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Demonstrar preferência por um neto pode prejudicar a criança
Da redação

No seriado Os Dias Eram Assim, da Rede Globo, a atriz Susana Vieira faz o papel de Cora, mãe de Vitor (Daniel Oliveira) que é casado com Alice (Sophie Charlotte). O casal tem dois filhos, Lucas (Xande Valois) e Gabriela (Isabella Koppel), mas a avó deixa claro a sua preferência pela menina – o garoto é fruto de um relacionamento anterior da mãe.
Ter inclinação por uma das crianças é algo comum no cotidiano das famílias – e vale também para pais, tios e até professores que gostam mais de um aluno do que de outros. Ninguém pode ser recriminado por isso, porém, não se pode agir de forma injusta, favorecendo mais uma criança à outra. “Acontece do avô se enxergar em um dos netos, que talvez o lembre de como ele era quando criança. A questão é ter consciência sobre isso e tratar ambos os netos de maneira justa”, afirma a psicóloga clínica Bettina Schaefer.
Aprendendo a lidar com a exclusão
O tratamento diferenciado, em geral, é percebido pela criança, e isso pode fazer com que ela se pergunte o que o outro tem que ela não. Por outro lado, a experiência de crescer com irmãos, primos e outras crianças favorece o desenvolvimento de habilidades sociais tão imprescindíveis para a vida adulta. “É um questionamento humano, as pessoas se perguntam, por exemplo, por que alguns têm mais dinheiro do que outros”, relata a psicóloga. Ela ressalta que ao nos aprofundarmos nessa questão, perceberemos que ela tem a ver com a triangulação dos relacionamentos, onde um par se constitui e um terceiro é excluído, com a qual estamos sempre lidando.
“A criança em seu desenvolvimento sadio cria um repertório emocional para saber lidar com isso”, explica Bettina. Mas se ela não tem estrutura, pode vir a adotar atitudes agressivas, fazer birra ou agir de forma errada para chamar a atenção. “Reconhecer cada neto em sua singularidade é a melhor maneira de evitar qualquer problema, ainda que as preferências existam”, complementa a psicóloga.
Canguru News
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