Vida após a maternidade: se eu postar a verdade, alguém vai curtir?

A escritora Sheila Trindade reflete sobre o difícil equilíbrio entre cuidar dos filhos e cuidar de si; "Existe vida paralela à das crianças ou dá para misturar tudo?"

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Menina assiste a show nos ombros dos pais
Por que não levar os filhos para se divertir e se divertir também? / | Crédito: depositphotos. com
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Todos os dias, rolo o feed em busca de identificação. Tenho consumido muito conteúdo de pessoas que estão estudando, pela similaridade de gostos e perrengues costumeiros. Sigo também muitas mães empreendedoras que retornaram para a vida social, já com os filhos maiores e que demandam menos cuidado exclusivo. Mães que saem e se divertem com as amigas. Mulheres bonitas que postam fotos sensuais e lindas. Gente que não fala só sobre maternidade. Tudo isso me fez refletir sobre o que quero da minha vida. Só minha. Nada atrelado ao que quero para os meus filhos, até porque, acredito que muito do que idealizamos é bobagem. Filhos seguem o próprio rumo, só podemos indicar a direção, mas cada passo é deles mesmos, não nossos. Nos resta os bastidores, o palco é todo deles. 

Enfim. 

E o que será de mim? Será que quero ser aquela pessoa de balada, que sai com as amigas? Ou a louca dos gatos que fica em casa e assiste a séries? O equilíbrio, talvez? Talvez. 

Confesso, nessas conversas comigo mesma, sigo um pouco perdida. Quando crianças, fantasiamos que mães sabem de tudo e que aos 35 tudo estará resolvido. Esse “meio-caminho” nos força a pensar nas possibilidades que passaram e não aproveitamos. Pensar também nas que ainda restam para seguirmos. Há ainda muito para se viver ou essa seria só mais uma fantasia minha? 

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Esses últimos dias tenho tido a sensação de pressa em realizar feitos. Como se a vida fosse se esvair mais rápido do que os últimos 35 anos. Como se os anos fossem areia caindo rápido por uma ampulheta cruel. 

Mas e aí? Se eu postar a verdade, você vai curtir? Se eu contar que meu último mês de estágio finalmente foi agendado e por isso não poderei levar minha filha às aulas brincantes na parte da tarde, e sob protestos “equilibramos” que ela só irá às terças e quintas, você me achará muito egoísta? Se eu contar que estou ansiosa para que chegue logo a data da minha viagem, quando ficarei quatro dias sozinha, em São Paulo, você me achará uma pessoa muito ruim? 

Assim como as mulheres incríveis que sigo e me inspiro, eu acredito, há aquelas que julgam suas escolhas por viver além da maternidade. Há vida após a maternidade? Ao decorrer dela, podemos viver esta vida paralela? Realmente, não há espaço para misturarmos tudo? 

Ao buscar minha filha na escola um dia desses, conversávamos sobre shows que ela gostaria de assistir. Planejamos, quando ela estiver mais velha, assistir a Pitty. O mais velho pediu para ir ao Rock in Rio ano que vem. E eu pensei: Por que cargas d’água eu tenho que separar tudo? Dá para ser uma boa mãe e curtir ao mesmo tempo. Nunca havia sonhado em ir ao Rock in Rio. Analisando e pontuando tudo o que quero ainda viver, seria uma experiência incrível viver isso ao lado do meu filho. “Seria”? Não. Será. 

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