Fake ou fato? Tudo que você precisa saber sobre a vacina contra Covid-19 em adolescentes

A pediatra Marcela Noronha comenta as principais polêmicas sobre o assunto para acabar com as dúvidas e inseguranças dos pais

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Fake ou fato? Tudo sobre a vacina contra Covid-19 em adolescentes
É fato que quanto maior o número de pessoas vacinadas, menor será a disseminação da doença

Leia em 4 minutos

Infelizmente, o coronavírus chegou para ficar. A pandemia está acabando, mas isso não significa que ele irá desaparecer. Esse vírus se tornará agora endêmico, ou seja, continuará afetando pessoas e as deixando doentes, porém com um padrão estável de contaminação, por isso precisamos continuar nos cuidando e aprendendo cada vez mais a lidar com a doença.

As maneiras efetivas que temos para o controle da pandemia até o momento já são velhas conhecidas: distanciamento social, uso de máscaras e vacinas. Aguardamos ansiosamente medicamentos que possam curar as pessoas que estejam doentes, mas isso ainda não é uma realidade. A vacina é a melhor forma de prevenção até o momento, ela é, portanto, fundamental para conseguirmos controlar a doença, inclusive nos adolescentes.

Vamos entender por que a vacina é segura e recomendada nessa faixa etária? Para isso, preparei um fato ou fake explicando as principais polemicas envolvendo a vacina contra Covid-19 em adolescentes para acabar com as dúvidas e inseguranças dos pais.

Fato: Até o momento, apenas a vacina da Pfizer está aprovada para ser usada em adolescentes de 12 a 17 anos.

Dica: Na hora de vacinar essa faixa etária, verifique se estão oferecendo a vacina correta (Pfizer). Outras vacinas ainda não estão liberadas.

Fake: Crianças e adolescentes não contraem Covid-19  de forma grave e, por isso, não precisam se vacinar.

As crianças e adolescentes podem sim contrair a doença, adoecer de forma grave e até mesmo ir a óbito. Embora em número muito menor do que nos adultos, crianças e adolescentes acometidos pela Covid-19 podem apresentar sequelas, inclusive cognitivas e com prejuízo no aprendizado.

Fato (chocante!):  Hoje, a Covid-19 é a doença imunoprevenível que mais mata crianças e adolescentes no Brasil.

Mesmo a incidência de Covid-19 sendo menor em crianças e adolescentes do que em adultos, a doença é muito prevalente na sociedade no momento atual, por isso o número total de mortes de acometidos por ela nessas faixas etárias é muito maior do que por todas as outras doenças infectocontagiosas preveníveis por vacina juntas.

Fake : Adolescentes que recebem o imunizante da Pfizer têm grande chance de apresentar miocardite (inflamação do músculo do coração) por conta da vacina.

A incidência de efeitos adversos graves, como a miocardite, é extremamente baixo: 16/1.000.000 de pessoas que receberam as duas doses da vacina Pfizer. Até o momento, a grande maioria dos adolescentes que apresentaram miocardite se recuperaram bem e sem sequelas ou necessidade de suporte de internação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A incidência de miocardite causada pela Covid-19 é 30 vezes maior e com muito mais repercussão do que a vacina. Mais um motivo para promover a vacinação.

Fato: A taxa de mortalidade por Covid-19 em crianças brasileiras é 7 vezes maior do que nas americanas e 15 vezes maior do que nas inglesas.

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica é rara, mas mata 4 vezes mais no Brasil do que nos EUA. Muito provavelmente, temos esses números tão altos por conta das condições precárias de saneamento básico e de saúde do nosso vasto Brasil. São dados tristes e alarmantes.

Fake: Crianças e adolescentes não transmitem Covid-19.

As crianças e adolescentes ficam menos doentes do que os adultos e dificilmente adoecem de forma grave, porém podem transmitir a doença tanto quanto eles.

Fato: Quanto maior o número de pessoas vacinadas, menor será a disseminação da doença.

Nos últimos 60 dias, houve uma diminuição de 60% no número de casos e 58% de mortes por Covid-19 no Brasil, e a vacinação da população provavelmente é o principal fator que contribui para essas quedas significativas do avanço da doença. A vacinação dos adolescentes pode contribuir ainda mais para o seu controle.

Fake: Adolescentes estão morrendo após tomar vacina.

Não há nenhuma morte comprovadamente relacionada a vacina até o momento, e a adolescente que faleceu em São Bernardo, segundo nota do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), não apresentou qualquer doença cardiológica. O quadro clínico e exames complementares sugerem Purpura Trombótica Trombocitopênica, uma doença rara, grave e que não está relacionada, até o momento, com a vacina contra Covid-19. Vacinar é um ato individual e comunitário para a proteção de todos, e imunizar os adolescentes permitirá um retorno escolar ainda mais seguro. Mais de 10 milhões de doses de vacinas contra Covid-19 já foram aplicadas em adolescentes de mais de 14 países, e o imunizante da da Pfizer se mostra seguro e eficaz para adolescentes de 12 a 17 anos. Vamos juntos mostrar a segurança da vacina e levar mais saúde para todos.


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Pediatra, educadora parental e nefrologista infantil. Mãe do Lucas, 9 anos, e da Isabela, 3 anos. Formada em medicina pela Universidade São Francisco (SP) em 2006, com residência em pediatria pelo Hospital Menino Jesus de São Paulo, e especialização em nefrologia infantil pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Educadora Parental certificada pela Positive Discipline Association. Fez pediatria por vocação e tem como missão de vida tornar crianças e adultos felizes, respeitosos, com inteligência emocional, senso comunitário, física e emocionalmente saudáveis.

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