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Aceitar as emoções dos filhos não significa que concordamos com eles – e isso é libertador
“As emoções não são intrusas, elas são mensageiras”, escreveu o psiquiatra Daniel Martins de Barros em seu livro “O lado bom do lado ruim”.
Gosto muito dessa frase, mas ando pensando se nós precisamos mesmo classificar as emoções entre boas ou ruins, afinal, o que nós sentimos está a favor de nós e não contra nós. Um choro, por exemplo, está nos dizendo algo, independentemente “de que lugar” ele venha.
Tem gente que tem dificuldade de entender essas mensagens que nosso corpo envia. Tem gente que até entende, mas prefere ignorá-las. Tem gente que nem foi “alfabetizada” nesse idioma que dá nome para os sentimentos. Preciso dizer: são todos normais!
Se já é difícil entender o que sentimos, imagine entender o que o outro está sentindo? Isso sim é um desafio! E ficar junto com o outro que está sofrendo, “ficar na dor do outro”, é um lugar que a gente não gosta nem um pouco de ficar. A gente faz de tudo para tirar o outro daquela situação: dá um conselho, sugere uma solução para o problema, oferece um pensamento positivo, tenta mostrar que não é tão ruim assim, conta um problema maior para ver gera algum consolo…
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Precisamos separar as coisas: esse desconforto é nosso, muito mais do que do outro. Nós detestamos essa sensação de impotência.
E quando o outro é o nosso filho? Quando ele chora, fica com raiva, se sente triste, muitas vezes nós fazemos a mesma coisa: queremos tirar aquelas emoções dali, trocá-las por outras “melhores”. A gente não aguenta lidar com aquela situação, com aquela emoção “intrusa”.
Deixo aqui um convite para pensar: na hora do choro dos filhos, sou eu que não estou dando conta das emoções que surgem ou são os nossos filhos que não estão? Consigo separar o que é meu do que é deles? Aceito, de verdade, que eles chorem ou isso é uma coisa que ME incomoda?
Marisa Monte já cantou “A dor é minha, não é de mais ninguém”. E o jeito de externalizar essa dor também é de cada um. Tem gente que chora, tem gente que se fecha.
Como pais empáticos, podemos aceitar os sentimentos e as emoções dos filhos, podemos tentar compreender o que eles estão sentindo e decodificar as mensagens que estão enviando. Podemos oferecer a nossa escuta. Isso não significa que precisamos concordar com eles – porque aceitar, compreender e escutar não é concordar. Bem libertador isso, não?
Desejo boas conversas a vocês!
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
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Renata Pereira Lima
Renata Pereira Lima é mãe da Luísa, 14 anos, e do Rodrigo, 12 anos. Palestrante TEDx-SP, mestra em Antropologia, pesquisadora de mercado com foco em comportamento e facilitadora de workshops para melhorar a comunicação entre pais e filhos por meio de escuta, empatia, respeito e limites.
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