Conheça os 8 sinais de transgeneridade em crianças, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria

Entenda as variações de gênero e saiba como diagnosticar e tratar possíveis quadros de sofrimento ligados à transgeneridade na infância

19559
Criança sentada em frente ao espelho observando seu reflexo
O documento divulgado nesta semana pela SBP explica as variações de gênero e ajuda a diagnosticar e tratar possíveis quadros de sofrimento ligados à transgeneridade durante a infância
Buscador de educadores parentais
Buscador de educadores parentais
Buscador de educadores parentais

Por Rafaela Matias – Uma cartilha da Sociedade Brasileira de Pediatria orienta pediatras sobre a disforia de gênero – condição médica que engloba quadros de ansiedade, depressão, inquietude e ostracismo social provenientes da incompatibilidade entre o sexo biológico e a identidade de gênero de uma pessoa.

De acordo com a SBP, a identidade de gênero é uma categoria da identidade social e refere-se à autoidentificação de um indivíduo como mulher ou homem ou a alguma categoria diferente do masculino ou feminino. Pessoas cujas identidades de gênero não correspondem aos sexos biológicos atribuídos ao nascimento são nomeadas como transgêneros ou transexuais. Saiba mais sobre a transgeneridade em crianças.

Como se dá o reconhecimento do gênero na infância

  • As crianças entre 6 e 9 meses são capazes de diferenciar, quanto ao gênero, vozes e faces.
  • Aos 12 meses, associam vozes masculinas e femininas a determinados objetos tidos como típicos de cada gênero.
  • Embora mais nítido aos 2 anos, crianças de 17 a 21 meses de vida têm habilidade de se identificar como meninos ou meninas e apresentam brincadeiras relacionadas ao gênero.
  • A identidade de gênero tem início entre 2 e 3 anos de idade.
  • Entre 6 e 7 anos, a criança tem consciência de que seu gênero permanecerá o mesmo.

LEIA TAMBÉM:

A transgeneridade 

O transexualismo, ou transgeneridade, se define pela condição em que uma pessoa se identifica como sendo do gênero oposto ao sexo refletido pelo corpo.

Na década de 1950, o sexologista neozelandês John Money foi o primeiro a propor que, além do sexo biológico atribuído ao nascimento, há uma outra face da sexualidade relacionada aos processos de aprendizagem e sociabilização, que se estabelecem entre 2 e 4 anos de idade.

Isso influenciou a concepção de identidade de gênero, que é uma construção complexa e absolutamente singular. Embora a maioria das pessoas apresente conformidade entre o sexo biológico (características genitais presentes ao nascimento) e a identidade de gênero (a experiência emocional, psíquica e social de uma pessoa enquanto feminina, masculina ou andrógina definida pela cultura de origem), em alguns indivíduos existe uma incongruência entre ambos.

Segundo a definição lançada em 2016 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a identidade de gênero se refere à experiência de gênero interna, profunda e pessoal de cada um, podendo ou não corresponder ao sexo de nascimento. A identidade de gênero existe dentro de um espectro, o que significa que compreende feminino, masculino e toda uma gama de variações e até de neutralidade entre ambos.


LEIA TAMBÉM


O que é a disforia de gênero

O estresse, sofrimento e desconforto causados pela incongruência entre o sexo biológico e a identidade de gênero são englobados em uma condição clínica chamada de disforia de gênero.

Apesar de um notável aumento da “abertura” em relação ao tema, trazida pelo acesso à informação e a maior capacidade de diálogo entre pais e filhos, crianças e adolescentes com variação de gênero ainda são alvos de bullying, rejeição, violência física ou verbal e ostracismo social que afetam seu bem-estar psicológico e não raramente causam ansiedade e depressão. 

Qual é a prevalência da disforia de gênero em crianças e adolescentes?

A prevalência de disforia de gênero não é bem conhecida devido a fatores culturais e metodológicos, mas a estimativa é de que a prevalência varie entre 1 a cada 11.900 e 1 a cada 45.000 para indivíduos masculinos que se identificam femininos; e para femininos que se identificam masculinos de 1 para 30.400 a 1 para 200.000.

De acordo com a SBP, é impossível prever quais crianças com não conformidade de gênero irão persistir com esse quadro na adolescência e vida adulta. Estudos mostram que a maioria das crianças pré-púberes (cerca de 85%) com não conformidade de gênero voltarão a ficar satisfeitas com seu sexo biológico próximo à adolescência, embora, em algumas, exista uma tendência a orientação homossexual. Já quando a condição surge na adolescência, o documento afirma que existe uma grande probabilidade dela se manter na vida adulta.

Como as crianças se manifestam sobre isso?

A criança pode expressar a certeza de ser do sexo oposto ou não estar feliz com suas características sexuais, preferindo roupas, brinquedos, jogos e brincadeiras culturalmente ligados ao outro sexo. O grau dessa inconformidade pode ser de leve a intensa, associada ou não a distúrbios de internalização como ansiedade, depressão e isolamento social.


LEIA TAMBÉM


Veja os 8 sinais da transgeneridade em crianças:

  1. Forte desejo de pertencer ao outro gênero ou insistência de que um gênero é o outro (ou algum gênero alternativo)
  2. Em meninos, uma forte preferência por cross-dressing (travestismo) ou simulação de trajes femininos; em meninas, uma forte preferência por vestir somente roupas masculinas típicas e uma forte resistência a vestir roupas femininas típicas
  3. Forte preferência por papéis transgêneros em brincadeiras de faz de conta ou de fantasias
  4. Forte preferência por brinquedos, jogos ou atividades tipicamente usados ou preferidos por outro gênero
  5. Forte preferência por brincar com pares do outro gênero
  6. Em meninos, forte rejeição de brinquedos, jogos ou atividades tipicamente masculinas e forte evitação de brincadeiras agressivas e competitivas; em meninas, forte rejeição de brinquedos, jogos e atividades tipicamente femininas
  7. Forte desgosto com a própria anatomia sexual
  8. Desejo intenso por características sexuais primárias e/ou secundárias compatíveis com o gênero oposto (ou outra variação de gênero)

LEIA TAMBÉM


Quer receber mais conteúdos como esse? Clique aqui para assinar a nossa newsletter.

20 COMENTÁRIOS

  1. MEU FILKHO TEM 17 ANOS NUNCA DEMONSTROU INTERESSE POR COISAS FEMININA AGORA DISSE QUE NSE SENTE MENINA ELE SEMPRE FOI MUITO FECHADO NUNCA FEZ AMIZADES NUNCA NAMOROU O QUE PODE TA ACONTECENDO DISSE Q A 3 ANOS SE SENTE ASSIM

  2. Boa noite.
    Minha filha tem 13 anos e sempre não me despertou qq possibilidade de mudança de gênero. como sou separado da mãe dela, fui buscar ela pra passar as férias comigo como de prache, aí vi q ela tava usando umas roupas meio estranhas e ela tentou raspar o cabelo do lado. Que sinal isso pode ser? como devo ajudá-la?

  3. Respondendo ao “Unamed” (comentário de 7 de julho passado): talvez você tenha definido bem minha situação, pois pode ser que eu me encaixe nessa classificação de “gênero fluido”, uma vez que mesmo tendo todos aqueles “gostos” femininos nunca tive até hoje vontade ou necessidade de trocar de gênero em definitivo (“virar trans”), mesmo com todos os problemas e dissabores que possam haver no polo masculino, pois já percebi que todos aqueles “gostos” e “preferências” são experimentados só até um certo limite e não por todo o tempo. Quanto ao efeito dessas práticas e respondendo a outra pergunta sua, sim, causam excitação mas algumas – como o uso de calcinhas por exemplo – acho que já se naturalizaram tanto que nem provocam mais tanta excitação assim, já virou algo corriqueiro (daí acredito que a coisa se incline mais para um fetiche). Quanto ao início desses “gostos” por coisas femininas, tudo isso começou mais abertamente já depois de adulto, mais especificamente após os 30 anos de idade, nas fases de infância e adolescência não me lembro de ter tido atração desse tipo, exceto a vontade de ter peitos desenvolvidos, que começou por volta de meus 14 ou 15 anos. Já sobre o que teria desencadeado tudo isso, além do relato anterior que fiz sobre a gravidez de “expectativa trocada” por parte de minha mãe, creio que o fato de eu ter sido criado majoritariamente por mulheres (mãe, avó materna, tias e uma irmã mais velha) tenha tido também alguma influência, ainda que sutil e indireta, pois como disse quando mais novo não tinha esses gostos que tenho hoje. Enfim, me definiria como um homem hetero (disso não tenho dúvida, já que nunca senti nenhuma atração sexual por homens) com alguns traços feminizantes que oscilam para mais ou para menos ao longo do tempo.

  4. olha eu acho que os pais se preocupam de mais nesse quisito e to falando isso por que eu tbm me preocupo, tenho uma menina de 16 e ela namora um rapaz, e tenho um garoto de 4 anos eu tbm me importo com essa parte se não eu não estaria aqui como todos, porém eu busco orientação pra se caso um dia eu precise lhe dar com a situação seja ela qual for, não tenho preconceitos só busco informação pra saber conversar, orientar e etc… tbm acho que os pais que tem que lhe dar com isso tem que procurar ajuda de um profissional por que muitas vezes dentro de casa nos não sabemos como lhe dar com essa mudança e acabamos por vez agindo da forma errada.

  5. Meu filho tem 7 anos , um menino.muito inteligente , alegre , divertido , adora conversar , fazer gracinha com todos , adora brincar , carrinho , soltar pipa , correr e outras brincadeiras de meninos … Mais esses dias o trás ele pesquisou na internet sobre homem beijando homem , achei estranho , e perguntei se alguém mandou ele pesquisar isso , ele falou que não , que ele pesquisou atoa ????

    • Olá. Tenho um filho de 10 anos que recentemente está fazendo esse tipo de pesquisas na internet. Também não sei como trabalhar esse assunto na cabecinha dele.

  6. Tenho uma filha 20 nunca namorou sofreu tentativa de abuso desde então nunca si enteressou por namora eu desconfio qui ela gosta de meninas mas já conversamos e ela não si abre comigo o qui posso fazer pra qui ela confie em mim?

    • O melhor é conversar sobre um acompanhamento terapêutico. Vá conversando sobre essa possibilidade. Sucesso!!!

  7. Meu caso é parecido com o que foi relatado pelo “Observador” (comentário de 31 de janeiro passado), pois certa vez soube que quando minha mãe esteve grávida de mim teria eu sido aguardado na expectativa de que nascesse menina. Não sei se por causa disso mas desde criança tenho observado em mim uma série de características que em princípio seriam dissonantes do sexo masculino, como por exemplo as seguintes: sempre tive um corpo apenas “mediano” (altura mediana para baixa e estrutura óssea pequena, com pés e mãos relativamente “delicados”, além de um membro genital também tido como pequeno), ou seja, um corpo que considero “defasado” em termos de robustez se comparado a 80% do público masculino; um outro detalhe esquisito no aspecto físico é que pelo menos desde a época de adolescente sempre quis ter peitos desenvolvidos, coisa que somente agora depois de adulto consegui ter um pouco depois de haver engordado alguns quilos. E no aspecto psicológico, sempre tive um comportamento considerado como muito dócil, sensível e sem quase nenhum traço de violência ou agressividade, sendo que, dentre outros detalhes pertinentes, nunca gostei muito de futebol e nem de esportes mais enérgicos. Em termos de orientação sexual, sempre fui um heterossexual passivo sem nunca ter tido um apetite sexual excessivo, ao contrário do que ocorre com a maioria dos homens (tanto assim que raramente consumo pornografia e me masturbo relativamente pouco). E o mais bizarro é que depois de adulto, de uns anos para cá e meio que de repente, tenho cada vez mais sentido atração por detalhes feminizantes (se bem que dentro de certos limites) e comecei a por alguns deles em prática, como usar calcinha, usar brincos, usar roupas cor de rosa (o que era raro antes), deixar o cabelo crescer, raspar a maior parte dos pelos do corpo (que já eram escassos), além de uma fantasia erótica um tanto maluca e que também apareceu de uns tempos para cá, que seria encontrar uma mulher que me cortasse o pênis e os testículos, portanto me castrando por completo. Em resumo, não sei se tudo isso acima descrito seriam apenas fetiches sexuais, ou se seria consequência tardia daquela gravidez de “expectativa trocada” a qual me referi no início de meu relato.

    • Depende, vc disse que tem essa fantasia de que uma mulher cortasse fora seu pênis,
      Mas e quanto a usar calcinha, brincos e a roupa cor de rosa, você só veio a ter vontade de usar essa roupas e acessórios
      Femininos
      Depois de adulto ou isso começou na infância?
      Outro detalhe importante é, usar essas coisas te trás excitação sexual?
      As vezes esses hábitos podem ser unicamente um fetiche e não necessariamente vc é um transgênero.
      Não sei se isso te ajuda mas vou te contar meu caso
      Eu fui criado apenas por minha mãe e minha avó,( isso é importante, pois a únicas referência masculina que tinha era meu primo, mas
      Como ele nunca foi lá o melhor exemplo
      De homem) desde de cedo morria de vontade de usar calcinha aquilo me
      Encantava, mas só fui experimentar a peça na adolescência e foi daí que veio outra coisa junto, a excitação sexual.
      Mesmo esse gosto deveras diferente,
      tenho atração por mulheres, assim
      Como tbm na infância sempre gostei de brincadeiras
      Como futebol, carrinho etc.
      Depois de adulto passei a usar calcinhas
      E com o tempo tive interesse por outras
      Peças do vestuário feminino, como sutiã,
      Baby Doll, corselete, meia calça, sapatos de salto e pode até parecer brincadeira, mas até bsorvente eu uso hoje em dia
      Uso porq me excita,mas tbm uso porque gosto de roupa femininas me identifico,
      e assim como vc tbm adoro cor de rosa gosto da delicadeza das peças gosto de me sentir feminina, de me sentir mulher, mas não o tempo todo.
      Daí você pode perguntar “com qual gênero
      você se identifica”
      Com ambos, gosto de ser homem,
      Mas tbm gosto de usar lingeries e
      De por pra fora a cinderela que existe em mim.
      Isso se chama gênero fluido ou não binário.

  8. Bom dia.
    Meu filho tem 5 anos e de uns dias para cá querer assistir desenhos de meninas, colocou uma toalha na cabeça e disse que era uma garotinha, mas suas brincadeiras e de carrinho, bola, corrida só brincadeira de menino. Será se devo me preocupar.

    • A minha irmã tem 11 anos fará 12.
      Ele não gosta de vistuarios feminino ,não gosta jogos de rapazes , è muito quieta ,todas as suas brincadeiras são masculino , só tem amigos rapazes , não podem lhe chmar atenção fica logo triste com todos de casa ,ama cantar , desenhar e ficar sozinha e as vezes muito agressiva.
      O que podemos fazer por ela?
      Por favor

    • Tudo bom Iara! Nada pra se preocupar, eh uma crianca e até o fim da adolescência tem muito o que aprender e viver. Converse abertamente, sem rótulos, explique que ele eh um garoto, mas que não tem problema ele assistir ou brincar com o que quiser. Evite os conteúdos sexualizados, esteja atenta sempre que possível ao que ele assiste e as companhias. Importante falar com os outros familiares tb para não importunar. Eh só uma fase de experimentação.

    • Olá,
      Eu tenho um filho de 5 anos e também só tem brincadeiras de menino e brinca com meninos,
      Percebi apenas agora que ele dança como menina alguns comportamentos feminino isso me deixou confusa e preocupada.

  9. Meu neto tem 10 anos e é mais frequente ele brincar com as meninas da escola no computador dp que com os meninos. Ele diz que os amigos preferem jogar futebol e ele não gosta . É bem participativo e as brincadeiras dele são jogos no computador e celular e tambem desenhar agora os desenhos do Narutos da vida. Posso considerar preocupante essa preferencia de estar entre as meninas mais q com os meninos?

  10. Meu filho tem 3 anos, suas brincadeiras são totalmente para meninos: carros, super-heróis, bola, corrida, além de querer se sempre o campeão, imita bonecos, soldados, bombeiros, enfim essas coisas de menino.
    Vez ou outra assiste um desenho “de menina”, por mim sem problemas, desde que não seja constante.
    Mas a alguns dias vem acontecendo situações que me deixam sem ação:
    – pediu para passar batom; (deve ter visto em algum desenho)
    – disse que meu peito era delicioso;
    – hoje, me beijou na testa, depois pediu um beijo, quando fui beija-lo (na testa) pediu na boca.
    Seria normal para a idade dele?

  11. Minha filha acha que é Bi! Tem 15 anos e teve influência de amigas e que não sabe se é ou não! Ela é totalmente feminina, na infância só se interessava por meninos e derepente me vem com essa notícia
    O que fazer

    • Bom, acho que aceita-la e dizer que ama e q sempre vai amar ela independente do gênero, “feminina” não pode dizer sobre a orientação sexual dela. Quando ela tiver certeza pode ajuda-la de qualquer forma, espero ter te ajudado

Comments are closed.