Vai dar para viajar de avião (com segurança) no fim do ano?

Estudo publicado na revista científica Jama diz que o uso de máscara e a presença de filtros de ar na cabine reduzem probabilidade de contágio

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Vai dar para viajar de avião (com segurança) em dezembro?; imagem mostra casal de costas carregando mala e andando junto com a filha pelo corredor de um aeroporto
Segundo a pesquisa, o risco maior é proveniente do contato com outros passageiros que possam estar infectados
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Depois de um ano de isolamento em casa com a família, a possibilidade de tirar umas férias e poder viajar com as crianças no verão se mostra tentadora, não? Mas fica a dúvida: é seguro viajar de avião? O fato de ser um lugar fechado em que podemos estar em contato próximo, por horas, com pessoas infectadas pelo novo coronavírus amedronta. Mas, segundo um estudo publicado este mês na revista científica Jama (sigla em inglês para Jornal da Associação Médica Americana), o risco de contrair a covid-19 durante viagens aéreas é menor do que em um prédio de escritórios, na sala de aula, no supermercado ou no trem.

A pesquisa “Riscos de Covid-19 durante as viagens aéreas” lembra que o vírus é transmitido quando alguém fala, tosse, espirra ou canta, principalmente em gotículas que podem ser impulsionadas por uma curta distância e, às vezes, em partículas menores de aerossol que podem permanecer suspensas e se deslocar para mais longe. A transmissão via contato de superfície também pode acontecer, em alguns casos, diz o estudo.

Ar da cabine do avião é renovado constantemente

No avião, o ar da cabine é renovado a cada 3 minutos. Metade desse fluxo vem de fora e a outra metade é reciclada por meio de filtros Hepa, sistema de alta eficiência usado em salas de cirurgia, que retém 99,9% dos vírus. O ar segue um trajeto que começa no teto e flui para baixo em direção às saídas no nível do chão, circulando, portanto, num percurso que se limita à mesma fileira de assentos (veja ilustração abaixo, com texto em inglês). Isso torna menos provável a propagação de partículas respiratórias entre diferentes fileiras. Além disso, os encostos dos bancos fornecem uma barreira física parcial, e a maioria das pessoas permanece relativamente imóvel, com pouco contato face a face.

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Risco maior vem do contato com passageiros infectados

Segundo a pesquisa, o risco maior é proveniente do contato com outros passageiros que possam estar infectados, que pode ser reduzido pelo uso de máscaras. Até o momento, apesar do número substancial de viajantes, foram registrados apenas 42 casos suspeitos ou confirmados de transmissão de covid-19 em todo o mundo, ressalta o artigo.

“O risco é baixo, mas não é zero. Onde há pessoas há risco de transmissão”, diz Gustavo Johanson, infectologista especializado em medicina do viajante do Hospital Israelita Albert Einstein, em entrevista à Folha de São Paulo. Segundo ele, quem se senta ao lado, à frente ou atrás de alguém doente tem mais probabilidade de se infectar. Especialistas também orientam evitar usar o banheiro e fazer lanches durante a viagem – ou, ao menos, não comer ao mesmo tempo que outros passageiros. Sentar nas poltronas da janela e ali permanecer até o fim do voo também é uma forma de reduzir as chances de contrair o coronavírus no voo.a

Máscaras tipo N95 são recomendadas para pessoas que fazem parte do grupo de risco. Os demais viajantes podem utilizar máscara de tecido ou cirúrgica e trocá-la sempre que ficar umedecida. A higiene das mãos também precisa ser frequente.

Ao pensar em realizar uma viagem de avião, portanto, é essencial avaliar todas as etapas do trajeto, desde a saída de casa até o aeroporto, o voo, chegada no destino e deslocamento até a hospedagem. “A viagem pode ter sua importância, porque o isolamento gerou processos mentais difíceis. Ela é válida, desde que seja feita de maneira segura e mais rápida possível”, declara a virologista Jordana Coelho dos Reis, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Já a infectologista Tânia Chaves, coordenadora do comitê de medicina de viagem da Sociedade Brasileira de Infectologia, acha mais prudente fazer apenas viagens essenciais. “Pior que adoecer é adoecer longe de casa”, diz ela à Folha.

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Quais são os protocolos das companhias aéreas brasileiras

As três principais companhias nacionais, Gol, Latam e Azul, exigem o uso de máscaras e criaram procedimentos no embarque e desembarque, que agora é feito por fileiras para evitar tumulto na entrada e saída do avião.

As cabines são higienizadas a cada viagem realizada e o serviço de bordo foi simplificado ou suspenso em voos de curta duração, segundo informa reportagem da Folha. A ocupação das aeronaves, no entanto, não sofreu restrições no país, diferentemente de cias aéreas como a americana Delta, por exemplo, que disse planejar manter os assentos do meio vazios até janeiro. A medida não é apoiada pela Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), que a considera economicamente inviável.

Um estudo da MIT Sloan School of Management (EUA) afirmou que manter livre a poltrona do meio pode reduzir quase à metade a chance de infecção pelo coronavírus. O estudo foi feito com base em viagens de até duas horas, realizadas nos Estados Unidos, em aeronaves com três poltronas de cada lado, onde todos estejam usando máscara. As chances de contaminação aumentam em voos demorados e diminuem quando feitos em países com poucos casos de covid-19.

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Ao viajar de avião, veja o que sugere o estudo da revista Jama aos passageiros:

  • usar máscara,
  • não viajar se não se sentir bem,
  • limitar a bagagem de mão,
  • manter distância de outras pessoas sempre que possível,
  • informar a equipe de alguém estiver indisposto,
  • se houver um bocal de ar suspenso, deixo-o direcionado para sua cabeça e mantenha-o aberto,
  • fique sentado e siga as instruções da tripulação,
  • lave ou desinfete as mãos com frequência e evite tocar no rosto.

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Como medidas de precaução nos aeroportos e a bordo do avião, é importante:

  • realização de testes de temperatura e perguntas sobre possíveis sintomas (febre, perda de olfato, calafrios, tosse, falta de ar)
  • limpeza e desinfecção aprimoradas,
  • embarque sem contato / processamento de bagagem,
  • uso de barreiras físicas e higienização em aeroportos,
  • distanciamento físico nos aeroportos e durante o embarque,
  • uso de coberturas ou máscaras faciais,
  • separação entre passageiros a bordo quando viável,
  • ajuste do serviço de alimentos e bebidas para reduzir o contato,
  • controle de acesso a corredores e banheiros para minimizar o contato,
  • limitar a exposição dos membros da tripulação a infecções,
  • facilitação do rastreamento de contato no caso de um passageiro desenvolver infecção.

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