O comportamento do seu filho regrediu nessa quarentena? Calma! É normal (e dá para ajudá-lo)

Ele voltou a fazer xixi na cama e ficar com medo de escuro? Saiba que comportamentos como esses são esperados nestes tempos de isolamento social

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Regressões no desenvolvimento da criança são comuns frente a situações atípicas, como esta de pandemia, e aos pais cabe acolher os filhos e conversar com eles, como nesta foto em que garoto está sentado no colo da mãe, e esta encosta sua cabeça na dele
Pais devem conversar bastante com os filhos e explicar que esta é uma situação desafiadora para todos, adultos e crianças

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Seu filho já não fazia xixi na cama, dormia no escuro, comia sozinho…De repente, ele não faz mais nada disso. Você percebe certas regressões no seu desenvolvimento em vez de evoluir. Calma! É um reflexo esperado nestes tempos de isolamento social. “Isso é completamente normal neste momento, considerando que todos estamos passando por uma pandemia, que está causando muitas mudanças ou incertezas nos dias de nossos filhos “, diz Caron Irwin, especialista em desenvolvimento infantil e parentalidade de Toronto, no Canadá.

Em entrevista à CTV Your Morning, ela disse que atende muitas famílias, cujas crianças parecem estar retomando velhos hábitos que indicam regressões no desenvolvimento. “Elas podem estar voltando a comportamentos antigos, que as fazem parecer mais novas do que são, porque isso lhes proporciona a sensação de conforto, algo que elas podem estar desejando durante esse tempo incerto”, explicou Caron.

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A especialista explicou que a maioria das regressões no desenvolvimento infantil se enquadra em quatro categorias principais: maior ‘grude’ com os pais, ansiedade de separação, birras e comportamentos para se auto-acalmar.

Para crianças que exibem comportamentos mais pegajosos, como querer ser carregada ou sentar no colo dos pais o tempo inteiro, Caron recomenda permitir a prática sempre que possível, dando as mãos ao filho ou procurando formas alternativas de proximidade, desde que estabelecidos limites. 

Às crianças que voltaram a sofrer toda vez que se separam dos pais, a especialista sugere criar um ritual de despedida, algo como um abraço apertado e dois beijos ou um aperto de mão, por exemplo. A ideia é ajudar a criança a sentir que tem o controle da situação e lembrá-la de que aquele ritual significa que os pais retornarão. “Seja para ir ao supermercado ou simplesmente aparecer no porão, sempre faça a mesma coisa”, diz ela. Voltar a chupar dedo ou praticar outras técnicas auto-tranquilizantes também pode acontecer durante a pandemia. Embora os pais não devam proibir a criança de fazê-lo, podem dar alternativas oferecendo um brinquedo, por exemplo. Para o surgimento de birras, ela sugere aos pais desenvolver atividades que ajudem os filhos a “desabafar” e expressar suas emoções.

Para Marisa Fernandes Bianco, psicopedagoga e terapeuta de família e casais, situações de birra não devem ser consentidas, a não ser que a criança esteja muito nervosa e perca o controle. “Aí sim podemos acolher e falar que ela está nervosa, mas que nós estamos tranquilos e podemos ajudá-la”, relata a psicopedagoga. Ela diz que é preciso conversar bastante com os pequenos e explicar que esta situação impõe regras desafiadoras mas que estamos ao lado deles.

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Pais também devem cuidar de si

Além disso, Marisa ressalta que não somente as crianças, mas principalmente os pais estão passando por uma situação extraordinária, em que enfrentam diversas preocupações com a saúde e os compromissos econômicos. “Em primeiro lugar é importante olhar para nós, como podemos manter a mente saudável e minimamente equilibrada para este panorama de tantas incertezas”, diz. Ela sugere resgatar hábitos simples como sentar e respirar alguns minutos por dia. Também propõe que o adulto reconheça valores e conquistas que um dia já pareceram difíceis.”Dessa forma, é possível obter força e ganhar confiança e esperança para acreditar que é possível recomeçar”, finaliza.

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