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Larissa Manoela e a glamourização do trabalho infantil
Acordamos estarrecidos com a entrevista da Larissa Manoela exibida no Fantástico nesse domingo (14). A atriz trabalha desde os 4 anos de idade. Aos 23 anos, Larissa contou que está se afastando dos pais por questões financeiras. Ela não tinha acesso ao próprio dinheiro.
Larissa também disse que seu futuro é com o noivo. Me preocupa a possibilidade de ela estar saindo de uma relação abusiva. É comum que pessoas que passam por acontecimentos traumáticos reeditem esses acontecimentos, ou seja, saiam de uma situação de abuso para entrar em outra igualmente abusiva.
A exploração do trabalho infantil pelos próprios pais não é assunto recente. Em Hollywood, temos muitos exemplos da crueldade por trás da fama de crianças prodígio. Judy Garland se tornou um símbolo do cinema por sua atuação em “O Mágico de Oz” (1939), aos 16 anos, mas isso foi o inferno para ela. Na casa dos 40, a atriz se sustentou ganhando cem dólares por noite cantando em bares. Tudo isso retratado no filme Judy, de 2019, protagonizado por Renée Zellweger, disponível no Star+.
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Aos sete anos de idade, Drew Barrymore era uma estrela de cinema trabalhando com Steven Spielberg. Aos onze, desenvolveu um problema com bebida; aos doze, estava viciada em drogas, aos treze foi hospitalizada por tentar suicídio; e aos quatorze já era emancipada de seus pais. Drew conseguiu dar a volta por cima, mas outras não tiveram a mesma sorte.
Na série “Menudo Forever Young” (HBOMAX) podemos ver os horrores da exploração dos meninos, inclusive sexual. Na Série “A Superfantástica História do Balão” podemos ver os danos psicológicos causados pela fama quando ela vem cedo demais.
Michael Jackson também foi menino prodígio e os resultados da fama precoce podem ser vistos no documentário “Leaving Neverland”.
Outro exemplo é Britney Spears, cuja história vem sendo comparada à da Larissa Manoela. Também temos Justin Bieber, Mc Melody, Macauley Culkin, Brittany Murphy, Corey Haim, River Phoenix… Exemplos não faltam.
Não é estranho pensar na glamourização do trabalho infantil na TV, no cinema, na música e atualmente, também nas mídias sociais? Crianças com canais no YouTube, no TikTok, chamadas de mini influencers pelos próprios pais.
Em qualquer outro contexto, o trabalho infantil é visto como um absurdo, mas quando o trabalho tem como consequência o dinheiro e a fama, ele é glamourizado. Se a fama já é difícil quando chega na vida adulta, o estrago que ela pode fazer na infância é assustador.
Criança não trabalha! Criança dá trabalho! Precisamos ver esse tipo de atividade como trabalho infantil e refletir sobre o papel dos pais de proteger os filhos, das questões de saúde mental relacionadas à fama na infância. Filho não é fonte de renda!
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
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Bebel Soares
Bebel Soares é arquiteta urbanista, psicanalista, escritora, mãe do Felipe e fundadora da comunidade materna Padecendo no Paraíso, onde informa e dá suporte a mães desde 2011.
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