Depois da pandemia, educação nunca mais será a mesma

Afora as desigualdades de acesso à internet que o ensino remoto escancarou, é bem provável que as avaliações diagnósticas, a serem feitas quando as aulas presenciais forem retomadas, revelem enormes disparidades de aprendizagem

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Consequências da pandemia na educação: o ensino híbrido veio para ficar; na imagem, mãe acompanha o filho nos estudos online
Estender o ano letivo de 2020 até 2021 é uma das possibilidades para diminuir as disparidades de conhecimento entre alunos, quando as escolas reabrirem

A educação não será mais a mesma após a pandemia de covid-19. À medida que as redes de ensino começam a se preparar para a retomada das aulas presenciais, claro está que o ensino remoto continuará fazendo parte da rotina de professores e estudantes. Afinal, a reabertura das escolas será gradual e, enquanto uma parcela dos alunos estiver em sala, outra permanecerá em casa, aprendendo pela internet, pelo celular, pela TV, pelo rádio ou por apostilas. Ainda estamos para conhecer as consequências da pandemia na educação e, em especial, no atual ano letivo.

Após a pandemia escancarar desigualdades de acesso à internet e dificuldades de toda ordem para que crianças e adolescentes estudem em casa, não será surpresa se as avaliações diagnósticas − a ser realizadas tão logo os alunos retornem às aulas presenciais − revelem enormes disparidades de aprendizagem.

Uma das possibilidades é fundir o ano letivo de 2020 com o de 2021, de maneira que ambos passem a compor um ciclo. Se tal ideia prosperar, eventuais reprovações de alunos seriam deixadas para o final do ciclo, isto é, quando 2021 terminar. Assim, as escolas teriam melhores condições de recuperar o tempo perdido. No caso dos alunos do último ano do ensino médio, cogita-se criar um quarto ano, com matrículas voluntárias.

Tudo vai depender, claro, da evolução da pandemia e da efetiva reabertura das escolas.

Seja como for, o ensino caminha para um formato híbrido, combinando aulas presenciais e atividades remotas.

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Na educação infantil, há desafios adicionais. Após quase quatro meses sem aulas, cresce o número de escolas particulares que fecham as portas, devido à perda de alunos e de receitas.

Em geral, são os estabelecimentos de menor porte os que sucumbem primeiro. Pesa o fato de que as crianças tendem a se engajar menos
no ensino remoto, o que pode contribuir para a decisão de muitos pais. Além disso, a matrícula em creches não é sequer obrigatória.

De acordo com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), de 30% a 50% das escolas privadas de educação básica (infantil, fundamental e médio) no estado estão sob risco de fechamento. Não à toa, o sindicato pressiona o governo estadual a antecipar a reabertura anunciada para 8 de setembro.

Em todo o Brasil, o setor privado é responsável por 27% das matrículas na educação infantil, o que corresponde a 2,5 milhões de crianças. Caso haja migração para a rede pública, como as prefeituras farão para atender essa nova demanda? Sem dúvida, as consequências da pandemia na educação vão muito além de 2020.

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