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A importância dos rituais para as crianças num segundo casamento

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados colhidos entre 1984 e 2016, indica que, no Brasil, um em cada três casamentos resulta em divórcio.
O meu primeiro casamento também terminou assim.
Fui casado com a mãe das minhas filhas por 10 anos e, depois de um tempo separado, me casei novamente há cerca de um ano.
Em 2021, quando ainda estávamos presos dentro de casa, em função da pandemia Covid 19, eu pedi a minha então namorada em casamento. Não fizemos nenhuma cerimônia, nada. Simplesmente cada um vendeu seu apartamento, compramos um outro e fomos morar juntos.
Acontece que nesse “juntos”, existem três crianças – minhas duas filhas e meu enteado.
Eu e minha mulher começamos a perceber pelas atitudes e falas dos três que eles precisavam entender que a gente não era simplesmente dois namorados que resolveram morar juntos no oba oba. Que se “desse certo, bem, se não desse, amém”.
Começamos a perceber que eles precisavam presenciar e mais do que isso, participar de um ritual do nosso casamento.
Então, nesse último final de semana, reunimos alguns poucos amigos e familiares, para uma cerimônia simples, mas com muita participação dos três. Eles entraram, levaram as alianças, leram algumas palavras para gente, ou seja, vivenciaram ativamente aquela cerimônia.
No dia anterior, eu perguntei ao meu enteado: “E aí, o que você está achando desse casamento?”. Ele me disse: “É… agora estou sentindo que vocês estão casando de verdade…”
Nessa hora ficou muito claro para nós que estávamos tomando a decisão correta, não para nós dois, que já estávamos muito bem resolvidos com a questão, mas para nossos filhos.
E quando uma nova família se forma, como a nossa, é muito importante que os filhos sejam preservados, sejam ouvidos e também acolhidos. É muito importante pensar com a cabeça deles, tentar ver o mundo pelo olhar deles. Afinal, nossas escolhas irão impactar diretamente a vida e a rotina das crianças.
Portanto, fique sempre atento aos detalhes, aos pequenos gestos, às pequenas frases e às pequenas atitudes dos seus filhos – elas dizem muito sobre seus sentimentos e sobre o que estão vivenciando. Não negligencie e não subestime a capacidade das crianças. Afinal, aprendemos com elas todos os dias.
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Fernando Dias
Fernando Dias é pai da Duda e da Gabi, e padrasto do João. Trabalha como administrador de empresas, palestrante, escritor e fundador do curso “Vou ser pai. E agora?”. Saiba mais sobre ele em @conexaopaterna e no site www.vouserpai.com.br
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