Trabalho voluntário: uma experiência única para crianças e adultos

O colunista Carlos Eduardo F. Costa relata as experiências de voluntariado que já vivenciou e fala da importância desse trabalho para crianças e adolescentes

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Trabalho voluntário: uma experiência única para quem o pratica; crianças apoiam mãos uma sobre outra em área ao ar livre, foto foi tirado debaixo para cima
Voluntariado às crianças possibilita conhecer novas pessoas e aprender coisas diferentes do currículo escolar

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Trabalhando com educação financeira há mais de quinze anos, sempre deixei espaço em minha agenda para realizar algumas ações voluntárias. Muitos acham que em um trabalho voluntário abrimos mão de nossos ganhos. Isso pode ser verdade se estivermos analisando somente sob a ótica financeira. Mas sob outros olhares, isso é uma grande mentira. Temos sim muitos ganhos.

Várias das ações voluntárias que realizei foram ligadas à educação financeira. Palestras, rodas de conversa e consultorias. E em cada uma delas, ganhei muito. Não consigo medir a satisfação das pessoas ao tomar contato com um conteúdo tão importante para suas vidas, mas que não tinham condições de pagar para recebê-lo. Aprendi muito em cada um desses encontros. Foram muitas histórias de vida que depois as transformei em colunas no jornal ou boletins na rádio. Em um país tão desigual como o Brasil, a educação financeira tem um papel importante na busca de uma realidade diferente. Claro que em conjunto com políticas sociais e com uma legislação adequada.

Crianças que se envolvem com o voluntariado também têm muito a ganhar. Diversas escolas promovem por conta própria ações nesse sentido ou desenvolvem parcerias com organizações não governamentais que atuam em áreas como saúde, meio ambiente, urbanização, educação e outras. Para as crianças, além do aprendizado para além do currículo escolar, é uma oportunidade de ajudar e conhecer pessoas diferentes – muitas vezes, em situação de necessidade –, e também de praticar a empatia e promover o crescimento pessoal, entre tantos outros benefícios. Eu já atuei como voluntário muitas vezes, em áreas distintas, e conto a seguir minhas experiências, para que sirvam de inspiração a outras famílias que também dão valor a esse tipo de trabalho.

Minha filha, Duda, já faz planos para quando chegar ao ensino médio. No colégio onde ela estuda, os alunos do ensino médio têm possibilidade de atuar em vários projetos voluntários. Ela já escolheu dois: distribuição de sopa para moradores de rua e visitas a asilos.

Eu já atuei como voluntário muitas vezes, em áreas distintas, e conto a seguir minhas experiências, para que sirvam de inspiração a outras famílias que também dão valor a esse tipo de trabalho.

O trabalho voluntário também me propiciou experiências únicas. Em outra das minhas paixões: o esporte. Em 2007, fui voluntário nos Jogos Pan-Americanos do Rio. Acabei atuando junto aos dirigentes de federações internacionais. Ficava à disposição para acompanhá-los em todos os eventos. Conheci pessoas de várias partes das Américas. Assisti competições de diversos esportes. Estive próximo a várias cerimônias de premiação.

Em 2013, fui voluntário na Copa das Confederações. Trabalhei na área de informações para os espectadores. Metade do tempo atuava fora do estádio, metade do tempo dentro do estádio. Foi um aquecimento para, em 2014, atuar como voluntário na Copa do Mundo. Trabalhei em quase todos os jogos disputados em Belo Horizonte. Em somente um estive ausente. Tinha reservado a data para ir com a minha família a um jogo de Copa do Mundo. E acabamos assistindo Argélia x Bélgica.

Na Copa do Mundo atuei na área de hospitalidade. Cuidávamos dos espectadores que tinham adquirido ingressos e tinham algum benefício adicional, como, por exemplo, serviço de alimentação. Recebemos espectadores de todas as partes do mundo. E é importante mencionar como cada um deles ficava agradecido com cada informação que dávamos. Sabiam que estávamos ali de forma voluntária. E quantos pedidos de fotos recebemos! Todos queriam tirar fotos com os voluntários. Acabei estando presente no momento mais marcante da Copa: o 7 x 1 para a Alemanha. Assisti literalmente de camarote esse jogo. No dia, tinha sido escalado para trabalhar nos camarotes.

Em 2016, fui selecionado para ser voluntário nos Jogos Olímpicos do Rio. Mas acabei não podendo atuar em virtude de uma missão mais especial. O João Pedro nasceu dois dias depois da abertura dos jogos.

E aí na sua casa, você ou seus filhos já tiveram alguma experiência marcante em um trabalho voluntário?


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Carlos Eduardo Freitas Costa é pai de Maria Eduarda, 12 anos, e João Pedro, 4 anos. Tem formação em ciências econômicas pela UFMG, especialização em marketing e em finanças empresariais e mestrado em administração. É autor de diversos livros sobre educação financeira para adultos e crianças, entre os quais: 'No trabalho do papai' e 'No supermercado', além da coleção 'Meu Dinheirinho'. Saiba mais em @meu.dinheiro

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