Só se elimina o sarampo com 95% das crianças vacinadas

Baixa cobertura vacinal e surgimento de casos no país acendem alerta para essa doença altamente contagiosa que pode ser evitada por meio da vacina; campanha nacional de imunização é destinada a crianças entre 6 meses e menores de 5 anos

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Criança de blusa azul listrada recebe vacina no braço
Especialistas ressaltam importância da vacinação contra o sarampo

As doses de vacinação de rotina contra o sarampo atingiram, em média, apenas 50% da população-alvo do país, muito aquém da meta prevista, alerta a pediatra Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). “Eu só consigo afastar a circulação do sarampo e eliminar a doença e a possibilidade de aparecerem casos, internações e mortes, se eu tiver 95% da população-alvo vacinada, isso significa 95% de todas as crianças de 12 e 15 meses, que é quando elas recebem essas doses e elas vão levar essa proteção pro resto da vida”, disse Flávia. Diante da baixa cobertura vacinal, ela destaca a importância da vacinação contra o sarampo, ainda mais com a confirmação de pelo menos dois casos, este ano, em São Paulo, além de outros 22 que estão sendo investigados, e podem fazer surgir um novo surto da doença.

O infectologista Marcelo Nascimento Burattini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), diz que a situação é preocupante. “O sarampo tinha sido controlado, tivemos uma epidemia razoavelmente importante em São Paulo em 1996, por baixa cobertura vacinal, e agora estamos tendo esse alerta de novo, já vínhamos alertando para a baixa cobertura vacinal em geral. Com uma doença como sarampo, se ela voltar a circular, podemos ter uma epidemia”, afirma o infectologista.

Para conter a doença, os especialistas reforçam aos pais a importância de adesão à campanha nacional de vacinação contra o sarampo, que teve início em 4 de abril para imunizar trabalhadores da saúde. A partir de 3 de maio, deverão receber a vacina crianças entre 6 meses e menores de 5 anos. Além das doses de rotina aos 12 e 15 meses, o objetivo é garantir a imunização também àqueles que não tomaram na idade certa. A vacina dada em bebês entre 6 meses e 11 meses é considerada uma dose extra e não dispensa a dose de rotina quando a criança completar um ano e a dose de reforço aos 15 meses. Na capital paulista, a vacina já está disponível para crianças de até 5 anos, segundo informações da secretaria municipal da saúde.

“É importante fazer um anúncio contundente da campanha de vacinação para que a população aproveite. Temos doses suficientes para vacinar a população de todo o Brasil, mas precisa que as famílias procurem a campanha”, ressalta a diretora da SBIm. Ela lembra que a vacinação contra o sarampo faz parte do programa nacional de imunizações há muitos anos. “Claro que as recomendações dos calendários foram mudando, mas desde o século passado a vacina é utilizada no mundo inteiro, milhões de doses são aplicadas. É uma vacina atenuada (que tem o vírus ativo, porém, sem capacidade de produzir a doença) mas se conhece perfeitamente sua segurança e eficácia. Como toda vacina, como todo medicamento, como todo alimento, sempre são possíveis efeitos adversos, mas eles são raros.”

Sintomas e transmissão

O sarampo é uma infecção viral altamente contagiosa, transmitida de modo semelhante à gripe, por meio de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar próximo a pessoas não vacinadas contra a doença. Crianças menores de 5 anos de idade, pessoas desnutridas e imunodeprimidas são as mais suscetíveis à condição. 

Entre os sintomas mais comuns estão irritação nos olhos, lacrimejamento, corrimento no nariz, moleza extrema, falta de energia, febre alta e manchas vermelhas na pele. Quanto menor a criança, maiores são os riscos de complicações como encefalite, infecções neurológicas e comprometimento de vários órgãos. Quadros graves podem levar à internação e morte.

Histórico da doença no país

A doença foi erradicada no país em 2016, mas voltou a apresentar um surto em 2019, com mais de 20 mil casos confirmados. Em 2020 e 2021, durante a pandemia, houve queda nos números (veja tabelas abaixo). Já em 2022, até agora, duas pessoas foram diagnosticadas com a doença em São Paulo – uma na capital paulista e outra em Cubatão, segundo a secretaria de estado da saúde – além das 22 que estão sob suspeita. Outros 12 casos foram notificados no estado do Amapá neste ano, segundo informou o Ministério da Saúde, e não houve nenhum óbito no país.

Em 2021, foram confirmadas duas mortes por sarampo, de acordo com dados da Secretaria de Vigilância em Saúde, ambas no Amapá, em crianças menores de um ano – uma com 7 meses de idade, não vacinada e sem comorbidades, e a outra, com 4 meses de idade, portanto fora da faixa etária indicada para imunização. Amapá, Pará, Alagoas, São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro são, nessa ordem, os estados com maior número de casos confirmados, registrados em sua maioria em menores de um ano de idade.

Brasil – casos confirmados de sarampo

2022 – 14 casos
2021 – 668 casos
2020 – 8.448 casos
2019 – 20.901 casos
2018 – 10.346 casos
Fontes: assessoria de imprensa do Ministério da Saúde e boletim epidemiológico de janeiro de 2022, da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde.

Estado de São Paulo – casos confirmados de sarampo

2022 – 2 casos confirmados (capital e Cubatão) e 22 suspeitos (sob investigação)
2021 – 9 casos
2020 – 883 casos
Fonte: Secretaria de Estado da Saúde

As dúvidas mais comuns sobre vacinas de gripe e sarampo


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Editora da Canguru News, cobre educação há mais de dez anos e tem interesse especial pelas áreas de educação infantil e desenvolvimento na primeira infância. É mãe do Martim, 8 anos, sua paixão e fonte diária de inspiração e aprendizados.

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