e trabalhoso, e admitir que é preconceituoso também não é nada agradável. Mas devemos ter a consciência de que o caminho para melhorar nem sempre é um caminho de flores, teremos muitos espinhos pela frente.

Para concluir este texto sobre o preconceito que vive dentro de todos nós, (mesmo que a gente não queira), costumo dizer para mim que a paternidade veio como um furacão, arrancou muitas crenças, atitudes, pensamentos, enfim não foi tão fácil, mas foi e continua sendo lindo, é assim que aprendemos e nos transformarmos.

Então não tenha medo e nem ódio do preconceito que habita dentro de você, mas entenda porque ele existe, e quem sabe você consiga transformá-lo em consciência.


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É pai da Jasmim, 6 anos, e do Kaleo, 1 ano, e companheiro da Thais. Formado como artista plástico, atua como educador parental desde 2016. É fundador do "Paternidade Criativa", uma empresa de impacto social que cria ferramentas de transformação masculina através do gatilho da paternidade. Criador do primeiro jogo de Comunicação Não Violenta direcionado para pais e crianças do Brasil.

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