Unicef pede a prefeitos que priorizem a reabertura segura das escolas

As escolas devem ser as últimas a fechar e as primeiras a reabrir em qualquer emergência ou crise humanitária, diz a entidade

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Unicef pede a prefeitos que priorizem a reabertura segura das escolas; criança de máscara brinca com madeiras coloridas em sala de aula
Em cidades grandes como São Paulo, escolas reabriram em outubro mas não tiveram grande adesão das famílias
Buscador de educadores parentais
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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou nesta quinta-feira 7) uma carta enviada a prefeitas e prefeitos eleitos para governar os 5.568 municípios brasileiros, em que pedem que eles deem “prioridade absoluta à educação e à reabertura segura das escolas.

O texto, assinado por Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil, ressalta que “o longo tempo de fechamento da maioria das escolas e o isolamento social têm impactado profundamente a aprendizagem, a saúde mental e a proteção de crianças e adolescentes”. E apesar dos esforços para organizar atividades remotas, milhões de crianças e adolescentes não foram alcançados e perderam o vínculo com a escola, correndo o risco de abandonar a educação definitivamente, destaca o comunicado. “Isso vai aprofundar ainda mais as desigualdades e impactar uma geração inteira”, diz Florence.

A representante afirma que as escolas desempenham um papel primordial na vida de meninas, meninos e suas famílias. “Elas proveem, primeiramente, uma educação essencial para que crianças e adolescentes desenvolvam o seu pleno potencial, exerçam a cidadania e se preparem para o mundo do trabalho. Mas há muito mais: as escolas também oferecem oportunidades para o desenvolvimento de competências de interação social e são essenciais à proteção contra diferentes formas de violência – incluindo a violência doméstica, que aumentou na pandemia. Além disso, um número considerável de crianças e adolescentes depende da merenda escolar para sua segurança alimentar.”


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Fundo cita práticas de escolas no exterior

Sobre a preocupação de famílias, professores e outros profissionais de educação quanto ao risco de contaminação com o coronavírus nas escolas, o Unicef declara compartilhar desse receio, mas destaca que a experiência de outros países mostra que a reabertura das escolas não causou um aumento das infecções.

No fim de 2020, um grupo de pediatras de todo o país criou o movimento “Lugar de criança é na escola”, em que pede urgência na reabertura de escolas públicas e particulares. Os médicos defendem que a volta às aulas presenciais pode ser feita com segurança para as crianças, visto que elas têm se mostrado pouco propensas a desenvolver a forma grave da Covid-19. O manifesto também cita o fato de que no exterior a volta às aulas presenciais não foi responsável por um grande aumento no número de casos.

Na carta, Florence diz que a forma da reabertura tem de ser adaptada à situação local e pode incluir elementos de educação híbrida, uma mistura de educação presencial e a distância, rodízio de estudantes em grupos pequenos, etc. – como sugerido nos protocolos que estão à disposição. “É imprescindível envolver professores, demais profissionais da educação, estudantes, seus familiares e a comunidade escolar nessa decisão.”

“Por tudo isso, dizemos: as escolas devem ser as últimas a fechar e as primeiras a reabrir em qualquer emergência ou crise humanitária. É fundamental empreender todos os esforços necessários para que as escolas de educação básica reabram no início deste ano escolar, em segurança. É um momento-chave que não podemos deixar passar”, complementa a carta.

O Brasil é um dos países que mais tempo passou com as escolas fechadas, segundo mostrou relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgado em setembro. Em outubro, cidades grandes como São Paulo retomaram as aulas presenciais, mas a volta era opcional e muitas famílias optaram por manter os filhos em casa. Para 2021, a previsão é de haja maior adesão às aulas presenciais. Pelo menos 15 estados já anunciaram suas datas de volta às aulas.

Esta semana, o Reino Unido anunciou um novo lockdown para conter a disseminação de nova cepa do coronavírus, obrigando o fechamento de todo o comércio não essencial e das escolas. Já a França decidiu reabri-las para todos os alunos do sistema público.


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Acesse a carta do Unicef enviada aos prefeitos e prefeitas

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