Precisamos falar sobre sexualidade e gênero com as crianças

Temas foram alvo de palestras da sexóloga Cida Lopes e do hebiatra Felipe Fortes, durante terceiro dia do 4° Congresso Internacional de Educação Parental

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Felipe Fortes e Cida Lopes falam sobre sexualidade e gênero
Felipe Fortes durante apresentação no evento
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Quando o assunto é sexualidade, muitos especialistas orientam os pais a esperar que os filhos tragam as perguntas e, uma vez feitas, que sejam respondidas de forma sucinta. Porém, não se trata de ser breve e cortar o papo – esse é um tema muito necessário, segundo a psicóloga, sexóloga e educadora sexual, Cida Lopes. “A conversa é uma oportunidade para fortalecer o vínculo com o filho e construir uma visão mais positiva e saudável sobre a sexualidade”, explicou Cida em palestra sobre sexo e gênero, no terceiro e último dia do 4° Congresso Internacional de Educação Parental.

Ela disse que nesses momentos os pais podem agradecer à criança por terem sido procurados para falar sobre isso, e em vez de esconder os medos, receios e sentimentos, assumi-los. “Se ficou assustado com a pergunta ou não sabe respondê-la, vale dizer isso à criança ou ainda devolver a questão para ela”.

Cida recordou que o sexo ainda é visto como um tabu, o que leva a criança muitas vezes a sentir vergonha do próprio corpo e desenvolver um sentimento de culpa ao querer aprender sobre sua sexualidade. “Demonstrar amor e carinho é proibido em casa, mas o mesmo não ocorre com as brigas, a agressividade e a violência que acontecem na frente dos filhos. Os pais precisam mudar essa realidade, mudando a maneira como lidam com o assunto”.

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‘Ser transexual não é uma escolha’

O hebiatra Felipe Fortes participou do mesmo painel que a sexóloga para falar de questões de gênero e os desafios do público LGBTQIA+, que sofre com o preconceito, a exclusão e a violação de direitos, entre outros aspectos.

“A gente precisa entender que ser transexual não é uma escolha. Na nossa época, as pessoas não se manifestavam, mas estavam lá”, disse Felipe. Ele destacou a importância de respeitar os pronomes e o nome social dessas pessoas, principalmente na família. “É muito importante a validação, que precisa começar dentro de casa. É muito estruturador, organizador, que esse jovem encontre respeito das pessoas que ele ama”, complementou.

De acordo com o médico, que coordena o Programa Aquarela, de atenção à saúde de adolescentes transgênero, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), esses jovens sofrem muitas violências. “Somos nós, adultos, que viemos de uma educação tradicional, que praticamos essas violências, precisamos parar com isso”. Felipe citou números que mostram que as pessoas LGBTQIA+ têm cinco vezes mais chances de se matarem, e 80% se cortam ou já pensaram nisso. Ao mesmo tempo, o Brasil é o país onde mais se consome pornografia trans.

Ele também contestou aqueles que dizem que os adolescentes se assumem transgêneros por moda ou tendência. “Ser trans é muito difícil e exige arriscar a vida, portanto, ninguém vai dizer que é trans por modinha. Lembrando que temos sempre que individualizar o olhar para cada pessoa atendida”, declarou o médico, apontando ainda a importância de acolher o luto dessas famílias quando o filho assume sua identidade de gênero.

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