Para o ano novo, semeie um bom relacionamento com seu filho

Para a psicóloga Camila Cury, mais que corrigir comportamentos das crianças, é preciso fortalecer vínculos e promover uma educação que as prepare para a vida

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Mãe e filha se abraçam agachadas em frente à árvore de Natal
Diante de conflitos com os filhos "costumamos ter as mesmas ações, apesar de sabermos que não alcançaremos o resultado desejado", comenta Camila Cury

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Tem uma frase famosa que diz: “você é responsável pelo que fala, não pelo que o outro entende”. Mas isso é uma inverdade. Nós somos também responsáveis por aquilo que colhemos da relação com o outro, mesmo que parcialmente. Neste artigo, quero que você faça uma reflexão sobre o que você desperta nas pessoas, especialmente, em seu filho, e quero lhe fazer um convite para mudar estratégias e agir com inteligência emocional.

Neste fim de ano, estamos cansados e, muitas vezes, mais estressados e isso acaba gerando certos conflitos dentro de casa. Certo dia, meu filho Augusto começou a chorar na hora do jantar porque ele não queria comer e, sim, ver desenho. Ele também não queria comer sozinho, ação que eu sempre incentivo para gerar mais autonomia e independência para as crianças. Quando ele começou a chorar, senti vontade de dar uma bronca. Este não seria um comportamento errado, mas seria pouco estratégico.

É impressionante como costumamos ter as mesmas ações, apesar de sabermos que não alcançaremos o resultado desejado. Por isso, em vez de dar a bronca, eu gerenciei minhas emoções, fiz o silêncio proativo e pensei: o que eu quero ganhar do meu filho, que ele coma sozinho ou que ele aprenda a, também, gerenciar suas emoções?

Então, após essa autorreflexão, respirei fundo, coloquei ele no meu colo e falei que eu daria o jantar para ele. Enquanto ele comia, cantamos, brincamos e ele comeu quase o prato todo. Nesse momento, eu entendi que a minha relação com meu filho necessitava de mais vínculo e que a intenção da minha educação não poderia ser baseada na correção de um determinado comportamento. O processo educacional tem que preparar o indivíduo para a vida.

Depois do jantar, percebi que o Augusto estava mais calmo e carinhoso com todos. Ele estava estabilizado emocionalmente. Eu o parabenizei pela generosidade dele e aproveitei a ocasião para ensiná-lo que a vida é uma semeadura, na qual, quando plantamos generosidade, colhemos generosidade. Às vezes, não naquele momento, mas, um dia, colheremos.

E que, claro, podemos errar. Entretanto, todos os dias, temos a oportunidade de fazer diferente. Faça de 2022 um ano de boas colheitas no relacionamento com a sua família!


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Camila Cury é psicóloga e autora do livro “A beleza está nos olhos de quem vê” (Ed. Sextante). É presidente e fundadora da Escola da Inteligência, maior programa de educação socioemocional do Brasil, aplicado em mais de 1,2 mil escolas. Tem dois filhos, Augusto, de 4 anos, e Alice, de 3.

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