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Lentes coloridas para tratar ‘Síndrome de Irlen’ podem ser placebo, diz SBP
Da Redação
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio de seu Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento, emitiu uma nota oficial nesta terça-feira (12) para se posicionar sobre a Síndrome de Irlen – distorção da percepção na leitura, leitura lenta ou ineficiente e perdas de palavras em linhas de leitura. A carta de esclarecimento atende a um pedido de pediatras de todo o país.
A conclusão da nota é que “ainda serão necessários mais estudos com metodologia adequada e rigor científico para recomendar a utilização das lentes como método terapêutico eficaz e comprovado.”
A nota cita um estudo que conclui que “lentes coloridas ou superposições coloridas não devem ser aprovadas e recomendadas pelo fato que os resultados clínicos em indivíduos podem ser resultados de efeito placebo ou também pelo conhecido ‘efeito de Hawthone’ onde os aspectos psicológicos induzem a melhora da sintomatologia independente do método utilizado”.
O comunicado também afirma ser “um fato perturbador que traz muita preocupação” a preconização, pelos defensores da Síndrome de Irlen, de que “somente os centros certificados pela organização que possuem as lentes com a coloração correta e qualquer outra mesmo com as mesmas colorações não funcionam como terapêutica“.
CLIQUE AQUI para ler a nota na íntegra
A nota da SBP converge com a posição da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), que, em julho deste ano, também emitiu um parecer sobre a Síndrome de Irlen. O documento cita normativo do Conselho Federal de Medicina (CFM), que, em 2014, baseado em pesquisa e estudo de literatura científica, concluiu como placebo o tratamento proposto para a disfunção de leitura.
O texto da SBOP cita também o desaconselhamento feito pela Academia Americana de Pediatria (AAP) em 2009, contra o uso de lentes e filtros coloridos para o tratamento de crianças com dificuldades de leitura.
Em outro trecho da nota da SBOP, a instituição diz que “em 2014, em declaração conjunta da AAP, Academia Americana de Oftalmologia (AAO) e a Associação Americana de Oftalmologia Pediátrica (AAPOS), conclui-se que muitos dos estudos citados até então como prova da eficiência da lente e filtros coloridos para a Síndrome de Irlen não foram conclusivos.
As recomendações das entidades, portanto, são para que as crianças que apresentam sinais de dificuldades de aprendizagem devem ser referidas no início do processo, para avaliações diagnósticas educacionais, psicológicas, neuropsicológicas ou médicas. Além disso, elas devem receber apoio adequado e intervenções educacionais combinadas com tratamentos psicológicos e médicos e devem ser encaminhadas para um oftalmologista com experiência no cuidado de crianças.
Canguru News
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