Sarampo, pólio, meningite, covid e gripe: tire dúvidas e atualize o cartão vacinal

Com o início da vacinação de crianças na campanha nacional contra gripe e sarampo, muitos pais estão com dúvidas sobre esses e outros imunizantes e, em especial, sobre carteiras atrasadas; com a ajuda de especialistas montamos um infográfico com as principais questões sobre o assunto

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Criança de camiseta rosa recebe vacina no braço esquerdo


Por Bruno Penteado e Verônica Fraidenraich – A cobertura vacinal no Brasil tem caído nos últimos anos, deixando a população, principalmente, as crianças, mais vulneráveis a doenças que já haviam sido erradicadas no país, como sarampo e poliomielite, que podem causar sequelas graves e até levar à morte. Para recuperar as metas de vacinação e evitar possíveis surtos das doenças, o Ministério da Saúde iniciou em abril a Campanha Nacional de Vacinação contra Gripe e Sarampo, que, desde segunda-feira (2), está vacinando crianças de 6 meses a menores de 5 anos, entre outros públicos prioritários. Na cidade de São Paulo, também há uma ação contra a poliomielite, doença contagiosa que pode causar paralisia permanente nas pernas ou nos braços. Com as medidas, têm surgido muitas dúvidas entre os pais sobre carteira vacinal atrasada, repetição de doses já aplicadas e contraindicações, entre outras questões.

“A campanha nacional é considerada indiscriminada, ou seja, atende aos grupos-alvos independentemente de estarem ou não com o calendário vacinal em dia”, afirma Patrícia Rosa Vanderborght, gerente de imunização humana do Laboratório Richet. A iniciativa visa aplicar uma dose extra dessas vacinas mesmo em quem já as recebeu, reforçando assim a proteção contra essas doenças. O sarampo, por exemplo, havia sido erradicado no país em 2016, mas voltou a se manifestar. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou cerca de 40 mil casos de sarampo entre 2018 e 2021. Doença grave, o sarampo tem sintomas parecidos aos da gripe mas também causa manchas avermelhadas no corpo, provocando infecções no ouvido, pneumonia e convulsões.

Patrícia lembra que as coberturas vacinais estão abaixo das metas para todas as vacinas e cita dados do DATASUS do Ministério da Saúde que mostram quedas na imunização desde 2012. “Em 2021, a porcentagem (geral) foi de 60,7%. A cobertura da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) foi de 71,4% e da vacina contra a poliomielite, 67,6%. O índice de vacinação considerado ideal é acima de 90%”, explica a gerente de imunização humana.

No caso da vacina contra gripe, Renato Kfouri, presidente do departamento científico de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) ressalta a importância da dose anual para cobrir novas cepas do vírus. “Há uma mudança frequente do tipo de vírus que circula em cada inverno e por isso as vacinas são adaptadas. As vacinas de 2021 não se prestam a proteger a gripe em 2022 e subsequentemente a cada ano”, afirma o pediatra.

Em relação ao sarampo, Kfouri explica que as campanhas são importantes para recuperar doses não aplicadas anteriormente e também para garantir terceiras doses. “Essa vacinação indiscriminada permite que a gente cubra eventuais falhas vacinais. Existe uma pequena porcentagem de indivíduos que mesmo com as duas doses não respondem adequadamente. Essa terceira dose tem essa dupla utilidade”, diz o médico.

Abaixo, passe as imagens para o lado para saber mais sobre as vacinas de covid, poliomielite, sarampo, gripe e meningite.

E quem está com a carteira vacinal atrasada?

Outra dúvida comum é sobre a caderneta vacinal das crianças. Com a pandemia, muitos pais deixaram de levar os filhos nos postos de vacinação e agora querem saber, por exemplo, o que fazer se a criança perdeu alguma das vacinas previstas no calendário ou mesmo quando não certeza sobre se foi vacinada ou não. “Vacina não causa overdose. Doses que podem não ser necessárias não causam prejuízo a ninguém, então na dúvida é melhor vacinar”, afirma a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai.

Vale aproveitar, portanto, a ida aos postos de saúde ou clínicas de vacina para checar se os esquemas vacinais e carteirinhas dos filhos estão em dia e já resolver as faltas que houverem, sugere Patrícia. “Mesmo que não seja possível aplicar todas as doses no dia, é importante buscar informações e a necessidade de agendamento para terminar de completar o esquema vacinal”, ressalta ela.

Isso também é válido para pais, mães e adultos no geral, que por algum motivo perderam alguma vacina. “A pessoa com o cartão atrasado pode procurar o posto a qualquer momento e atualizar a vacina indicada para aquela idade, por isso é tão importante levar o cartão para fazer uma avaliação do que precisa que seja contemplado, independentemente das campanhas”, destaca o infectologista José Cerbino Neto, pesquisador do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz) e do Instituto D’Or no Rio de Janeiro.

Contraindicações às vacinas

Quando há sintomas gripais, Kfouri afirma que deve-se adiar a aplicação da vacina em 48 horas apenas se a criança estiver em estado febril. A pediatra Felícia Szeres, de Campinas, no interior de São Paulo, complementa que crianças que estão tomando antibiótico também podem ser vacinadas. “A única ressalva é que normalmente a criança gripada ou usando antibiótico já está com um quadro infeccioso, então ela tem chance de ter febre e como a reação mais comum na vacinação é a febre vai existir dificuldade de saber se a febre da criança está relacionada à piora da gripe ou se é uma reação da vacina, então a orientação é esperar o curso da doença melhorar para a criança ser vacinada. Mas não é uma contraindicação formal, é mais uma precaução”, esclarece a pediatra.

Felícia pontua que crianças que usam imunossupressores e corticoides ou fazem quimioterapia podem ser vacinadas com vacinas de vírus morto, como o vírus da gripe. Já nas vacinas de vírus vivo, como a tríplice viral, a de pólio e de febre amarela, é indicado recuperar a saúde para aplicação do imunizante. A orientação do pediatra nesses casos é fundamental, ressaltam os especialistas. Eles também dizem que não há problemas em tomar mais de uma vacina ao mesmo tempo, exceto a de covid, que exige um intervalo de 15 dias, em crianças até 11 anos, para aplicação de outros imunizantes. 

Além desses casos, contraindicações valem apenas para aquelas crianças que já apresentaram reações alérgicas anteriormente às vacinas e seus componentes.

Vacinação contra meningite

Isabella Ballalai ressalta que há três vacinas para meningite disponíveis: a vacina para a meningocócica C, a vacina para a ACWY e para a meningocócica B. Além destas, a médica pediatra chama a atenção para a imunização contra a segunda infecção de meningite mais comum no país: a pneumocócica, para a qual estão disponíveis as vacinas Pneumo 10, na rede pública, e a Pneumo 13, na rede privada. Ela faz um apelo para que as pessoas também tomem esses imunizantes, pois a cobertura continua baixa.

Ballalai afirma que, assim como o sarampo ressurgiu após baixas coberturas vacinais, o mesmo pode acontecer com doenças meningocócicas, causadas pelo mesmo grupo de bactérias. “Nós estamos num momento de alto risco, principalmente nesses meses de inverno, de surtos tanto de doença meningocócica, quanto de pneumocócica, considerando que nossa cobertura vacinal está em torno de 60% e 70%, o que é muito baixa”, alertou. A meningite se caracteriza pela inflamação das membranas (meninges) que revestem o cérebro e a medula espinhal, podendo deixar sequelas ou mesmo ser fatal. Tem sintomas como dor de cabeça intensa, febre, náuseas e rigidez do pescoço.


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