Sentimentos e comportamentos desafiadores em tempos de quarentena

Precisamos lembrar e ensinar que o que sentimos sempre é aceitável, mas o que fazemos a partir desse sentimento, nem sempre é adequado e respeitoso

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Nomear os sentimentos de uma criança é mesmo bom?
Com a ideia de que precisamos dar uma criação melhor para nossos filhos, surge o conceito de ajudar a criança a lidar melhor com seus sentimentos

Todos nós, adultos, jovens, crianças, idosos, temos a oportunidade de vivenciar uma enorme variedade de sentimentos em um mesmo dia.

Durante a quarentena, tenho ouvido adultos relatarem que seus filhos andam muito sensíveis, alguns mais raivosos e irritados, outros mais tristes, saudosos, frustrados. Tem também os que sentem orgulho e alegria das novas habilidades que estão adquirindo nesse novo contexto que nos foi apresentado. Muitos desses sentimentos podem acontecer em poucos minutos! Quem já não viu uma criança gargalhando e depois, porque algo aconteceu, ter um ataque de raiva?

E nós adultos? Além dos sentimentos mencionados acima, estamos também sentindo medo, preocupação, ansiedade, insegurança, impotência… Nossos filhos nos conhecem tão bem quanto nós os conhecemos. Por isso, não tente esconder seus sentimentos. E nem pense em mentir! Eles observam a verdade na nossa expressão facial, tom de voz e toda linguagem corporal.

Agora, ao mesmo tempo que não podemos esconder, não é justo “descontar” nossa raiva, tristeza e frustração, por exemplo, em ninguém! Daí a importância de distinguirmos sentimentos de comportamentos. Reclamamos quando eles se “comportam mal”, mas quantas vezes esses comportamentos não são apenas a única forma que essa criança ou adolescente conhece para expressar suas
emoções?

Os pequenos nem sabem definir ou nomear seus sentimentos, quanto mais lidar com eles! Aliás, vale lembrar que o córtex pré frontal, responsável pela regulação emocional, só estará desenvolvido perto dos 25 anos! Verdade seja dita: conheço inúmeros adultos que também não sabem identificar e lidar com seus próprios sentimentos.

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Precisamos lembrar e ensinar que o que sentimos sempre é aceitável, mas o que fazemos a partir desse sentimento, nem sempre é adequado e respeitoso. Por exemplo, seu filho adolescente pode ficar raiva de não poder ir à escola ou a festas, mas não
pode bater nem xingar ninguém. Sua filha pequena pode estar triste, com saudades da vovó, babá ou professores, mas não pode “descontar” no irmãozinho mais novo. Você pode estar amedrontado e ansioso, mas não é adequado despejar todos seus medos e preocupações nas crianças que nem têm condições de entender e ajudar.

Podemos sempre conversar sobre sentimentos, ouvir atentamente e validar os sentimentos dos outros. E também:

  • ensinar a extravasar a raiva fazendo atividades físicas vigorosas (pular, dançar, lutar, cantar alto…), ensinando a respirar profundamente, a fazer a Pausa Positiva e tantos outros comportamentos mais eficazes;
  • ensinar a lidar com a tristeza, permitindo o choro, a lembrança de bons momentos, convidando a criança a desenhar o que está sentindo, abraçando e confortando;
  • ensinar a lidar com o medo trazendo luz para o porquê desse medo, demonstrando empatia, oferecendo ajuda e contando quais são os seus medos.

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Lembramos que nossos filhos aprendem mais com nossas ações do que com nossas palavras, eles estão o tempo todo observando (e aprendendo) a como lidar com as diferentes emoções. Por isso não é surpresa que nossos filhos não saibam lidar com seus sentimentos se eles veem que os adultos não sabem lidar com situações mais difíceis. O que você tem mais sentido nessa quarentena? E que comportamentos reativos você tem tido? Você está sendo um bom exemplo de inteligência emocional para os que o cercam?

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Bete P. Rodrigues é mãe, madrasta e vódrasta. Professora e consultora educacional, palestrante, coach, tradutora e trainer em Disciplina Positiva para mães, pais e profissionais. Saiba mais sobre ela em: @disciplinapositivabrasil www.beteprodrigues.com.br

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