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Casos de miopia crescem até 3 vezes entre crianças na pandemia, diz estudo
Um estudo feito na China confirma o que muitos médicos já vinham alertando e os pais temiam: o excesso de tempo no celular ou tablet prejudica seriamente a visão das crianças. Pesquisa publicada em janeiro na revista científica “Jama Ophthalmology” mostra que, em 2020, a prevalência de casos de miopia em crianças entre 6 e 8 anos de idade cresceu até três vezes em comparação com os cinco anos anteriores.
As longas horas dedicadas aos eletrônicos, sem intervalos para descanso e em telas geralmente pequenas, somadas à redução de atividades ao ar livre são os principais fatores apontados pelos pesquisadores para o aumento desse distúrbio de visão que dificulta ver com clareza objetos distantes. O estudo teve como objetivo investigar a associação de confinamento domiciliar durante o surto Covid-19 com o desenvolvimento de miopia em crianças em idade escolar na China, e foi realizado durante 6 anos consecutivos, entre 2015 e 2020, em mais de 123 mil crianças de 6 a 13 anos de 10 escolas primárias da cidade de Feicheng. A análise se baseou na técnica de photoscreening, exame que usa uma câmera para observar os olhos sem dilatação.
As crianças de 6 anos foram as mais afetadas: em 2020, 21,5% desse grupo apresentaram o distúrbio, sendo que nos cinco anos anteriores a prevalência mais alta registrada havia sido de 5,7%. A maioria dos casos de miopia foi considerada leve. Não houve alterações significativas na visão das crianças entre 9 e 13 anos de idade. Segundo o estudo, as crianças mais novas estão mais sensíveis às mudanças ambientais do que as mais velhas, por se encontrarem em um período crítico para o desenvolvimento da miopia.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que metade da população mundial pode ser míope em 2050. A entidade destaca que o aumento do tempo gasto em ambientes fechados e de atividades que implicam uma “visão de perto” fazem com que cada vez mais pessoas sofram de miopia. A OMS também afirma que o aumento do tempo ao ar livre pode reduzir esse risco.
Leia também: 2020: o ano que mais prejudicou a visão das crianças
Dados sobre incidência de miopia em crianças
Miopia em crianças de 6 anos, segundo o estudo chinês:
21,5% em 2020 – contra 5,7% em 2019 (prevalência mais alta registrada nessa idade ao longo dos 5 anos)
Miopia em crianças de 7 anos:
26,2% em 2020 – contra 16,2% em 2018 (prevalência mais alta registrada nessa idade ao longo dos 5 anos)
Miopia em crianças de 8 anos:
32,7% em 2020 – contra 27,7% em 2018 (prevalência mais alta registrada nessa idade ao longo dos 5 anos)
Nas crianças de 9 anos, a prevalência de miopia foi alta em 2020 – 45,3% – mas não houve grande aumento em relação aos anos anteriores – 43,5% foi a maior prevalência registrada em 2018, explica o estudo chinês.
Embora as alterações tenham sido observadas em ambos os sexos e em ambos os olhos, os pesquisadores afirmam que, de acordo com o levantamento, as meninas desenvolveram miopia mais cedo do que os meninos, e o olho direito era mais míope do que o esquerdo.
Leia também: Aumento de casos de miopia pode ter relação com uso de telas e rotina em ambientes fechados
2020: o ano que mais prejudicou a visão das crianças
Para a pediatra e colunista da Canguru News, Talita Rizzini, a prevalência da miopia está crescendo de forma preocupante e aqueles que estão ficando míopes estão ficando míopes com graus maiores. Em artigo recente, Talita avalia que o ano de 2020 será marcado, sob o ponto de vista oftalmológico, como o ano em que mais causamos danos ao desenvolvimento da visão das crianças. “As horas de tela aumentaram consideravelmente, tanto com o uso funcional para as aulas on-line quanto com o uso recreativo. Além disso, o confinamento impediu horas de lazer ao ar livre, sob o sol, que tanto contribuem para o desenvolvimento saudável da visão”, diz ela. Segundo a médica, ao usar muito o foco para a visão de perto, os olhos passam a ter dificuldade de fazer o foco para longe. “O ditado “a função faz o órgão” tem sido válido para os nossos olhos e, com o passar do tempo, essa condição pode ser permanente e evoluir até com perda visual”, complementa.
Como ações preventivas, Talita sugere:
- Realizar atividades de recreação ao ar livre
- Ficar expostas à luz solar
- Desencorajar o uso de aparelhos eletrônicos, principalmente antes dos três anos de idade
Para as crianças maiores que usam as telas:
- Definir momentos de descanso em que a criança ou adolescente possa repousar os olhos no horizonte, focando objetos a distância (ainda que seja pela janela).
- Alguns oftalmologistas sugerem a regra 20-20-20: após 20 minutos de tela, focar em um objeto 20 metros distante por 20 segundos.
- Espelhar a tela do smartphone ou tablet na televisão também é uma maneira de aumentar a distância de foco.
Leia também: Leia também: Problemas de visão: especialista sugere cuidados e explica como identificá-los
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Verônica Fraidenraich
Editora da Canguru News, cobre educação há mais de dez anos e tem interesse especial pelas áreas de educação infantil e desenvolvimento na primeira infância. Tem um filho, Martim, sua paixão e fonte diária de inspiração e aprendizados.
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