Criança com intestino preso: saiba como ajudá-la

Pediatras explicam aos pais como saber se o filho está com problemas ao evacuar e dão dicas do que fazer para melhorar o funcionamento do intestino

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Criança com intestino preso: o que fazer para resolver esse problema; menina apoia mãos sobre barriga e faz expressão de dor
Mudanças na alimentação, com a ingestão de mais água e fibras, tendem a melhorar a prisão de ventre nas crianças

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Algumas crianças, em idades diversas, podem apresentar dificuldade para evacuar. Isso ocorre por motivos como histórico de intestino preso ou distúrbios gastrointestinais na família, alimentação inadequada, falta de atividade física e mesmo retenção voluntária das fezes diante de fatos impactantes para a criança, como a chegada de um irmão ou questões escolares.

Entre recém-nascidos, é comum que fiquem vários dias sem fazer cocô – eles podem chegar a ficar uma semana sem evacuar –, e isso não é necessariamente um problema, se as fezes não são duras e o bebê não reclama de desconforto abdominal e mama bem.

A pediatra e endocrinologista infantil Priscila Pozetti Lioi, de São Paulo, diz que algumas doenças podem ter a constipação como sintoma, entre elas: hipotireoidismo, alergia à proteína do leite de vaca, doença celíaca, alterações anatômicas anorretais ou doenças neurológicas.


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Frequência de idas ao banheiro

Popularmente conhecida como prisão de ventre, a constipação intestinal é um transtorno funcional que se caracteriza pela redução de idas ao banheiro para evacuação – menos que três vezes na semana – combinado a fezes ressecadas e duras. Crianças que já têm o controle das fezes e da urina devem evacuar, em média, uma a duas vezes ao dia.

Priscila orienta os pais a que observem a frequência com que os filhos evacuam. “Em alguns casos, mesmo defecando diariamente, isso ocorre de forma incompleta, com fezes muito ressecadas, formando bolinhas duras, chamadas de cíbalos. Essas crianças acabam evacuando com muito esforço e dor”, diz Priscila. Ela diz que há também crianças demoram muito dias para evacuarem, “mas quando conseguem, as fezes saem volumosas e calibrosas, são as chamadas fecalomas”, comenta a pediatra.


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Alimentação saudável é essencial para evitar a constipação

Mudanças na alimentação são, quase sempre, a principal maneira de evitar o intestino preso na criança. A intensivista pediátrica Samara Bertin, de São Paulo, diz que carboidratos complexos como pão, arroz, macarrão e biscoitos, em grandes quantidades, e alimentos industrializados, devem ser consumidos com moderação. “Esses alimentos devem ser substituídos por verduras e frutas, como mamão e ameixa, que ajudam na melhora do padrão das fezes. Além disso é essencial beber muita água ao longo do dia”, ressalta Samara.

Limitar a ingestão de leite e sucos também é importante, na opinião de Mônica Rodrigues, head de pediatria da plataforma de telemedicina Conexa Saúde, do Rio de Janeiro. “Dessa forma, as crianças ficam mais propensas a beber água e a aceitar uma dieta mais diversificada e rica em fibras, o que inclui frutas, grãos, leguminosas, verduras e cereais. Os grãos integrais, como arroz integral e aveia, são os mais recomendados”, diz Mônica.

A água ajuda a tornar o bolo fecal mais macio, facilitando assim a expulsão do cocô pelo corpo. Quando a alimentação da criança inclui muitas guloseimas, o corpo sente falta de fontes de fibras, que fazem crescer o volume do bolo fecal e estimulam os movimentos peristálticos, que ajudam a empurrar as fezes para fora do organismo.

Os pais também devem ser o exemplo dos filhos e incentivá-los a prática de atividade física, que auxilia no movimento do trânsito intestinal, além de prevenir outras doenças como a obesidade infantil, relata a pediatra Priscila Pozetti.


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Situações difíceis podem deixar a criança com o intestino preso

Fatores emocionais podem ter grande influência sobre a dificuldade em evacuar. Na fase do desfralde, que pode ocorrer entre dois e quatro anos de idade, a depender da criança, os pais devem tomar cuidado em como conduzem esse processo para evitar qualquer tipo de trauma sobre idas ao banheiro. ” É importante fazer o desfralde no tempo da criança e não no tempo dos pais. Não se pode ter pressa nem é indicado brigar com o filho por esse motivo. Deve-se sim envolver o pequeno na prática do desfralde de maneira lúdica e sem cobranças”, afirma a pediatra Mônica. Ela diz também que outros momentos difíceis podem acarretar a prisão de ventre, como a separação dos pais, práticas de bullying entre amigos e mesmo algum episódio de agressão. Nestes casos, recorrer à psiterapia pode ser benéfico à criança, sugere a médica.

Consequências da prisão de ventre

“A retenção de fezes pode levar à redução do apetite, náusea, vômitos e sintomas urinários como retenção e infecções. Quando não tratada corretamente, também leva a evacuações dolorosas.”, comenta Priscila. Quanto mais a criança segura o cocô, mais fezes são retidas no reto (parte final do intestino grosso), causando desconforto ou dor. E se a prática se mantém por muito tempo, o conteúdo acumulado passa a agredir a mucosa do órgão que, como consequência, gera um líquido, o escape fecal, que escorre pelo ânus e pode manchar as roupas e dar mau cheiro, levando até a situações de constrangimento para a criança. “O diagnóstico precoce é o principal fator de prevenção pois direciona mais adequadamente o tratamento da causa da constipação”, finaliza a pediatra.


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Jornalista formada pela UFRRJ, colaborou com diversos veículos de comunicação, inclusive, a revista Canguru News, em 2017 e 2018. Tem também experiência em fotografia e audiovisual. Antirracista, foca seus trabalhos na temática de raça e gênero. Acredita que a mudança acontece a partir da educação.

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