Artigos
O tabu da educação sexual nas escolas
A psicóloga Leiliane Rocha, especialista em sexualidade humana e educadora parental, é enfática: “Não se pode falar de educação sem abordar o tema da sexualidade”. Em entrevista à Canguru News, ela explica que o conceito de sexualidade é amplo e engloba as emoções, o respeito aos indivíduos, os relacionamentos, o corpo. Portanto, não há como tratar a questão da sexualidade de forma estanque, argumenta a especialista. Ela lamenta o fato de este debate ser hoje um campo minado, por temor das famílias e das escolas.
“Sexualidade engloba emoções, corpo, suas sensações. Na educação sexual, o termo sexual faz referência à sexualidade, e não ao sexo”, enfatiza.
Para a especialista, os educadores parentais que se aprofundam em estudos sobre sexualidade humana e educação sexual farão abordagens diferenciadas e capazes de provocar impacto positivo nas famílias.
Em relação ao tabu que envolve o tema, a psicóloga pontua que ao longo da história o sexo foi conectado à noção de pecado, por diferentes abordagens religiosas. Porém, ela sustenta que, nos dias atuais, é impossível represar o debate sobre a sexualidade. A repressão e a interdição a conversas sobre o tema, seja pelo peso da religião ou valores morais e culturais, poderão culminam no aumento do acesso à pornografia e em abusos sexuais de crianças, alerta a psicóloga, que organiza cursos em várias escolas sobre educação sexual.
Abordar o tema da sexualidade de forma saudável e respeitosa, defende a especialista, é crucial no processo de formação das crianças e adolescentes para que eles se transformem em adultos que lidam com a própria sexualidade de maneira sã e equilibrada. Reduzir a sexualidade à questão da orientação sexual e ideologia de gênero é um caminho equivocado, diz.
A despeito do medo de abordar o tema da educação sexual nas escolas, Leiliane Rocha diz perceber que, paradoxalmente, tanto as famílias quanto os educadores estão cientes da importância da orientação sexual na vida dos estudantes. O que falta hoje, afirma ela, é diálogo entre todas as partes envolvidas para que esses temores sejam dirimidos.
Essa entrevista faz parte do quadro “Conversas sobre Educação Parental”, organizado pela Canguru. A conversa ocorreu no final de 2021, quando foi realizado o 2º Congresso de Educação Parental.
LEIA TAMBÉM
[mc4wp_form id=”26137″]
Malu Delgado
Malu Delgado é mãe da Nina, 8 anos. Jornalista, tem mais de 20 anos de experiência em coberturas políticas para veículos como “Valor Econômico”, “O Estado de S. Paulo”, “Folha de S. Paulo”, revista “piauí”, “Jornal do Brasil”, “iG” e “Globonews.com”. Pós-graduada em Gestão de Políticas Públicas, atua no momento como colaboradora da Deutsche Welle Brasil, freelancer e consultora de comunicação da Canguru News.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
5 casacos quentinhos para proteger seu filho no inverno
Do fleece ao puffer, reunimos opções que ajudam a manter as crianças aquecidas nos dias frios, sem abrir mão do...
Tem 10 minutos? Uma caminhada pode mudar seu dia
Uma tendência que vem sendo chamada de “thinking Walk” tem ganhado espaço plo mundo. Um pequeno intervalo de tempo com...
Figurinhas para todos: jovens criam projeto para que crianças em situação de vulnerabilidade também possam brincar
Colecionar, trocar figurinhas e mergulhar na "febre da Copa" fortalece vínculos, autoestima e o sentimento de pertencimento. Mas essa não...
Férias econômicas: 5 programas gratuitos para fazer com as crianças em SP
Está difícil pensar em uma programação para tirar os pequenos de casa, sem estourar o orçamento? Aqui, a gente te...









