Pode deixar seu filho chupar limão (ainda que pareça estranho, isso faz bem)

Alimentos de sabor azedo e amargo devem fazer parte da dieta das crianças desde muito cedo, para que garantam uma dieta alimentar equilibrada

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Alimentos azedos e amargos como o limão, que a criança loirinha está chupando nesta imagem, devem ser introduzidas na dieta da criança desde muito cedo.

Consumir alimentos azedos e amargos como limão e folhas verde-escuras costuma ser algo pouco habitual. Não por acaso, ao postar um vídeo de uma bebê experimentando limão (assista abaixo) em uma de suas redes sociais, a nutricionista materno-infantil Simone Ferraz viu ‘chover’ comentários do tipo: “que maldade”, “que dó”, “atitude péssima”, “judiação”, “não dou e não daria, acho que até dá afta”.

Mas também não faltaram mães e pais afirmando que os filhos comiam e até gostavam dessa fruto. “Dei hoje para minha filha de sete meses e ela amou, nem fez careta!”, disse Yanne Kivia.

“Não tem nada de judiação aí não, gente. Qualquer introdução alimentar é assim. Até mesmo se você der a primeira papinha de mamão, banana, eles terão reflexos como este. Se a criança não gostar, ela simplesmente vai sinalizar e não vai mais aceitar, simples. Essa situação é super saudável para a criança!”, afirmou a fonoaudióloga Cristiane Longaray.

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No geral, há uma tendência a achar que alimentos azedos e amargos são ruins e devem ser evitados, mas não é bem assim. “O azedo é para ser tão normal quanto o doce. Tudo é questão de estímulo e adaptação. O paladar doce é praticamente pronto, e é esse que a maioria das pessoas querem super estimular”, comenta Simone. Ela recorda que o leite materno é adocicado, por isso a criança se habitua desde cedo a esse sabor e tem mais facilidade a gostar de alimentos doces. Já os azedos e amargos devem ser introduzidos na alimentação justamente para que a criança desenvolva o gosto por esses sabores. A seguir, Simone esclarece por que é importante oferecer alimentos azedos e amargos às crianças, entre outras dúvidas sobre o assunto.

Alimentos azedos e amargos – Por que devemos oferecê-los às crianças desde cedo

Quais são os alimentos azedos e amargos

Folhas verde-escuras como agrião e rúcula são exemplos de alimentos de sabor amargo. Já os azedos estão em cítricos como limão, morango, frutas vermelhas no geral e abacaxi, que por mais doce que seja é ácido.

Qual a importância de oferecer alimentos de sabor azedo e amargo?

Eles são fontes importantes de vitaminas e minerais e permitem ao bebê e ou à criança uma dieta variada de nutrientes e, logo, uma alimentação mais saudável. Incentivar novas experiências alimentares é benéfico para o desenvolvimento do bebê, pois faz com que ele coma melhore fique bem nutrido, o que uma alimentação mais restrita não permite.

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Por que reagimos mal aos alimentos azedos e amargos

Na natureza, o azedume corresponde a comidas estragadas por enzima ou que não estão maduras. No passado, ele também era associado a venenos, e como proteção, o corpo tende a rejeitar esse sabor. Mas o ser humano evoluiu e é importante garantir a oferta desses alimentos às crianças.

Por que as mães acham ruim oferecer alimentos azedos e amargos aos filhos?

A mãe tem preferência por oferecer alimentos que lhes são familiares. Se ela tem uma memória ruim do amargo e do azedo, ela vai evitar dar ao filho esses sabores. Mas é importante que ela estimule o seu bebê para que ele se acostume com todos os sabores.

Como oferecer esses alimentos às crianças

Esses alimentos devem ser oferecidos desde cedo às crianças, o que muda é a forma de apresentação. Para um bebê de sete meses, por exemplo, a rúcula pode ser picadinha como se fosse um tempero, igual a salsinha e cebolinha. Com um ano de idade, a criança já pode comer folhas normalmente.

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Como funciona a identificação dos sabores pelo corpo humano?

Na boca, mais especificamente na língua, estão espalhadas papilas gustativas que possuem receptores sensoriais que detectam os sabores doce, salgado, azedo, amargo e umami, este último encontrado no tomate e no cogumelo, por exemplo. Quando todas essas papilas são bem estimuladas, os sabores se realçam na boca de maneira equilibrada e a criança não percebe o doce ou salgado como algo mais atrativo.

E se a criança rejeita esses sabores?

São nos primeiros anos de vida que a memória alimentar começa a ser construída. Muitas vezes, a criança não gosta de um alimento e depois ela passa a gostar. Acontece, por exemplo, de um bebê de seis, sete meses adorar banana e, depois, aos dois anos, passar a gostar de mamão e rejeitar banana. O seu paladar está em construção e portanto o fato de ele não gostar de um alimento no primeiro ou segundo ano de vida não é determinante. É preciso tentar várias vezes e com formas de apresentação diferentes.

É importante a mãe consumir esses alimentos já na gestação?
Estudo mostram que mulheres que consumiram alimentos mais amargos no último período de gestação contribuíram para que seus bebês tenham um interesse maior pelos mesmos. São dados novos mas sabe-se que a questão da memória alimentar exerce influência na formação do paladar das crianças.

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