Livros que se dedicam a espichar, inverter ou reelaborar os ditados

O escritor Leo Cunha comenta dois livros que "viram" os provérbios de cabeça para baixo e brincam com os possíveis sentidos dos ditados e mesmo com sua origem

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O velho ditado já ensina: quem conta um conto aumenta um ponto. Mas sabia que isso também serve para os próprios ditados? Uma brincadeira bem divertida é pegar uma expressão, provérbio ou dito popular e recriá-los. Eu mesmo me joguei nessa brincadeira, em um dos meus primeiros livros, “O menino que não mascava chiclê”, publicado lá em 1994 pela editora Paulinas. Recentemente, topei com dois livros infantis muito interessantes que se dedicam a espichar, inverter ou reelaborar os ditados.

Em QUEM RI POR ÚLTIMO RIMA MELHOR, o casal Daniel Medina e Renata Bueno, que é uma dupla também “na vida real”, dedica-se a virar os provérbios de cabeça pra baixo. Boca fechada não beija moça! De grão em grão, a galinha fica sem papo! Cada um por si e adeus pra todos! São apenas uma ou duas frases por página dupla, em diálogo com ilustrações multicoloridas, em tons chapados e traços muito bem humorados, que muitas vezes propõem brincadeiras visuais para o leitor embarcar. O livro já existia em uma edição anterior da Moderna, mas ganhou bastante com o novo formato e as novas imagens.

QUEM CONTA UM CONTO AUMENTA UM PONTO, de Bel Assunção Azevedo já deixa seu propósito claro, no subtítulo: “Histórias criadas a partir de ditados populares”. Os 25 provérbios, todos bastante conhecidos Brasil afora, servem de estopim para narrativas curtas, algumas mais divertidas, outras mais poéticas. De forma leve e provocadora, os textos brincam com os possíveis sentidos do ditado, e mesmo sua possível origem. Às vezes, a autora – que é filha do escritor e ilustrador Ricardo Azevedo, grande especialista em nossa cultura popular – aposta nas quadrinhas, outras vezes numa prosa que se aproxima do tom da fábula, na qual o ditado funciona como a “moral da história”. Ótima pedida para pensar e repensar sobre essas frases tão marcantes que povoam nosso dia-a-dia.

Ficha Técnica:
QUEM RI POR ÚLTIMO RIMA MELHOR. Texto de Daniel Medina e Renata Bueno, ilustrações de Rebata Bueno. Editora Elo, 2021.
QUEM CONTA UM CONTO AUMENTA UM PONTO. Texto de Bel Assunção Azevedo, ilustrações de Sônia Magalhães. Editora Autêntica, 2020.

Sobre os autores:
Daniel Medina é escritor, cineasta e animador.
Renata Bueno é escritora e artista visual.
Bel Assunção Azevedo é escritora e cientista social.
Sônia Magalhães é ilustradora, artista plástica e professora de artes.


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O escritor Leo Cunha publicou mais de 60 livros, como "Um dia, um rio" (Ed. Pulo do Gato), "Infinitos" (Ed. Melhoramentos), “Vira-lata” (Ed. FTD) e "A grande convenção dos sapos" (Ed. Globo). Recebeu os principais prêmios da literatura infantil brasileira, como Jabuti, Nestlé, FNLIJ, Biblioteca Nacional e João-de-Barro. É também jornalista, tradutor e professor universitário.

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