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Presentes em excesso impedem criança a lidar com frustrações
Quando eu era pequeno, ganhava presentes basicamente em duas ocasiões: Natal e aniversário. Como nasci em fevereiro, a distância entre meu aniversário e o Natal parecia uma eternidade. Não tínhamos o costume de ganhar presentes no Dia das Crianças, em outubro. Antes brincava dizendo que essa data só surgiu após minha infância. Depois de uma palestra para pais e mães, uma das pessoas presentes me mostrou que o Dia das Crianças surgiu na década de 1950, bem antes do meu nascimento. Mas infelizmente meus pais não souberam desta notícia.
E como funcionavam as coisas no Natal e nos aniversários? Pedia um presente determinado, mas nunca havia a garantia de ganhá-lo. Podia ser que meus pais dissessem que dariam, mas também que achavam muito difícil. Os sinais eram contraditórios. A expectativa ficava alta e durava até a data. No Natal, até a véspera, quando víamos os presentes na árvore. Aí aumentavam as possibilidades, caso a embalagem combinasse com o presente sonhado ou ficava frustrado na situação contrária. Quando então
ganhávamos o que tínhamos pedido, o mundo parecia perfeito. Um dos presentes que mais aguardei e que me deixou mais feliz foi uma pequena vitrola com caixas de som para tocar meus discos. Quantos e quantos LP’s não foram ouvidos a partir dela.
E o que acontece hoje com os nossos filhos? Eles acabam ganhando presentes a todo o momento. Qualquer situação é justificativa para presentear. Eles parecem tristes, damos presente. Estamos tristes, damos presentes. Eles pedem algo, damos presente. A lua está bonita, damos presente.
E qual o maior problema com este comportamento? Tiramos toda a expectativa de nossos filhos e também eliminamos as suas frustrações. Sem terem alimentado uma expectativa mais prolongada, é difícil às crianças criarem um vínculo maior com o presente ganho. Até porque sabem que logo estarão ganhando um novo. E sem lidar com as frustrações, elas acabam não se preparando adequadamente para o futuro.
E qual seria uma possível saída? Acredito que cada família deveria criar, seguindo suas tradições, um calendário marcando em quais datas os filhos serão presenteados. E você, acha isso uma boa ideia?
Leia também: Qual a diferença entre amar e mimar os filhos?
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Carlos Eduardo Costa
Carlos Eduardo Freitas Costa é pai de Maria Eduarda e do João Pedro. Tem formação em ciências econômicas pela UFMG, especialização em marketing e em finanças empresariais e mestrado em administração. É autor de diversos livros sobre educação financeira para adultos e crianças, entre os quais: 'No trabalho do papai' e 'No supermercado', além da coleção 'Meu Dinheirinho'. Saiba mais em @meu.dinheiro
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