É por meio do brincar que a criança explora e entende o mundo ao seu redor

É crucial que pais, educadores e a sociedade em geral valorizem e incentivem o brincar na infância, diz psicóloga

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Menino brinca com aviãozinho de madeira ao ar livre
Brincadeiras ao ar livre permitem interagir com a natureza, favorecendo a compreensão do mundo físico
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A atividade lúdica é inerente à fase infantil, constituindo uma das maneiras mais naturais e essenciais de aprendizado e crescimento para os pequenos. Desde tenra idade, a criança é movida pelo instinto de explorar, experimentar e interagir com o entorno, e é por meio do brincar que encontram uma forma alegre e relevante de fazê-lo. Durante essas brincadeiras, elas têm a oportunidade de desempenhar diferentes papéis e contextos, o que contribui para o desenvolvimento da empatia e da autoconsciência, ampliando suas perspectivas e construindo sua identidade.

O psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) ressaltou a relevância do jogo simbólico na formação do conhecimento infantil em sua obra “A Importância do Brincar”. Segundo Piaget, durante as brincadeiras, as crianças elaboram representações mentais, experimentam papéis e situações variadas, fortalecendo habilidades cognitivas, sociais e emocionais de modo natural e espontâneo. Ele propôs que o brincar fosse considerado uma atividade primordial na vida infantil, não apenas como um momento de diversão, mas principalmente como um processo vital para a construção do entendimento do mundo ao redor. Piaget observou que, durante as brincadeiras, as crianças não apenas reproduzem situações reais, mas também criam e recriam cenários imaginários, desenvolvendo habilidades cognitivas relevantes.

Outros estudiosos também sublinharam a importância do brincar, como o psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934), que destacou o papel das brincadeiras na zona de desenvolvimento proximal das crianças. Ele argumentou que, durante essas atividades, as crianças são capazes de realizar tarefas além de seu nível de desenvolvimento atual com auxílio de adultos ou colegas mais capazes. Portanto, o brincar é percebido como uma oportunidade para que a criança assimile conceitos e habilidades com o suporte de outros.

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Além disso, as brincadeiras proporcionam um ambiente seguro para que as crianças expressem suas emoções, enfrentem desafios, solucionem problemas e alimentem a criatividade. Durante esses momentos, elas aprendem a colaborar, negociar, compartilhar e desenvolver habilidades de comunicação, fundamentais para a construção de relacionamentos saudáveis ao longo da vida. No consultório, é notável como o brincar e as atividades lúdicas facilitam a interação com as crianças, especialmente aquelas com menor habilidade verbal, timidez ou que tenham enfrentado traumas severos. Tais atividades não só contribuem para o desenvolvimento cognitivo, mas também promovem o crescimento emocional e verbal. Por meio do brincar, as crianças conseguem expressar suas emoções, estimular a imaginação e estabelecer conexões significativas.

O brincar também fomenta o desenvolvimento físico, incentivando a coordenação motora, o equilíbrio e a resistência física. Brincadeiras ao ar livre, por exemplo, proporcionam oportunidades para que as crianças explorem o ambiente natural, desenvolvendo um senso de conexão com a natureza e compreensão do mundo físico. Portanto, é crucial que pais, educadores e a sociedade em geral valorizem e incentivem o brincar na infância, oferecendo às crianças tempo, espaço e recursos adequados para explorarem livremente seu mundo por meio das brincadeiras. Ao fazer isso, não apenas proporcionamos momentos de diversão, mas também promovemos um desenvolvimento saudável e integral das crianças, preparando-as para os desafios e oportunidades que a vida lhes reserva.

*Helen Mavichian – psicoterapeuta especializada em crianças e adolescentes e mestre em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.

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