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A zona de conforto é extremamente necessária às mães
Todo dia é aquela correria. Para conseguir ler ou tomar um café em paz, precisamos acordar mais cedo. Foi o que uma dessas blogueiras de empreendedorismo materno disse, como se a solução fosse simples, como se estivesse ali na frente do nosso nariz. A regra é produzir, produzir, produzir. Não importa se a noite foi de sono picado. Se você dormiu tarde aprontando o uniforme, adiantando o almoço do dia seguinte. Não importa se você tem um emprego formal e ainda pega duas conduções para chegar ao trabalho. A solução para fazer o dia “render” é acordar mais cedo.
O cansaço acumulado é nítido nas olheiras que fazemos piadas na internet, e na saúde mental também. Segundo a OMS, mulheres são duas vezes mais propensas a ter depressão do que os homens, eu li.
Por aqui não é diferente. Meu cansaço é nítido até para quem não me conhece. Dia desses perdi a hora porque sonhei que já estava arrumando os meninos para a escola. Parecia aquele povo que toma remédio para dormir e acaba sonhando que estava trabalhando. Acordam ainda mais cansados. Isso conta como aprendizado? Posso colocar no currículo três anos de experiência no mercado de trabalho somados aos outros dois via sonho? Deveria.
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Aí você cria uma rotina bacana, consegue dividir o trabalho doméstico com o parceiro certinho, sem sobrecarregar ninguém. Se organiza para sair com as amigas, toda quinta, viajar sozinha sem se preocupar em como as crianças ficarão na sua ausência. E já não precisa mais olhar o caderno todos os dias para conferir o dever de casa. Parece que está tudo caminhando bem até que vem um desalmado mandando sair da zona de conforto, como se fosse algo bom. O quê? Não é possível!
Para início de conversa, pareço confortável para você, querido (não tão querido assim) coach (des)motivacional? Se hoje aparento estar mais tranquila foi à base de muito surto e antidepressivo. Não foi pensando “fora da minha caixinha”. Foi botando as caixinhas, todas elas, em uma posição que dá para equilibrar o maior número de pratos possíveis. Aprendendo a não me apegar tanto aos pratos assim. Se um cair no chão, ok. Vida que segue. Entender e fazer os que dependem de mim entenderem também minha humanidade foi imprescindível para hoje enfim poder respirar.
“Ache sua zona de conforto”, disse dia desses a criadora de conteúdo digital Babi Amaral no seu perfil do Instagram. Ataraxia, contou ela, significa tranquilidade da alma, ausência de perturbação. E não tem a ver com procrastinação, afinal, nada é mais angustiante, ainda mais para uma mãe, do que procrastinar. Então, se você achou sua zona de conforto, finalmente encaixou sua vida nos eixos tortos que construiu com base de muita renúncia e lutas particulares, fique quietinha aí e mande às favas quem disser o contrário. Seja leve e confortável o quanto conseguir e puder.
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
Sheila Trindade
Sheila Trindade é escritora e fundadora do Blog Uai Mãe. Mãe de quatro filhos, um monte de histórias para contar cheias de aventuras, dúvidas e receios. De forma autêntica e com bastante humor, quer provar que a maternidade pode ser divertida quando a gente se permite rir dos próprios erros.
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