Com menor cobertura vacinal dos últimos 20 anos, entidades lançam campanha e alertam pais

Apesar de ter maior programa de imunização do mundo, Brasil apresenta baixas taxas de vacinação infantil; médicos se mobilizam por campanha nacional para conter reincidência de doenças já erradicadas, como poliomielite e sarampo

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Menina com aparência doente, tendo sua temperatura aferida
Cobertura vacinal é a menor nos últimos 20 anos, aponta estudo
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A campanha “V de Verdade, V de Vacina”, que tem como lema “Vacina começa com V de Verdade, de Vitória, de Vida”, foi lançada na última quarta feira, dia 16 de março, pela Associação Brasileira de Medicina (AMB), em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Em meio às baixas taxas de vacinação infantil por todo Brasil, a ação tem como objetivo recuperar os baixos níveis de cobertura vacinal, através da conscientização da população, dos gestores públicos, dos profissionais da saúde e familiares.

Apesar de já possuir 73,6% de toda sua população com esquema vacinal completo contra a covid-19, o número de crianças vacinadas contra a doença é consideravelmente baixo. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas 43% dos menores brasileiros já receberam pelo menos a primeira dose do imunizante. Já entre a população adulta, mais de 80% dos brasileiros receberam as duas doses da vacina. 

A baixa cobertura vacinal da população infantil não se limita à vacinação contra o coronavírus. Atualmente, o Brasil tem uma das mais baixas taxas de vacinação dos últimos 20 anos contra enfermidades graves, que afetam principalmente crianças e adolescentes. O melhor índice de vacinação já alcançado no país ocorreu em 2015, em que 95,1% da população foi vacinada. Um estudo feito pela pesquisadora Marina Bozetto, da USP, a pedido do jornal “O Globo” destaca que em 2021 a cobertura vacinal do público alvo do Plano Nacional de Imunizações (PNI) foi de apenas 60,8%. 

Em consequência do bem estruturado Plano Nacional de Imunizações, a cobertura vacinal no país historicamente resultava em altas taxas de vacinação, com algumas doenças infantis consideradas erradicadas. Esse é o caso da poliomielite, que em 2012 possuía uma taxa de vacinação de 96,5%. Infelizmente, no ano de 2021 houve uma queda em sua taxa, que agora é de 52%, o que resulta na reincidência da doença no Brasil.

Os três imunizantes com a menor cobertura em 2021 foram as vacinas de poliomielite ou paralisia infantil (52,% de cobertura), a segunda dose de tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola, com 50,1%) e tetra viral (tríplice viral mais proteção contra varicela, ou catapora, com 5,7%). “O risco é o retorno de doenças que nós controlamos ou erradicamos justamente em função das elevadas coberturas vacinais. Doenças que há décadas atrás eram responsáveis por enormes taxas de mortalidade infantil e uma expectativa de vida consequentemente muito menor, como: sarampo, coqueluche, difteria, pneumonias, meningites, diarreia, febre amarela, dentre outras. O cenário atual coloca todas essas conquistas em xeque”, alerta Renato Kfouri, pediatra, infectologista e presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

O sarampo, que em 2016 chegou a ser considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma doença eliminada no Brasil teve sua primeira reincidência de caso em 2018. Com a procura pela vacina foi reduzida, uma maior parte das crianças ficou desprotegida. Isso resultou em mais de 40 mil casos da doença no ano, com 39 óbitos entre eles, a maioria em menores de cinco anos.

Pensando nisso, a campanha busca reafirmar a importância da vacinação infantil. Cards e informações serão divulgadas no site e nas redes sociais das entidades, contando também com newsletters que serão enviadas a médicos de todo país.

Como parte da campanha, a SBP criou o projeto “Pediatra Responde”, para sanar as dúvidas das crianças sobre a vacina contra a covid-19 para a faixa etária de 5 a 11 anos. Os vídeos serão publicados nas redes sociais. 

Em um dos cards, a Sociedade reafirma a importância do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que foi formulado no Brasil em 1973, e é o maior do mundo. Segundo o texto, são mais de 300 milhões de doses anuais, sendo 43 tipos diferentes de imunobiológicos. 


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