Movimento discute como tornar ruas mais atrativas para as crianças

O direito das crianças a uma cidade mais acolhedora é o foco do evento online, realizado nos dias 8, 9 e 10 de novembro

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Crianças brincam de amarelinha em piso de asfalto; Movimento discute como tornar ruas mais atrativas para as crianças
Ideia é que crianças voltem a usar a rua para brincadeiras e encontros com outras crianças

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Empinar pipa, jogar pião, andar de bicicleta, subir em árvores… Foi-se o tempo em que brincar nas ruas era algo corriqueiro. Em cidades grandes e movimentadas como São Paulo, as crianças hoje brincam no parquinho do prédio ou vão a shoppings e outros espaços privados de lazer. Mas a ocupação de avenidas como a Paulista, Sumaré e o Minhocão, aos domingos, quando carros não circulam, mostra o quanto as pessoas gostam de frequentar esses espaços públicos.

Foi pensando em resgatar essa função das ruas como lugar de diversão e encontros que surge o Movimento R.U.A. (Resgatar o espaço urbano através da arte), que será lançado nesta segunda-feira (8) em evento online com duração de três dias, sempre a partir das 19 horas. Representantes do poder público, organizações não-governamentais, pesquisadores, empresas e especialistas estarão reunidos no encontro virtual para discutir sobre o assunto e propor estratégias que permitam uma maior ocupação das ruas.

“A ideia, com esse movimento, é falar sobre o direito à cidade e como prepará-la para uma maior convivência, para que as pessoas se deem conta desse espaço de relação comunitária, fazendo com que as ruas tenham um caráter lúdico e atrativo para as famílias”, explica o sociólogo Wagner Fernandes, diretor do movimento.

Ele cita o Minhocão como um exemplo do interesse das pessoas pelas ruas. “O Minhocão fica lotado aos domingos, mesmo sem infraestrutura, banheiros e locais para comer. Criou-se ali uma vida cultural muito dinâmica, mesmo sendo um lugar não pensado para isso, o que nos faz entender que as pessoas têm um desejo de estar ali, elas querem estar na rua”, avalia o diretor.

Wagner ressalta, porém, que são poucas as ruas da cidade fechadas aos domingos, e no geral limitam-se ao centro da capital paulista. A intenção do movimento é ampliar essa política, garantindo assim um número maior de espaços públicos para uso pelos moradores, inclusive nas periferias, de modo a evitar o deslocamento das pessoas. “A periferia ainda tem a rua como lugar de lazer, mas não é um espaço acolhedor e divertido. As crianças estão ali mais por falta de opção do que por haver algo interessante acontecendo”, comenta.

Ao usufruir mais das ruas, as pessoas se envolvem com a cidade e passam a cobrar mais dos responsáveis, acredita o diretor do movimento. “Utilizar o espaço público é exercer a cidadania, por isso, é importante resgatar esse hábito nas crianças. O mundo é muito mais interessante e diverso do que o parquinho do prédio. Entendo que esse tipo de bolha é ruim para a criança e ruim para a cidade”.

Programação do evento

A palestra de abertura do evento, na segunda (8), será proferida pela pedagoga e antropóloga Adriana Friedman, Ela irá apresentar resultados de um trabalho de escuta que coordenou, com 240 crianças do Brasil inteiro durante a pandemia. “As crianças nos contaram, por meio de vídeos, falas e desenhos, o que estavam vivendo na pandemia. E esses dados são bem importantes, porque se tratou de um processo de escuta, orientado pelo coletivo A vez e a voz das crianças, com autorização dos pais e consentimento das crianças”, explica a especialista.

Na terça-feira (9), estão previstas apresentações do médico sanitarista Jorge Kayano, que falará sobre os espaços tradicionais de educação no pós-pandemia; o professor Braz Rodrigues Nogueira, que irá contar da experiência da escola sem muros na EMEF Campo Sales, em Heliópolis (SP); e do empreendedor Roni Hirsch, que falará do Erê Lab, empresa especializada em mobiliário urbano para crianças. Já a professora Maria Imaculada Sanches, de Cabo Verde, trará um relato sobre o espaço público e o brincar em Praia (Cabo Verde). As conversas serão mediadas por Ivana Moreira, diretora e fundadora da Canguru News.

Na quarta-feira (10), Giuliana Filiponni, da  Secretaria de Desenvolvimento Urbano da cidade de Buenos Aires, apresenta um trabalho sobre participação popular na construção de políticas públicas e o projeto Cidade Amiga; e Vander Lins, coordenador de Eventos, Turismo e Lazer da Cidade de São Paulo, conversa sobre o poder público e a implementação de projetos culturais na cidade. O arquiteto e urbanista Rodrigo Mindlin Loeb, fará a palestra “Como construímos uma cidade mais humana?”; e, por fim, Lu Lopes, também conhecida como a palhaça Rubra, apresenta o projeto Jardins Criativos e as pessoas como protagonistas da rua. O evento acontece no Youtube do Movimento R.U.A.


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