Conheça os 8 sinais de transgeneridade em crianças, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria

Entenda as variações de gênero e saiba como diagnosticar e tratar possíveis quadros de sofrimento ligados à transgeneridade na infância

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Criança sentada em frente ao espelho observando seu reflexo
O documento divulgado nesta semana pela SBP explica as variações de gênero e ajuda a diagnosticar e tratar possíveis quadros de sofrimento ligados à transgeneridade durante a infância
 

Por Rafaela Matias – Uma cartilha da Sociedade Brasileira de Pediatria orienta pediatras sobre a disforia de gênero – condição médica que engloba quadros de ansiedade, depressão, inquietude e ostracismo social provenientes da incompatibilidade entre o sexo biológico e a identidade de gênero de uma pessoa.

De acordo com a SBP, a identidade de gênero é uma categoria da identidade social e refere-se à autoidentificação de um indivíduo como mulher ou homem ou a alguma categoria diferente do masculino ou feminino. Pessoas cujas identidades de gênero não correspondem aos sexos biológicos atribuídos ao nascimento são nomeadas como transgêneros ou transexuais. Saiba mais sobre a transgeneridade em crianças.

Como se dá o reconhecimento do gênero na infância

  • As crianças entre 6 e 9 meses são capazes de diferenciar, quanto ao gênero, vozes e faces.
  • Aos 12 meses, associam vozes masculinas e femininas a determinados objetos tidos como típicos de cada gênero.
  • Embora mais nítido aos 2 anos, crianças de 17 a 21 meses de vida têm habilidade de se identificar como meninos ou meninas e apresentam brincadeiras relacionadas ao gênero.
  • A identidade de gênero tem início entre 2 e 3 anos de idade.
  • Entre 6 e 7 anos, a criança tem consciência de que seu gênero permanecerá o mesmo.

A transgeneridade 

O transexualismo, ou transgeneridade, se define pela condição em que uma pessoa se identifica como sendo do gênero oposto ao sexo refletido pelo corpo.

Na década de 1950, o sexologista neozelandês John Money foi o primeiro a propor que, além do sexo biológico atribuído ao nascimento, há uma outra face da sexualidade relacionada aos processos de aprendizagem e sociabilização, que se estabelecem entre 2 e 4 anos de idade.

Isso influenciou a concepção de identidade de gênero, que é uma construção complexa e absolutamente singular. Embora a maioria das pessoas apresente conformidade entre o sexo biológico (características genitais presentes ao nascimento) e a identidade de gênero (a experiência emocional, psíquica e social de uma pessoa enquanto feminina, masculina ou andrógina definida pela cultura de origem), em alguns indivíduos existe uma incongruência entre ambos.

Segundo a definição lançada em 2016 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a identidade de gênero se refere à experiência de gênero interna, profunda e pessoal de cada um, podendo ou não corresponder ao sexo de nascimento. A identidade de gênero existe dentro de um espectro, o que significa que compreende feminino, masculino e toda uma gama de variações e até de neutralidade entre ambos.


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O que é a disforia de gênero

O estresse, sofrimento e desconforto causados pela incongruência entre o sexo biológico e a identidade de gênero são englobados em uma condição clínica chamada de disforia de gênero.

Apesar de um notável aumento da “abertura” em relação ao tema, trazida pelo acesso à informação e a maior capacidade de diálogo entre pais e filhos, crianças e adolescentes com variação de gênero ainda são alvos de bullying, rejeição, violência física ou verbal e ostracismo social que afetam seu bem-estar psicológico e não raramente causam ansiedade e depressão. 

Qual é a prevalência da disforia de gênero em crianças e adolescentes?

A prevalência de disforia de gênero não é bem conhecida devido a fatores culturais e metodológicos, mas a estimativa é de que a prevalência varie entre 1 a cada 11.900 e
1 a cada 45.000 para indivíduos masculinos que se identificam femininos; e para femininos que se identificam masculinos de 1 para 30.400 a 1 para 200.000.

De acordo com a SBP, é impossível prever quais crianças com não conformidade de gênero irão persistir com esse quadro na adolescência e vida adulta. Estudos mostram que a maioria das crianças pré-púberes (cerca de 85%) com não conformidade de gênero voltarão a ficar satisfeitas com seu sexo biológico próximo à adolescência, embora, em algumas, exista uma tendência a orientação homossexual. Já quando a condição surge na adolescência, o documento afirma que existe uma grande probabilidade dela se manter na vida adulta.

Como as crianças se manifestam sobre isso?

A criança pode expressar a certeza de ser do sexo oposto ou não estar feliz com suas características sexuais, preferindo roupas, brinquedos, jogos e brincadeiras culturalmente ligados ao outro sexo. O grau dessa inconformidade pode ser de leve a intensa, associada ou não a distúrbios de internalização como ansiedade, depressão e isolamento social.


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Veja os 8 sinais da transgeneridade em crianças:

  1. Forte desejo de pertencer ao outro gênero ou insistência de que um gênero é o outro (ou algum gênero alternativo)
  2. Em meninos, uma forte preferência por cross-dressing (travestismo) ou simulação de trajes femininos; em meninas, uma forte preferência por vestir somente roupas masculinas típicas e uma forte resistência a vestir roupas femininas típicas
  3. Forte preferência por papéis transgêneros em brincadeiras de faz de conta ou de fantasias
  4. Forte preferência por brinquedos, jogos ou atividades tipicamente usados ou preferidos por outro gênero
  5. Forte preferência por brincar com pares do outro gênero
  6. Em meninos, forte rejeição de brinquedos, jogos ou atividades tipicamente masculinas e forte evitação de brincadeiras agressivas e competitivas; em meninas, forte rejeição de brinquedos, jogos e atividades tipicamente femininas
  7. Forte desgosto com a própria anatomia sexual
  8. Desejo intenso por características sexuais primárias e/ou secundárias compatíveis com o gênero oposto (ou outra variação de gênero)

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10 COMENTÁRIOS

  1. Meu caso é parecido com o que foi relatado pelo “Observador” (comentário de 31 de janeiro passado), pois certa vez soube que quando minha mãe esteve grávida de mim teria eu sido aguardado na expectativa de que nascesse menina. Não sei se por causa disso mas desde criança tenho observado em mim uma série de características que em princípio seriam dissonantes do sexo masculino, como por exemplo as seguintes: sempre tive um corpo apenas “mediano” (altura mediana para baixa e estrutura óssea pequena, com pés e mãos relativamente “delicados”, além de um membro genital também tido como pequeno), ou seja, um corpo que considero “defasado” em termos de robustez se comparado a 80% do público masculino; um outro detalhe esquisito no aspecto físico é que pelo menos desde a época de adolescente sempre quis ter peitos desenvolvidos, coisa que somente agora depois de adulto consegui ter um pouco depois de haver engordado alguns quilos. E no aspecto psicológico, sempre tive um comportamento considerado como muito dócil, sensível e sem quase nenhum traço de violência ou agressividade, sendo que, dentre outros detalhes pertinentes, nunca gostei muito de futebol e nem de esportes mais enérgicos. Em termos de orientação sexual, sempre fui um heterossexual passivo sem nunca ter tido um apetite sexual excessivo, ao contrário do que ocorre com a maioria dos homens (tanto assim que raramente consumo pornografia e me masturbo relativamente pouco). E o mais bizarro é que depois de adulto, de uns anos para cá e meio que de repente, tenho cada vez mais sentido atração por detalhes feminizantes (se bem que dentro de certos limites) e comecei a por alguns deles em prática, como usar calcinha, usar brincos, usar roupas cor de rosa (o que era raro antes), deixar o cabelo crescer, raspar a maior parte dos pelos do corpo (que já eram escassos), além de uma fantasia erótica um tanto maluca e que também apareceu de uns tempos para cá, que seria encontrar uma mulher que me cortasse o pênis e os testículos, portanto me castrando por completo. Em resumo, não sei se tudo isso acima descrito seriam apenas fetiches sexuais, ou se seria consequência tardia daquela gravidez de “expectativa trocada” a qual me referi no início de meu relato.

  2. Só percebi que eu era homo, quando fiquei adolescente pela atração despertada pelas pernas de um colega (ejaculei expontaneo e pela 1a. vez)! Eu e meus irmãos fomos aguardados por toda gestação do gênero feminino (época sem USG) onde os que casaram sempre cederam mais na relação; teve solteiro que foi um passivo bem “ativo sexualmente”; eu solteiro cisgenero mas com o que é considerado feminilidade como carinhoso, afetuoso e bom ouvinte, onde muitas vezes fui passivo pela iniciativa do amigo que até já cheguei a ouvir que estava difícil ele resistir em não me penetrar. Se de início seria proporcionar prazer a ele, senti prazer por tais iniciativas! Pelo irmão que tenho, até serviu como parâmetro para discernir que a sexualidade não deve ser o centro de nossas atenções mas jamais deixar de vive-la com quem nos faça bem ter a sua companhia!

  3. Bom dia.
    Meu filho tem 5 anos e de uns dias para cá querer assistir desenhos de meninas, colocou uma toalha na cabeça e disse que era uma garotinha, mas suas brincadeiras e de carrinho, bola, corrida só brincadeira de menino. Será se devo me preocupar.

    • A minha irmã tem 11 anos fará 12.
      Ele não gosta de vistuarios feminino ,não gosta jogos de rapazes , è muito quieta ,todas as suas brincadeiras são masculino , só tem amigos rapazes , não podem lhe chmar atenção fica logo triste com todos de casa ,ama cantar , desenhar e ficar sozinha e as vezes muito agressiva.
      O que podemos fazer por ela?
      Por favor

    • Tudo bom Iara! Nada pra se preocupar, eh uma crianca e até o fim da adolescência tem muito o que aprender e viver. Converse abertamente, sem rótulos, explique que ele eh um garoto, mas que não tem problema ele assistir ou brincar com o que quiser. Evite os conteúdos sexualizados, esteja atenta sempre que possível ao que ele assiste e as companhias. Importante falar com os outros familiares tb para não importunar. Eh só uma fase de experimentação.

  4. Meu neto tem 10 anos e é mais frequente ele brincar com as meninas da escola no computador dp que com os meninos. Ele diz que os amigos preferem jogar futebol e ele não gosta . É bem participativo e as brincadeiras dele são jogos no computador e celular e tambem desenhar agora os desenhos do Narutos da vida. Posso considerar preocupante essa preferencia de estar entre as meninas mais q com os meninos?

  5. Meu filho tem 3 anos, suas brincadeiras são totalmente para meninos: carros, super-heróis, bola, corrida, além de querer se sempre o campeão, imita bonecos, soldados, bombeiros, enfim essas coisas de menino.
    Vez ou outra assiste um desenho “de menina”, por mim sem problemas, desde que não seja constante.
    Mas a alguns dias vem acontecendo situações que me deixam sem ação:
    – pediu para passar batom; (deve ter visto em algum desenho)
    – disse que meu peito era delicioso;
    – hoje, me beijou na testa, depois pediu um beijo, quando fui beija-lo (na testa) pediu na boca.
    Seria normal para a idade dele?

  6. Minha filha acha que é Bi! Tem 15 anos e teve influência de amigas e que não sabe se é ou não! Ela é totalmente feminina, na infância só se interessava por meninos e derepente me vem com essa notícia
    O que fazer

    • Bom, acho que aceita-la e dizer que ama e q sempre vai amar ela independente do gênero, “feminina” não pode dizer sobre a orientação sexual dela. Quando ela tiver certeza pode ajuda-la de qualquer forma, espero ter te ajudado

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