Lembranças da época em que prestei vestibular

O economista Carlos Eduardo Costa recorda os desafios da época em que prestou o exame – e passou em primeiro lugar na UFMG! – e destaca a importância da leitura de notícias para a formação das crianças

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Mão de jovem escreve com caneta sobre papel, uma referência ao vestibular

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Quando criança, uma coisa que me impressionava era o vestibular da época que era realizado no estádio Mineirão. Milhares de candidatos faziam lá suas provas para tentar entrar na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Quando ia aos jogos de futebol, observava no chão das arquibancadas as marcações que serviam para os candidatos. Alguns anos depois, com o crescimento do número de candidatos, o vestibular se espalhou por diversos locais de Belo Horizonte.

Ao entrar no segundo grau (como era conhecido na minha época o ensino médio), o vestibular começou a se aproximar da minha vida escolar. No 2o ano, resolvi me inscrever e fazer as provas para testar. Passei com facilidade na 1a etapa que era constituída de questões de múltipla escolha de todas as matérias. Fui então para a 2a etapa com as provas abertas das disciplinas específicas. No caso do curso de Economia, eram Português e Redação, Matemática, Geografia e História. Fui bem em todas as provas, exceto matemática. Das oito questões, seis eram de conteúdos do terceiro ano. Das duas restantes, a de multiplicação de matrizes não lembrava de jeito algum a forma de resolução. Acabei não passando na 2a etapa. Mesmo sendo só um teste, foi uma ducha de água fria. Sempre tinha sido um excelente aluno.

Com esse resultado, acabei sentindo uma pressão grande ao longo do terceiro ano. Tinha escolhido um curso (Ciências Econômicas) que tinha um número razoável de candidatos por vaga. No segundo semestre, parei de trabalhar. Desde os 14 anos, trabalhava fora. Inicialmente na empresa de um amigo do meu pai e depois na empresa da minha mãe. Dediquei-me bastante aos estudos. Uns três meses antes do vestibular, resolvi entrar em cursinho de pré-vestibular. As aulas eram à noite. Além de acompanhar as aulas, o cursinho também servia para estar junto com amigos. Tinha começado a namorar e a vida social era uma forma de esquecer um pouco de equações, análise sintática e revolução francesa.

Todo o esforço foi recompensado. Passei nos três vestibulares que prestei. No da UFMG, o mais concorrido, fiquei em primeiro lugar no curso de Economia e entre os dez primeiros do geral. Poderia ingressar em qualquer curso que tivesse escolhido.

Muitos anos depois, já formado e com alguns anos de experiência profissional, resolvi empreender em uma nova área. Decidi buscar uma nova graduação. Matriculei-me em um cursinho pré-vestibular. Precisava recordar vários conteúdos. Mas não sentia a mesma ansiedade dos jovens que estavam tentando o primeiro vestibular. A experiência me permitiu também trabalhar bem melhor a prova. Para responder cada questão, usava o que eu sabia e também o que não sabia. Fui aprovado para o curso de Educação Física da UFMG. Frequentei dois períodos, mas após uma longa greve dos professores, decidi trocar a graduação por um mestrado.

Em 2010, a UFMG passou a aceitar o resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como substituição à primeira etapa do seu vestibular. Diversas faculdades e universidades já tinham adotado o Enem como forma de acesso ao ensino superior. A Maria Eduarda irá prestar o Enem no final de 2026. Falta muito tempo ainda. Ela ainda não tem clareza do curso que pretende frequentar. Apesar disso, é importante que ela já tenha algumas práticas que poderão ajudar quando chegar a hora. Uma delas é acompanhar o que está acontecendo em nosso país e no planeta e já ir formando uma capacidade de análise e um senso crítico.

E você? Além dos estudos, o que você acha que pode ajudar seus filhos a se preparar para o Enem?


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Carlos Eduardo Freitas Costa é pai de Maria Eduarda, 13 anos, e João Pedro, 5 anos. Tem formação em ciências econômicas pela UFMG, especialização em marketing e em finanças empresariais e mestrado em administração. É autor de diversos livros sobre educação financeira para adultos e crianças, entre os quais: 'No trabalho do papai' e 'No supermercado', além da coleção 'Meu Dinheirinho'. Saiba mais em @meu.dinheiro

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