Volta às aulas: por que as crianças pequenas tendem a ser priorizadas

Especificidades da educação infantil não favorecem o ensino remoto; no exterior, países como Dinamarca e Noruega e mesmo Madri, na Espanha, privilegiaram as turmas iniciais

Retomada das aulas presenciais: o que pesa a favor das crianças pequenas, como esta da imagem que mostra as mãos sujas de tinta
No geral, reabertura das escolas tem começado pelas áreas menos afetadas pela covid-19, com turmas reduzidas e alternadas

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Quem deve voltar à escola primeiro: crianças pequenas ou adolescentes? Eis uma das tantas questões sobre a retomada das aulas presenciais, seja lá quando for.

Com o novo coronavírus à espreita, ninguém espera que meninos e meninas de 4 ou 5 anos sigam à risca as orientações de segurança, mantenham distância dos coleguinhas e permaneçam de máscara o tempo inteiro. Se é para garantir o cumprimento das regras de proteção, melhor optar pelos alunos das séries mais avançadas. Mas não é isso que tem ocorrido em todos os países.

O assunto foi tema de um webinário da Fundação Getúlio Vargas neste mês. À luz da experiência internacional, a representante da UNESCO no Brasil, Marlova Noleto, destacou alguns dos cuidados na reabertura das escolas.

Em geral, as aulas têm recomeçado em áreas menos afetadas pela covid-19, em dias e horários alternados, com turmas reduzidas. A opção por uma etapa ou outra busca justamente reduzir os riscos de contágio.

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Marlova chamou atenção para uma questão pedagógica que também está sendo considerada em paralelo às preocupações sanitárias: crianças, quanto menor a idade, parecem menos propensas a participar das aulas remotas. Quem tem filhos pequenos sabe muito bem disso. Sem falar, no caso de creches e pré-escolas, que a reabertura libera pais e mães para o trabalho.

Países como Dinamarca e Noruega privilegiaram justamente as turmas iniciais, contou Marlova. O mesmo foi feito em Madri, na Espanha, acrescentou o diretor da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) no Brasil, Raphael Callou.

Recentemente, ao tratar da reorganização do calendário escolar de 2020, o Conselho Nacional de Educação (CNE) fez recomendações sobre o ensino remoto para creches e pré-escolas. A principal delas é que os educadores estabeleçam um canal de comunicação com pais ou responsáveis, a quem devem orientar sobre o que fazer no período sem aulas presenciais.

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“A ênfase deve ser em proporcionar brincadeiras, conversas, jogos, desenhos”, diz trecho do parecer do CNE. Os conselheiros sugerem que as creches e pré-escolas preparem material didático impresso ou que enviem áudios ou vídeos com orientações concretas para as famílias. Exemplo: dicas sobre como ler textos em voz alta para engajar os filhos nas atividades de leitura.

O período de isolamento é também de superação. A retomada das aulas presenciais dará oportunidade às escolas para recuperar o tempo perdido − e os sistemas de ensino já discutem como fazer isso. Por ora, professores, pais e alunos devem fazer o que for possível, da melhor maneira. Sim, um passo de cada vez.

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