Pais, cuidado com o grito

A psicóloga Camila Cury diz que o grito não deve ser usado como recurso de educação, pois gera ansiedade e outros prejuízos para as crianças

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Pais, atenção: o grito não pode ser recorrente na relação com os filhos; ilustração mostra mãe e pai falando em alto-falante direcionado ao filho que tampa os ouvidos com as mãos
Pais, atenção: o grito não pode ser recorrente na relação com os filhos; ilustração mostra mãe e pai falando em alto-falante direcionado ao filho que tampa os ouvidos com as mãos

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Em vários momentos, o grito é um excelente recurso para tirar os filhos de situações de perigo. Entretanto, muitas vezes, ele é mal utilizado pelos pais, o que provoca prejuízos para as crianças e adolescentes, inclusive, para quem grita. Neste artigo, vou falar sobre a importância de termos uma comunicação assertiva com nossos filhos e apresentar estratégias de como fazer isso.

O grito não pode ser recorrente na relação entre pais e filhos. Quando você utiliza o grito como um recurso de educação, você prejudica a comunicação entre os dois lados do cérebro do seu filho, aumentando o nível de ansiedade dele, tornando-o mais inseguro e, até mesmo, deprimido.

Ainda, ele terá dificuldade de atenção, pois só conseguirá responder quando o alarme (o grito) tocar. Isso gerará muitos danos psicológicos não só na infância, mas, também, na adolescência e vida adulta.

Família, cuidado com o grito. A explicação para seu filho não lhe ouvir está no registro da memória. Quando você grita, a sua imagem não é registrada de forma privilegiada no córtex cerebral da criança ou do adolescente. O quanto você é grande no inconsciente do seu filho é o que fará com que os seus ensinamentos sejam poderosos e assertivos.

E você se torna grande quando elogia antes de criticar; quando surpreende seu filho mesmo quando ele não merece; quando você divide sua história com ele. Assim, quando for preciso corrigi-lo, você não vai precisar desse subterfúgio tão nocivo para o desenvolvimento que é o grito.

E por que nós gritamos? Você grita porque está cansado? Ou porque fala mil vezes a mesma coisa e parece que não provoca uma reação no outro? Independentemente do motivo pelo qual você grita, é importante entender que o grito é pouco efetivo. Então, por mais que possa parecer um recurso fácil, ele vai prejudicar também a sua qualidade de vida.

Depois do grito, vem o desgaste, o cansaço, a gente desmorona, se sente culpado e incapaz. O grito não é saudável para nenhuma relação, a começar pela relação com você mesmo.

Eu sei que, muitas vezes, desejamos corrigir nossos filhos naquele momento. Mas se você estiver angustiado ou estressado e se aquela situação não for colocar seu filho em risco, não grite! Deixe a correção para depois. Se você gritar, o prejuízo será maior do que se você o corrigir meia hora depois ou no próximo dia.

Nós precisamos nos conhecer, saber quais são nossos limites e entender que uma relação saudável com os filhos faz toda a diferença em como iremos conduzi-los de maneira inteligente para suas escolhas, seus relacionamentos e para os desafios da vida moderna.

Então, família, seja grande, não no tom de voz, mas dentro da sua mente. Elogie mais. A psicologia traz que nós precisamos elogiar três vezes mais do que criticar nossos filhos. Você elogia três vezes mais do que critica?


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Camila Cury é psicóloga e autora do livro “A beleza está nos olhos de quem vê” (Ed. Sextante). É presidente e fundadora da Escola da Inteligência, maior programa de educação socioemocional do Brasil, aplicado em mais de 1,2 mil escolas. Tem dois filhos, Augusto, de 4 anos, e Alice, de 3.

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